Eixo Hipotálamo-Hipófise-Tireóide

A função da glândula tireóide é mantida basicamente pelo TSH (hormônio estimulador da tireóide), secretado pelos tireotrofos presentes na adeno-hipófise. Este hormônio estimula a função dos folículos tireoidianos após interação com um receptor de membrana acoplado a proteínas-G. A regulação da secreção do TSH dá-se basicamente pela interação entre o tripeptídeo hipotalâmico TRH (hormônio liberador de tireotrofina) e os HT na adeno-hipófise.

A secreção do TRH na eminência mediana da hipófise ocorre em decorrência de uma série de estímulos neuronais sobre os neurônios secretores de TRH. Esta secreção acontece de forma pulsátil, levando a vários picos de secreção de TSH durante o dia. De forma contrária, observa-se uma retroalimentação negativa dos hormônios tireoidianos sobre a secreção de TSH hipofisário e também sobre a secreção de TRH pelos neurônios TRH hipotalâmicos. Outros hormônios hipotalâmicos como a somatostatina e a dopamina, assim como os glicocorticóides podem inibir a secreção do TRH e TSH.

Síntese dos Hormônios Tireoidianos

O passo limitante para uma adequada síntese de HT é uma adequada ingestão de iodo, uma vez que os HT são as únicas moléculas no organismo que contém iodo em suas estruturas. A glândula tireóide concentra iodo através de um processo ativo dependente de energia e saturável. Um transportador por simporte faz a captação de sódio e iodeto a partir do líquido extracelular para dentro das células foliculares. Esta proteína de membrana é chamada de sódio iodeto simporter (NIS), e esta localizada na membrana baso-lateral das células foliculares.

Outra proteína envolvida com o transporte de iodeto, a pendrina, é uma proteína localizada na membrana apical das células foliculares, e esta envolvida com o transporte de iodeto (sem haver dependência do sódio) do citoplasma para o lúmen folicular, onde este iodeto pode se incorporar a tireoglobulina.

Os dois principais hormônios tireoidianos secretados pela tireóide são a tiroxina (3, 5,3´, 5´-tetraiodotironina ou T4), e a tri-iodotironina (3, 5,3´-tri-iodotironina ou T3). Ambos são produzidos a partir do aminoácido tirosina. A tirosina pode ser iodada, nas posições 3 ou 5 da molécula, ou em ambas, dando origem a monoiodotirosina (MIT) ou a uma diiotirosina (DIT). A formação destes iodoaminoácidos acontece através da iodinação dos resíduos de tirosina na matriz da tireoglobulina, a proteína que forma o colóide folicular. Esta reação de iodinação é catalisada pela enzima tireóide peroxidase (TPO), localizada na membrana apical da célula folicular. Ambos T4 e T3 são formados dentro da molécula de tireoglobulina através de uma reação de conjugação de dois DITs, ou um MIT e um DIT, respectivamente, em uma reação isolada da iodinação dos aminoácidos, porém catalisada pela mesma enzima tireóide peroxidase.

A tireoglobulina é uma proteína altamente antigênica e extremamente grande, com peso molecular de cerca de 660.000 daltons. Esta proteína é solúvel dentro do lúmen do folículo. A tiróide normalmente produz muito mais T4 do que T3, em uma relação que pode chegar até a 15:1 (T4:T3) na presença de uma ingestão adequada de iodo, sendo que o T3 é de 3 a 5 vezes mais ativo metabolicamente do que o T4.

A glândula tireóide, de forma contrária à maioria das glândulas endócrinas, conta com um estoque de HT no montante presente na tireoglobulina. Esta proteína precisa ser hidrolisada para que se liberem T4 e T3. Em resposta ao TSH, que estimula todos os passos acima descritos, formam-se bolhas de colóide na membrana apical interna da célula folicular após endocitose deste material. Lisossomos fundem-se a estas vesículas liberando suas enzimas proteolíticas. O produto da degradação da tireoglobulina são os aminoácidos iodados MIT e DIT, além dos hormônios T4 e T3. Os MITs e DITs não são liberados para circulação em decorrência da ação de deiodinases (enzimas que retiram iodo da molécula), permitindo que tanto as tirosinas quanto as moléculas de iodo sejam reaproveitadas. Apesar da célula folicular ter capacidade de transformar T4 em T3 através das deiodinases, esta via de síntese de T3 é pouco ativa nas células foliculares.Gostou do conteúdo e ficou interessado em saber mais? Siga acompanhando nosso portal e fique por dentro de todas nossas publicações. Aproveite também para conhecer nossos cursos e ampliar seus conhecimentos.

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