Coleta de Sangue em diferentes espécies de animais

De modo geral, a flebotomia segue as seguintes etapas, idênticas a todas as espécies animais.

Qual o procedimento?
a) Conter o paciente, de modo a não agitá-lo;
b) Tricotomizar o local escolhido;
c) Efetuar o garrote;
d) Passar álcool (70% ou iodado) sobre o local escolhido;
e) Puncionar a veia (flebotomia propriamente dita);
f) Soltar o garrote;
g) Retirar a agulha da veia;
h) Armazenar o sangue no frasco escolhido e previamente identificado.

Como fazer a contenção do animal?

A contenção é variável de espécie para espécie e os métodos utilizados para tal também são variáveis, com uso do brete ou cordas no caso de grandes animais; e mordaças ou “botinhas” para cães e gatos, respectivamente. É desejável que a contenção não agite ou excite o animal, e sim que garanta tanto a segurança deste como das pessoas envolvidas na coleta.

Quando realizar a tricotomia?

A necessidade da tricotomia (corte dos pelos) é considerada questionável. Um dos pontos é a estética, pois os proprietários geralmente não concordam com o procedimento, pois produz uma falha na pelagem do animal.

Outro ponto é a contaminação; alguns autores consideram os pêlos bastante contaminados e afirmam que estes poderiam propiciar a entrada de microrganismos durante a introdução da agulha na pele do animal; já outros dizem que a tricotomia elimina a barreira imunológica fisiológica que os pelos representam.

Para a coleta sem vácuo utilizam-se agulhas e seringas convencionais, descartáveis. Após a coleta, retira-se a agulha da seringa e com o tubo inclinado, transfere-se o sangue fazendo com que ele escorra pelas paredes do frasco e não crie bolhas de ar ou provoque hemólise. O frasco deve estar sempre limpo e seco, pois a água provoca hemólise in vitro e os resíduos metálicos ou de detergente podem comprometer os resultados.Como dito anteriormente, depois de se colocar o sangue no tubo contendo anticoagulante, a amostra deve ser delicadamente homogeneizada. Nas coletas realizadas a vácuo, o tubo deve ser preenchido conforme o vácuo que apresenta, pois isto determina uma correta relação entre a quantidade de anticoagulante e sangue. Caso seja preenchido com menos sangue do que o ideal, o excesso de anticoagulante pode diluir a amostra e alterar valores de contagem de células e até mesmo o hematócrito.

Quanto às veias escolhidas para coleta há três consideradas principais. As principais veias utilizadas para coleta de sangue nos animais são a jugular, localizada no pescoço; a cefálica, localizada nos membros anteriores e a safena, localizada nos membros posteriores. Contudo, está preferência varia com a espécie e o porte do animal em questão.

Caninos

Dificilmente a coleta de sangue é problemática em cães, a não ser em filhotes muito pequenos ou animais muito agressivos ou agitados. A principal veia de escolha é a cefálica, porém também se utiliza a jugular (mais calibrosa, porém exigem certa experiência) e as veias dos membros pélvicos, as safenas e as femurais (contraindicadas por alguns autores devido à proximidade das artérias femurais).
Alguns clínicos preferem que o dono esteja presente durante a coleta, pois transmitiriam confiança ao animal; outros, no entanto, preferem que este não esteja presente, devido ao excesso de zelo ou à necessidade de contenção.

Felinos

Felinos são mais estressáveis do que cães, pois estes são muito sensíveis a mudanças de ambiente ou alterações emocionais, o que pode desencadear alterações hematológicas decorrentes do medo. Além disso, a contenção é geralmente mais difícil nestes animais e as veias dos membros frequentemente não possibilitam a coleta de volume suficiente.

Assim, a principal veia a ser considerada e utilizada é a jugular. No entanto, como o sangue geralmente vem vagarosamente, o uso de anticoagulantes na seringa e até na agulha podem ser necessários para evitar a formação de coágulos na amostra.

Equinos

Os equinos são considerados sanguíneos ou linfáticos, sendo que os primeiros possuem parâmetros hematológicos mais elevados e são mais sensíveis ao manejo ou à manipulação.
Assim, em equinos sanguíneos devem-se preferir coletas feitas por pessoas íntimas a estes animais, até a presença do médico veterinário pode ser indesejável. Nesses animais, a excitação, como uma simples saída da cocheira, pode representar um aumento de 10 a 15% no hematócrito ou determinar a hemólise da amostra.

Além disso, cuidados com a evitação da contenção, evitação do garroteamento e a manutenção do animal em pleno repouso são necessárias. A principal veia utilizada para coleta de sangue nos equinos é a jugular, preferindo utilizar somente a agulha, sem a seringa acoplada, ou equipamento de coleta a vácuo (sistema vacuotainer) devido a pressão sanguínea nesses animais.

Outro cuidado é tomado após a coleta, quando o tubo deve ser delicadamente invertido várias vezes, cerca de 20, já que equinos apresentam rouleaux eritrocitário normalmente.

Bovinos, ovinos e caprinos

Os ruminantes são geralmente linfáticos, mas isso não quer dizer que não sejam excitados durante as coletas de sangue, por isso as alterações hematológicas decorrentes de coletas estressantes são menos comuns.
A prática de puncionar a veia jugular, com uso apenas da agulha, e de depois colocar o frasco sob o jato de sangue, tem sido abandonada e substituída pelo uso de agulhas e seringas menores na punção de outras veias, facilmente perceptíveis, como as mamárias e a veia caudal.

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