A Importância Da Literatura Infantil

O presente artigo tem por objetivo demonstrar a eficácia da Literatura Infantil, para a formação de leitores conscientes, críticos e reflexivos para a atuação de uma civilidade (mundo melhor). Na investigação utilizaram-se, como fontes os materiais didáticos produzidos (aulas da Uniseb sobre Literatura Infantil da professora Alessandra Fávero), documentos pedagógicos, artigos científicos e livros de diversos autores, bem como a Legislação vigente. O material colhido para a efetivação da pesquisa demonstrou e enriqueceu a aprendizagem real dos acadêmicos, haja vista, que a pesquisa em tela é importante para a diversidade de correntes pedagógicas que permeiam o universo da leitura e da Literatura.

Este artigo tem como justificativa a busca de uma maior compreensão quanto ao desenvolvimento de indivíduos com senso crítico, sociabilidade e autonomia a partir dos objetivos da unidade escolar; através da Literatura Infantil, permeando pela reflexão sobre as ciências e a vida cotidiana.

O trabalho em tela mostra que através do aprimoramento da leitura e do gosto pela Literatura o indivíduo é capaz de desenvolver a imaginação, a organização, o respeito e aprimorar novas falas, novas escritas e novos princípios, através inclusive da qualidade desses momentos que transformam para sempre suas vidas.

Ademais, o mesmo busca investigar o desenvolvimento dos alunos mediante o contato com a Literatura Infantil e a importância da utilização da Literatura no desenvolvimento da criança e conseqüentemente os bons hábitos de leitura desde a tenra idade.

Passeamos por Leitura e Literatura, apresentando os aspectos fundamentais de divertir e ensinar a um só tempo. Um Breve Histórico, discorrendo sobre as origens e tendências na Literatura Infantil. Apontamos ainda a Leitura e o Desenvolvimento Infantil, numa abordagem do estreitamento da relação entre mãe e filho e a curiosa constatação de que a mãe não só pode como deve ler para seu bebê ainda no ventre. E por fim: O outro lado das Histórias, que levanta a questão importantíssima de apresentarmos histórias ou estórias condizentes com a realidade da criança, evitando assim sentimentos de decepção ou frustração. 

LEITURA E LITERATURA

Na definição do dicionário Aurélio (2010, p.470) a palavra “Literatura é oriunda do Latim ‘litteris’ o que quer dizer: a arte de compor trabalho artístico em prosa ou verso ou ainda, o conjunto de trabalhos literários dum país ou duma época. Em Latim, Literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e de ler e se relacionar com as artes das gramáticas, da retórica e da poética”.

De acordo com Cademartori (1986), deve-se ter em mente que a Literatura Infantil possui dois aspectos fundamentais: divertir e ensinar. Desta forma, o lado doce da literatura está ligado ao prazer, à satisfação de ouvir, de ler, de estar próximo das histórias, dos contos, das fábulas enfim, o contato com o imaginário, o lúdico, o maravilhoso. A outra face, de aspectos fundamentais diz respeito aos ensinamentos de valores, de caráter, de bem e de mal, demonstrando para a criança quais padrões de comportamentos e condutas sociais uma pessoa idônea deve seguir e qual exemplo de “mau caráter” deve abominar.

Seguindo a mesma autora Cademartori (1986), a Literatura Infantil tem também seu aspecto social de transformar o agente leitor, seja pelos livros, pelo convívio com o outro, ou estimulado pela escola, para que dessa forma esse sujeito seja capaz de ver o mundo com os olhos críticos.

Ao ler e ouvir, a criança deixa aflorar seus sentimentos e é atraído pela curiosidade, pelo formato, pelo manuseio fácil e pelas possibilidades emotivas que o livro pode contar.

Assim, é nítida a importância das histórias no desenvolvimento intelectual e real das crianças que demonstra como é fundamental o primeiro contato dos “pequeninos” com o mundo da Literatura, mesmo que estes primeiros momentos sejam apenas orais.

Já dizia Cavalcanti:

Ler sempre representou uma das ligações mais significativas do ser humano com o mundo. Lendo reflete-se e presentifica-se na história. O homem, permanentemente, realizou uma leitura do mundo. Em paredes de cavernas ou em aparelhos de computação, lá está reproduzido seu estar no mundo e reconhecendo-se capaz de representação. Certamente, ler é engajamento existencial. Quando dizemos ler, nos referimos a todas as formas de leitura. Lendo, nos tornamos mais humanos e sensíveis. (CAVALCANTI, 2002, p.13).

Nesse sentido, Cavalcanti, (2002) descreve a importância do livro em ser a ferramenta que integra o homem às possibilidades que lhe rodeiam. Com isso, podemos perceber que uma nação ou sociedade só pode se transformar quando existirem indivíduos capazes de refletir e essa reflexão só é capaz através da leitura, na inserção dos livros na vida e nos ambientes sociais.

Atualmente a Literatura Infantil é diversificada e importante aos olhos do educador. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutíveis. Quando as crianças participam da leitura da história passam a compreender melhor os seus sentimentos em relação ao mundo, com isso são trabalhados problemas existenciais típicos da infância, como já mencionado em parágrafos anteriores.

A Literatura Infantil é a abertura para a formação de uma nova mentalidade, pois é de cedo que começamos a ensinar ao indivíduo a importância de avaliar aquilo que se está lendo, sendo que esse ponto é fundamental para o nosso artigo.

Para Coelho (2000, p.16), “a escola é um espaço privilegiado para o encontro entre o leitor e o livro, nesse espaço, apreciamos os estudos literários, pois de maneira mais abrangente do que quaisquer outros, estimulam os exercícios da mente, a percepção do real em suas múltiplas significações”.

Constatamos isso ao trabalhar com crianças na Educação Infantil e no Ensino Fundamental; a escola como experiência “in loco”.

BREVE HISTÓRICO DA LITERATURA INFANTIL

De acordo com Cademartori (1986), os primeiros livros direcionados ao público infantil surgiram no século XVIII. Autores como La Fontaine e Charles Perrault escreviam suas obras com foco nos contos de fadas. Com o passar dos tempos a Literatura Infantil foi ocupando um espaço próprio e de relevância, pois a criança começou a ser vista como um ser existente, especial e não como um adulto em miniatura. Muitos autores surgiram, tais como: Hans Christian Anderson, os irmãos Grimm e no Brasil, Monteiro Lobato, todos imortalizados por suas obras.

Esclarece-nos Cademartori (1986), as origens da Literatura Infantil têm sua chegada e evolução a partir da transformação social, que se originou primeiramente na Europa; até então não se produzia uma Literatura unicamente infantil, mas adaptações dos contos populares do público adulto. Quem inicia essas ditas adaptações é o francês Charles Perrault, considerado o pai da Literatura Infantil.

Não se pode dispensar ou ignorar a leitura da Literatura ou ainda levantar quaisquer dúvidas sobre sua importância, pois se entende que não há educação, reflexão ou criticidade sem o contato com a leitura.

De acordo ainda com Cademartori (1986), no Brasil, a Literatura Infantil chega com as adaptações de textos europeus e só a partir de 1922, Monteiro Lobato surge no universo das crianças; entre suas obras mais conhecidas estão: Sítio do Pica-Pau Amarelo, A chave do tamanho, O saci e as fábulas do Marquês de Rabicó.

Ainda em relação ao Brasil, temos a Lei n° 12.388 de 03 de março de 2011 que confere ao Município de Taubaté, no Estado de São Paulo, o título de capital Nacional da Literatura Infantil, essa Lei conta apenas com dois artigos e foi promulgada pela Presidente Dilma Rousseff.

LEITURA, LITERATURA E DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Com a Literatura absorvida pode-se chegar a épocas nas quais não se pode mais viver. Com a leitura pode-se ainda transportar-se a lugares distantes e inatingíveis, entra-se em contato com pessoas que nunca serão conhecidas pessoalmente. E isso desde a mais tenra infância.

Quando da admiração, com a magia, o colorido, a forma e a maneira de cada criança; ao sentir a leitura (estória) que se é contada, com surpresas e olhinhos brilhantes, ao ouvir ou sentir a festa de palavras; começa aí a formação de leitores não só pela fala, mas pelas páginas impressas.

De acordo com Abramovich (1993) o intérprete deve atribuir veracidade ao enredo de forma tal que o ouvinte tenha despertado em si o desejo de participar da estória, passando a vê-la como real, empolgar-se com o depois e até modifica-la.

Parreiras (2012, p. 86), ressalta diversos aspectos do livro e da leitura. Afirmando que o mesmo livro que une pode separar. “Os contos, as histórias, as cantigas de ninar ajudam nessa importante tarefa de comunicação, de elo entre a criança e seus pais, mas permite também a construção de um espaço próprio da criança, que sua imaginação permite criar”. Outro aspecto relevante, de acordo com a mesma autora Parreiras (2012), é a importância do adulto se propor a aprender com a criança, saber escutá-la em sua individualidade como um ser de características próprias e únicas.

Do ventre ao colo, do som a literatura, título da obra de Parreiras (2012), nos remete à ideia do quanto somos imersos na linguagem, na troca corporal e afetiva, por isso, é tão importante o contato do bebê desde o ventre da mãe, com a Literatura, criando-se elos afetivos e não somente cognitivos.

Para Parreiras (2012), pode-se perceber, que as transformações emocionais da mãe na gravidez são um misto de sentimentos que se alternam, assim, como o feto sente a mãe, a mãe sente o filho, o que demonstra o quão importante é a troca de sensações, pois é recíproca, isto posto; o bebê ainda no ventre é capaz de apreciar as sensações da leitura e se beneficiar com elas.

Ainda nesse contexto, há que se falar sobre a importância de se estreitar o elo entre filhos e pais, pelo motivo de que essa relação salutar faz com que no futuro o sujeito em formação seja um indivíduo seguro e mais feliz.

O OUTRO LADO DAS HISTÓRIAS

Nosella (1978, p.178) em seu livro: “As Belas Mentiras, a ideologia subjacente aos textos didáticos”, faz uma crítica aos moldes das nossas histórias que apresentam inúmeras esteriotipações, tanto da família e da escola, como da sociedade. Essas marcas de “lindos e felizes, frustram as crianças, principalmente as pobres”, pois não conseguem se identificar com esses relatos, já que suas realidades são bem diferentes.

Com isso, conclui-se que, é fundamental mostrar histórias condizentes com a realidade da criança para não decepcioná-la, pois mesmo na fantasia, no mágico e no maravilhoso, essas condições devem estar ao seu alcance.

Entende-se também que anteriormente as histórias vinham com padrões embutidos de beleza, de qualidade e de regras. Fazendo com que todos seguissem estes moldes, como “soldadinhos engessados”. Atualmente, seguindo as orientações curriculares, PCNs e RCNEI, tem-se a oportunidade de trabalhar temas diversificados, que contribuem com os vários modos de ser e agir na convivência social, auxiliando na educação de novos leitores, que possam fazer suas próprias opções.

Por fim, é possível alimentar o hábito da leitura, sem agredir ou decepcionar a identidade do leitor ou do ouvinte, respeitando o ser em formação, como um indivíduo que é.

Compreendemos que os livros de Literatura Infantil podem ser inseridos no mundo das crianças, já nos primeiros contatos com o ambiente familiar e escolar, aproximando o leitor da Literatura, com diversos contos e histórias, com inúmeros métodos e diferentes razões. Pode-se observar a necessidade da leitura para cada indivíduo da sociedade, quando tudo lhe é experimentado e vivido em forma de leitura ou escrita. Sem esses meios o homem social está limitado à margem, não convive com o todo social. Ressaltamos ainda, a importância do desenvolvimento criativo, imaginário, intelectual e humano quando da inserção do livro no ambiente escolar, possibilitando naquele que compreende o contexto histórico e cultural a oportunidade de criá-lo, alterá-lo ou reconstruí-lo.

Hoje a dimensão de Literatura Infantil é mais ampla e importante. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutíveis, sem contar que no ambiente familiar o hábito da leitura, fortalece o elo da criança com seus pais ou responsáveis, tornando-o, no futuro, um adulto mais seguro.

Nesse sentido, quanto mais cedo à criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela se transformar em um adulto leitor. Da mesma forma, através da leitura a criança adquire uma postura crítica e reflexiva, extremamente relevantes à sua formação cognitiva.

O ato de ler então, não representa apenas a decodificação, já que este não está imediatamente ligado a uma experiência, fantasia ou necessidade do indivíduo, vai mais além, o ato de ler é transformador, capaz de transpor imensuráveis sensações de prazer e aprendizagem. Nesta perspectiva, notamos o quão mágico pode ser um livro nas mãos de uma criança, que mediada por um professor ou familiar pode utilizá-lo para chegar onde quiser. Além disso, fazer uso do livro de Literatura Infantil na sala de aula como ferramenta de apoio e parte dos demais processos do desenvolvimento da criança; faz com que esta deixe de ser o agente e passe a ser o próprio processo transformador, causando uma internalização do princípio do livro na sala de aula, que para o professor é fonte de diversão e saber.

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