Candidíase Vaginal: O que é?

A candidíase vaginal (CV) continua sendo extremamente comum, uma vez que quase todas as mulheres experimentam esse desagradável quadro genital pelo menos uma vez em algum momento de suas vidas. A grande maioria das cepas isoladas da vagina corresponde a espécies da C. albicans, estimando-se que a proporção de infecções por cepas não-albicans venha aumentando progressivamente nos últimos anos.

Clinicamente ambas são indistinguíveis, causando sintomatologia muito semelhante. Todavia, tem sido relatado que a C. albicans está mais associada com os sintomas do que as cepas não-albicans, as quais geralmente são mais resistentes às terapias habituais.

A candidíase vulvovaginal é caracterizada por inflamação verdadeira da vagina devido à infecção por Candida sp. Incluem-se neste espectro pacientes com ou sem sintomas cujo diagnóstico foi estabelecido por cultura positiva de secreção vaginal.

Alguns microbiologistas supõem que a Candida possa ser encontrada na vagina, sem causar sintomas, fazendo parte da sua flora normal. Estudo clínico feito em 1973, no Reino Unido, demonstrou que a presença de Candida albicans na vagina coincidiu com 84% de casos de vaginites.

Publicações sobre a incidência e prevalência de candidíase vulvovaginal, com diagnóstico definido por cultura, ainda são pouco comuns, sendo que alguns estudos baseiam-se apenas em autodiagnósticos ou diagnóstico clínico. Estudo desenvolvido na Universidade de Michigan estimou que provavelmente 55,7% de todas as mulheres terão pelo menos um episódio de vulvovaginite por Candida sp ao longo de suas vidas.

Estudo transversal com 774 mulheres, atendidas em clínicas de doenças sexualmente transmissíveis, realizado pela Universidade de Washington em 1998 encontrou prevalência de vulvovaginite por Candida sp de 24%.

Na Inglaterra, observou-se aumento dos casos de 28% para 37%, entre 1971 e 1981, monitorado por relatórios anuais em clínicas de DST, ao passo que na Itália, encontrou-se prevalência de 34,1% de culturas positivas para Candida sp em triagem realizada com 2043 pacientes atendidas no ambulatório de Ginecologia da Universidade de Pádua.

No Brasil, os dados epidemiológicos são bem mais escassos. Estudo transversal realizado em 1996, incluindo 72 mulheres não grávidas, que procuraram o Serviço de Planejamento Familiar do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, observou a prevalência de candidíase vulvovaginal de 25%, confirmado por cultura.

Outro estudo transversal realizado em 1998-1999, que avaliou 205 mulheres atendidas no ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade do Espírito Santo, demonstrou prevalência de 25% de candidíase vulvovaginal entre as assintomáticas e de 60% entre as que apresentavam sintomas de vulvovaginite.

Já foram identificadas várias cepas de Candida sp. Há consenso na literatura que a Candida albicans é o agente etiológico mais comum das vaginites micóticas, ocorrendo em 80 a 95% dos casos. As espécies não-albicans como a Candida glabrata, C. tropicalis e outras são responsáveis pelos casos restantes de infecção fúngica vulvovaginal.

Observa-se que a prevalência de vulvovaginite por Candida sp causada por espécies não-albicans vem aumentando nas últimas décadas. Estudo italiano demonstrou que a prevalência de vaginite fúngica causada por espécies não-albicans cresceu de 9,9%, em 1988, para 17,2% em 1995; a razão desse aumento é atribuída ao uso inadequado de antimicóticos.

Muitos fatores de risco potenciais para candidíase vulvovaginal têm sido descritos, embora não haja consenso na literatura, incluindo o recente uso de antibióticos, contraceptivos orais, a presença de diabete melito, gravidez, uso de roupas justas, absorventes e deficiências imunológicas específicas.

Especula-se que hábitos higiênicos inadequados possam ser possíveis fatores predisponentes da contaminação vaginal, dentre eles a higiene anal realizada no sentido do ânus para a vagina, e os resíduos de fezes nas calcinhas poderia ser a origem das leveduras no desenvolvimento das candidíase vulvovaginal. Assim, dados epidemiológicos, fatores de risco e mecanismos patogênicos permanecem ainda inadequadamente estudados.

A Candida albicans é uma levedura blastoforada frequentemente encontrada ao nível da vulva, da vagina e mais raramente do colo.

A presença do fungo pode ser assintomática ou provocar leucorréias cremosas e espessas acompanhadas de sensação de queimação e de prurido. Sua presença pode ser a primeira manifestação da Aids.

Os esfregaços exibem as duas formas assumidas pelos fungos: os esporos e os filamentos.

Os esporos ou conídios são pequenas massas de 3 à 6um, com uma zona central clara, e delimitada por uma membrana bem distinta. Os filamentos micelianos formam emaranhados de dimensões variadas. A presença de macroconídios é mais rara.

Esporos, pseudo-hifas e hifas verdadeiras aparecem de eosinofílicas a marrom-acinzentado na coloração de papanicolaou. Núcleos de leucócitos fragmentados e formações de células epiteliais escamosas englobadas por hifas podem aparecer.

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