Características do Ultrassom comum e do Estético

A perda de energia pelo feixe de ultrassom nos tecidos é denominada de atenuação, ou seja, a dose de ultrassom ajustada no aparelho não corresponde àquela que alcançará o local a ser atingido no tratamento, pois a amplitude e intensidade diminui à medida que as ondas de ultrassom passam através de qualquer meio. 

Esta diminuição de potência é causada pela difusão de som no meio, pela reflexão e refração nas interfaces e pela absorção do meio.

Segundo Fuirini e Longo (1996), a amplitude e a intensidade diminuem à medida que as ondas de ultrassom, sobre sua forma de feixe, passam através de um meio. Essa diminuição de intensidade é causada pela difusão do som em um meio heterogêneo, pela reflexão e refração nas interfaces e pela absorção do meio.

Borges (2006), explica que o feixe de ultrassom pode ter sua intensidade original reduzida pela metade em determinada distância, em determinados tecidos com espessuras específicas. Cada tecido possui valores diferentes de atenuação conforme sua espessura, assim como a frequência do ultrassom utilizado.

Reflexão

Os tecidos oferecem uma resistência à passagem de ultrassom, chamada de impedância acústica.

A reflexão acontece quando uma onda não consegue atravessar a próxima densidade, voltando assim ao meio de origem, conservando sua frequência e velocidade. Isto ocorre devido a uma diferença da impedância acústica dos meios por onde se propagam as ondas sonoras.

Se os dois meios possuírem a mesma impedância acústica a reflexão não ocorrerá, ou seja, quanto maior a diferença de impedância acústica entre os meios, maior a reflexão ocorrida entre eles.

Assim, quando a onda encontra uma interface, com propriedades acústicas diferentes, parte dela é refletida e parte é transmitida. A onda refletida na interface retorna através do meio incidente com a mesma velocidade com que se aproximou da mesma. A onda refletida pode sobrepor-se a uma nova onda incidente, formando uma terceira onda, com amplitudes variando de zero até duas vezes a amplitude da onda incidente.

Esta terceira onda recebe a denominação de onda estacionária. Já a onda transmitida continua a se propagar após a interface, mas com velocidade característica do segundo meio.

Quanto maior a diferença das impedâncias acústicas dos meios (tecidos), maior será a quantidade de energia ultra-sônica refletida.

Borges (2006), explica que na prática, é importante que promovamos um perfeito acoplamento entre o cabeçote e a pele do indivíduo tratado, utilizando uma substância de acoplamento; do contrário, haverá a presença de ar entre o cabeçote e a pele, formando uma interface do feixe ultra-sônico.

Portanto, o objetivo do uso de acoplamento é substituir a quantidade de ar existente entre o transdutor e a parte que está sendo tratada, a fim de prover maior eficácia na transmissão de ondas ultra-sônicas para os tecidos. 

O ideal é que utilizemos uma substância de acoplamento que apresente uma impedância acústica próxima à da pele, pois isso irá minimizar a quantidade de ondas refletidas quando estas passarem da substância de acoplamento para a pele.

Os agentes de acopladores utilizados comumente são os géis preparados comercialmente, a água e o óleo mineral, mas os géis constituem os acoplantes mais eficientes para a transmissão das ondas sonoras e na elevação da temperatura tecidual até níveis terapêuticos.

Refração

Refração é um desvio da onda de som nas várias interfaces dos tecidos. A onda de som penetrará no tecido ou interface a um ângulo, chamado de ângulo de incidência, e sai desse tecido ou interface a um ângulo diferente, ângulo de refração. Sofre mudança na sua velocidade, mas conserva sua frequência.

Este fenômeno ocorre quando as interfaces têm impedância acústica diferentes. Essa mudança de direção ocorre em virtude da velocidade diferenciada das ondas sonoras nos dois meios. Se as impedâncias acústicas forem semelhantes ocorrerá pouca refração.

Para minimizar a refração, o feixe ultra-sônico deverá ser aplicado sempre perpendicularmente à superfície de tratamento, pois um desvio maior que 15º com a normal provoca um ângulo de refração de tal maneira que a onda incidente terá parte refletida e o restante refratado em direção paralela à interface, tornando o tratamento ineficaz.

Absorção

As ondas ultra-sônicas são absorvidas pelos tecidos e transformadas em calor.

Absorção é a capacidade de retenção de energia acústica do meio exposto às ondas ultra-sônicas. O ultrassom aumenta o movimento molecular, provocando maior vibração e colisão entre as moléculas e gerando efeito térmico.

Os tecidos podem absorver parte ou toda energia neles introduzida. Qualquer energia não refletida ou absorvida por uma camada de tecido continua a atravessar o tecido, até atingir uma camada com outra densidade. 

Nesse ponto, ela pode ser refletida, refratada ou absorvida ou passar para o próximo tecido. Cada vez que a onda é parcialmente refletida, refratada ou absorvida, diminui a energia remanescente disponível para os tecidos mais profundos.

A absorção do ultrassom depende da impedância acústica do tecido, densidade do tecido e suas interfaces, frequência do ultrassom, quantidade de proteína do tecido, quantidade de água ou gordura, ângulo de incidência, viscosidade do fluido, reflexão, refração e ondas transversais. 

Por exemplo, a uma frequência de 1 MHz a intensidade diminui em 50% ao atravessar 5cm de gordura subcutânea; e a uma frequência de 3 MHz a sua intensidade diminui em 50% ao atravessar 1,6cm de gordura subcutânea.

Segundo Fuirini e Longo (1996), o ultrassom é bem absorvido por proteína em tecido nervoso, ligamentos, cápsulas intra-articulares, tendões com alta concentração de colágeno, proteína no músculo, hemoglobina, não obtendo uma boa absorção pela pele e gordura.

De acordo com Borges (2006), o coeficiente de absorção aumenta quando se eleva a quantidade de proteínas presente no meio condutor. Por isso, tecidos ricos em colágeno absorvem grande parte da energia do feixe ultra-sônico que os atravessa e isto tende a gerar maior nível de aquecimento tecidual. A absorção depende também da frequência de ondas emitidas pelo aparelho.

Quanto maior a frequência do ultrassom, menor o comprimento de onda e maior a absorção, pois o tempo de relaxamento das estruturas somadas (moléculas, fibras, células etc.) é menor, e consequentemente absorvem maior quantidade de energia.

Transmissão

As ondas de ultrassom se propagam mais facilmente em determinados tecidos que em outros. Isto é determinado pela impedância acústica característica de cada tecido.

Quando as impedâncias acústicas dos dois meios são similares, quase toda a intensidade é transmitida. Em contrapartida, nas interfaces teciduais, como na interface músculo-osso, podem ocorrer reflexões e alterações na propagação e absorção do feixe.

Ultrassom Estético: Como funciona?

Ultrassom Estético

O ultrassom é usado na estética, para tratamentos de gordura localizada, celulite, pré e pós operatório de cirurgia plástica. O ultrassom produz 3 tipos de efeitos: térmico, químico e mecânico.

O efeito térmico provoca aumento da vascularização do tecido e melhora da oxigenação local.

O efeito químico provoca produção de colágeno e de fibras elásticas melhorando a firmeza da pele.

O efeito mecânico provoca o aumento da penetração de ativos cosméticos melhorando a performance dos produtos.

Assim, o uso do ultrassom ativa o metabolismo celular, melhorando a circulação linfática e o retorno venoso, além de diminuir o tempo de cicatrização, devido ao seu efeito anti-inflamatório. 

Melhores efeitos são obtidos quando associados a outras técnicas, como drenagem linfática, endermologia, massagem modeladora e produtos com ativos indicados para cada caso que deve ser muito bem avaliado individualmente, antes de qualquer procedimento.

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