Abordagem comportamentalista

A abordagem comportamentalista entende que o desenvolvimento das habilidades é determinado por suas relações como meio em que se encontram.

Quem foi Jonh b. Watson?


Jonh B. Watson foi o fundador do movimento comportamentalista na psicologia, definindo-a como a ciência do comportamento, sendo este um ramo objetivo e experimental das ciências naturais. Ao enquadrar a psicologia como um ramo das ciências naturais, Watson considera a existência na continuidade entre o animal e o homem.

Para os comportamentalistas, embora haja um maior requinte e complexidade no comportamento do homem em relação ao comportamento animal, ambos podem ser explicados pelos mesmos princípios. Desta forma, o objeto de pesquisa do comportamentalismo é o comportamento, humano e animal.

O que é visto como comportamento?


Para nortear as ideias desta abordagem é importante esclarecer o que os teóricos desta abordagem entendem por comportamento:

• Comportamento = resposta do organismo a um estímulo externo (meio ambiente).

• Estímulo = toda alteração do ambiente captada pelos órgãos receptores (dos sentidos).

• Resposta = alterações que ocorrem no organismo em função de estímulos externos.

Exemplificando…

Imaginemos um gato bebendo água. Ao ouvir um latido, o gato sai correndo. Podemos dizer que ao ouvir o estímulo latido, o gato emitiu uma resposta: o ato de correr. Isto é, um determinado estímulo provocou uma determinada resposta.

O que interessa à psicologia, portanto, é a relação entre estímulos e respostas, aspectos que podem ser empiricamente observados. Os comportamentalistas não desconsideram a existência de processos internos relacionados ao comportamento, mas atribuem o seu estudo à área da fisiologia, uma vez que não podem ser observados.

Logo, a preocupação dos comportamentalistas pode ser resumida em:

• Prever a resposta quando se conhece o estímulo

• Identificar o estímulo quando se conhece a resposta

O estudo do comportamento deve, pois, explicar a relação entre estímulo-resposta (S-R), das quais ele é resultado. Cabe aos comportamentalistas descobrir quais são os estímulos que provocam determinado comportamento. Para os estudiosos desta abordagem o comportamento – animal ou humano – é sempre uma adaptação aos estímulos, às alterações que se processam no ambiente.

Então, qual seria o papel da aprendizagem para esta abordagem?

Não fica difícil perceber que, se para os inatistas a aprendizagem ocupa pouco lugar no desenvolvimento de certas habilidades, para os comportamentalistas a aprendizagem ocupa um papel central. O mais importante na determinação do comportamento são as experiências, aquilo que foi aprendido durante a vida. A preocupação básica do comportamentalismo é explicar como os comportamentos são aprendidos.

Burrhus Frederic Skinner, importante psicólogo comportamentalista, dando continuidade às ideias de Watson distinguiu dois tipos de aprendizagem: por condicionamento clássico e por condicionamento operante.

• Aprendizagem por condicionamento clássico: quando um determinado estímulo externo provoca um determinado comportamento; envolve uma reação do organismo ao meio e não uma ação do organismo sobre o meio.

Tomemos novo exemplo . . .

Mônica é apaixonada pelo Renatinho. Numa determinada história (em quadrinhos), ele a convidou para tomar sorvete. Mônica, toda feliz, vai ao encontro de seu pretendente e o espera ansiosa. Mas ele não pode ir e lhe manda um recado pela Carminha Frufru, que é concorrente dela.

Para criar um clima de ciúmes, Carminha diz que o Renatinho não pôde vir ao seu encontro e que o viu de mãos dadas com uma menina. Mônica começa a chorar, copiosamente. Na sorveteria tocava a música: “Diga que não sou o seu amor”. Cebolinha, percebendo a situação, rapidamente elabora um plano para derrotar a Mônica.

Quando está se refaz e sai caminhando em direção à sua casa, encontra-se com Cebolinha, que liga um gravador onde toca a mesma música da sorveteria. Ao ouvir o estímulo musical, Mônica se derrete em lágrimas. Quanto mais a música toca, mais a Mônica chora. Cebolinha aproveita-se da situação e a obriga a dizer que não é mais a “dona da rua”. Quando está prestes a ceder a liderança para o Cebolinha, chega o Renatinho, desculpando-se por não ter ido ao seu encontro.

Mônica percebe que ele está de mãos dadas com uma menininha: sua irmãzinha caçula. Ela, então, compreende a provocação de Carminha e o final todos já sabem… sobra pancadaria para o Cebolinha.

Podemos dizer, com relação ao exemplo dado, que o ‘desprezo’ é um estímulo externo que provoca a reação de choro do organismo. Esta reação não é considerada uma resposta aprendida. À medida que o desprezo é associado à música, essa música passa a servir de estímulo para provocar a resposta de chorar. Neste caso, a música é chamada pelos comportamentalistas como estímulo condicionado, uma vez que provoca a reação de chorar por ter se associado ao desprezo, mas que sem esta associação não provocaria tal resposta; é um estímulo, pois, condicionado à reação de desprezo.  

Entendendo os tipos de condicionamento


Por condicionamento podemos entender o processo de associar, pela repetição, um estímulo a uma reação não natural dele, de tal modo que a exposição a tal estímulo passe a provocar essa reação (p.ex., se durante algum tempo se toca uma sineta toda vez que o alimento é servido a um animal, o soar da sineta sozinho passa a provocar no animal salivação e maior produção de suco gástrico, reações que são inatas quando o alimento é percebido pela visão, olfato ou gustação).

Este tipo de condicionamento, o clássico, não implica em nenhuma iniciativa por parte de quem aprende. Ou seja, a pessoa aprende a chorar ao ouvir uma determinada música, porque sua reação original acabou se associando a um novo estímulo.

Diferente deste tipo de condicionamento, o condicionamento operante não se apoia em reações provocadas por estímulos, mas em comportamentos emitidos pelo próprio organismo que são seguidos de uma consequência. Se esta consequência é agradável, o comportamento tende a se repetir.

Ao contrário, se a resposta for desagradável o comportamento tem menos probabilidade de se repetir. Estas consequências são chamadas pelos comportamentalistas de reforçadores e esses modelam o comportamento dos indivíduos, criando os hábitos. Segundo Skinner, grande parte do comportamento humano é aprendido por condicionamento operante.

A birra de uma criança, por exemplo, segundo os comportamentalistas, é um comportamento aprendido. Se a criança, ao chorar, a mãe dar algo que ela goste (refrigerante, colo) o comportamento da criança é reforçado e o choro tende a se repetir, levando a um hábito e àquilo que conhecemos como birra. Caso seja repreendida, o comportamento tem menos chance de acontecer novamente.

Para provar que os comportamentos e as habilidades dos indivíduos são sempre aprendidos a partir da influência do meio ambiente, muitas pesquisas foram desenvolvidas. Estas pesquisas tinham como objetivo desenvolver um método que permitisse prever e controlar cientificamente o comportamento humano e animal.

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