12 de outubro de 2021

Farmacologia do sistema nervoso autônomo 

Por freelaseoportal

A investigação do sistema nervoso autônomo tem desempenhado um papel central no desenvolvimento da farmacologia moderna e formou a base para o estabelecimento dos princípios farmacodinâmicos fundamentais que governam a ação dos fármacos. Por isso, neste artigo vamos tratar da farmacologia do sistema nervoso autônomo

Fármacos que agem no sistema nervoso autônomo e suas aplicações clínicas

Aginistas colinérgicos (parassimpatomiméticos)

Betanecol

O betanecol pode ser utilizado em casos de íleo paralítico após cirurgia e para tratamento de retenção urinária não obstrutiva.

Mecanismos de Ação

O betanecol estimula diretamente os receptores muscarínicos de acetilcolina. Ele apresenta atividade nicotínica negligenciável quando usado em doses terapêuticas e uma duração de atividade mais longa que a ACh, pois é mais resistente à hidrolise mediada por colinesterases.

Antagonistas Colinérgicos ( parassimpatolíticos) na Farmacologia

Atropina

A atropina pode ser usada como uma pré-medicação anestésica para reduzir a salivação e as secreções do trato respiratório. Ela pode também ser usada no tratamento de bradiarritmias. É utilizada como um antídoto para intoxicação por organofosforados e carbamatos, e para tratar superdosagem de agentes colinérgicos e intoxicação por cogumelos muscarínicos  (Amanita muscaria e outros cogumelos pertencentes aos gêneros Amanita, Omphaletus, Belotus e Clitocybe).

Mecanismos de Ação

A atropina é um antagonista competitivo nos receptores muscarínicos pós-ganglionares de acetilcolina.Doses baixas resultam em inibição da salivação, da secreção brônquicas e da sudorese. Doses moderados causam dilatação pupilar e taquicardia e inibem a acomodação pupilar. Doses altas diminuem a motilidade dos tratos gastrointestinal e urinário. Doses muito altas inibirão a secreção ácida gástrica.

Anticolinérgicos

Butilescopolamina (hioscina), propantelina, isopropamida. Os anticolinérgicos são usados principalmente por suas ações antiespasmódica e antissecretória para alguns tipos de diarreia. São usados no manejo da pancreatite, já que podem reduzir a secreção pancreática.

Mecanismo de ação

Os anticolinérgicos atuam como antagonista nos receptores muscarínicos periféricos e centrais (M1 e M2). Os antimuscarínicos derivados do amônio quartenário, como a butilescopolamina e a propantelina, não atravessam a barreira hematoencefálica, portanto têm ação predominantemente periférica, sendo os efeitos colaterais no SNC mínimos.

Relaxantes musculares não despolarizantes na farmacologia

Besilato de atracúrio (Tracrium R) brometo de pancurônio (Pavulon R). Brometo de vecurônio (norcuron R).

Os relaxantes musculares não despolarizantes são usados para aumentar o relaxamento muscular durante a cirurgia e para facilitar a ventilação mecânica. Eles não devem ser usados em animais conscientes.

Mecanismos de Ação

Os relaxantes musculares não despolarizantes ligam-se competitivamente a receptores colinérgicos nas junções neuromusculares, resultando em paralisia muscular. Como o antagonismo é competitivo, o bloqueio neuromuscular pode ser revertido usando-se inibidores da colinesterase, os quais atuam no aumento da concentração local de acetilcolina. O atracúrio apresenta um quarto a um terço da potência do pancurônio, o qual é relatado apresentar um terço da potência ou ser tão potente quanto o vecurônio.

Relaxantes Musculares Despolarizantes

Exemplos: Cloreto de succinilcolina (Scoline R)

A succinilcolina é usada primariamente para facilitar a intubação em gatos, nos quais ela apresenta rápido início e curta duração de ação.

Mecanismo de Ação

A succinilcolina é um relaxante muscular despolarizante de ação ultracurta o qual se liga a receptores colinérgicos das placas motoras para produzir despolarização. Como a despolarização é sustentada, a atividade elétrica da placa motora é perdida , levando à paralisia. Fasciculações musculares temporárias podem ser vistas precedendo o bloqueio muscular, as quais persistem enquanto quantidades suficientes do fármacos permanecerem na placa.

Inibidores de Colinesterase

Exemplos: Neostigmina, cloreto de edrofônio.

A neostigmina esta aprovada para o tratamento de miatenia grave e reversão dos efeitos dos relaxantes musculares não despolarizantes. O cloreto de edrofônio está aprovado para a reversão efeitos dos relaxantes musculares não despolarizantes e como uma medicação diagnóstica para o diagnóstico de miastenia grave.

Mecanismos de Ação

Os inibidores da colinesterase são antagonistas competitivas reversíveis da enzima colinesterase, a quale responsável pela quebra da acetilcolina nas sinapses colinérgicas e pelo término da neurotransmissão colinérgica.

Os inibidores da colinesterase, portanto, levam a concentrações aumentadas de acetilcolina e transmissão prolongada nas sinapses colinérgicas, uma ação que é principalmente empregada no tratamento das desordens da transmissão neuromuscular ( miastenia mais grave) e no antagonista do bloqueio neuromuscular não despolarizante.

Agonistas Adrenérgicos e a Farmacologia

Adrenalina

A adrenalina apresenta diversos usos.  A adrenalina  aplicada topicamente pode ser usada para controlar hemorragias de pele e membranas mucosas. Contudo, os efeitos da adrenalina injetada sobre o tônus vascular são complexos. Ela causa tanto a constrição (de vasos da pele) quanta dilatação (dos vasos da musculatura esquelética).Os vasos cerebrais que não possuem inervações simpática não são diretamente afetada pela adrenalina.

Mecanismos de Ação    

As ações vasoconstritoras da adrenalina são úteis em diversas situações além da homeostasia de emergência. Ela também auxilia no alívio das reações alérgicas agudas (choque anafiláticos). A adrenalina reduz a circulação sanguínea e, desta forma, alivia o edema da glote, o qual é geralmente a causa de morte em reações alérgicas a mordidas e picadas. Ela também relaxa a musculatura lisa, assim como reduz o fluxo sanguíneo e, portanto,  a congestão pulmonar.

Fenilpropanolamina

A fenilpropanolamina é um dos pulares do tratamento da incontinência urinária na cadela.

Mecanismos de Ação na Farmacologia

A estimulação da α-adrenoceptores da musculatura lisa do esfíncter da bexiga e da uretra pélvica resulta no aumento do tônus das células da musculatura lisa.

Dobutamina

A dobutamina é aparentemente um agonista de adrenoceptores β1 – seletivo que clinicamente é usado como um inotrópico positivo no tratamento de insuficiência cardíaca e como tratamento de emergência no choque cardiogênico, Ela também é usada no tratamento diagnóstico para a detecção prematura de disfunção miocárdica sistólica.

Mecanismo de Ação

Os efeitos aparentemente β1 – seletivos da dobutamina, mostrando principalmente ações inotrópicas positivas no coração, são baseados em ações parcialmente opostas dos constituintes da dobutamina racêmica de ocorrência natural A (+) dobutamina é um agonista de β-adrenoceptores não seletivos e também um potente antagonista em α1-adrenoceptores, enquanto(-) dobutamina mostra muito baixa potência nos β-adrenoceptores, mas apresenta fortes efeitos estimuantes α1.

Efedrina

A efedrina é um produto natural que tem sido usado na medicina tradicional chinesa há mais de 2.000 anos. Ela apresenta essencialmente as mesmas ações da adrenalina, mas com as seguintes diferenças: potência mais baixa, efeitos mais pronunciados no SNC. Em medicina veterinária, ela é usada para aumentar o tônus do esfíncter interno da bexiga em casos de incontinência urinária.

Mecanismo de Ação

Considera-se que o mecanismo de ação da efedrina é similar àquele das anfetaminas, ou seja, ela causa liberação de noradrenalina, desta forma estimulando os receptores catecolaminérgicos. A efedrina apresenta um efeito mais potente no SNC que a adrenalina.

Antagonistas adrenérgicos

Fenoxibenzamina/fentolamina

A fenoxibenzamina e a fentolamina são usadas em medicina humana e veterinária para o tratamento de feocromocitoma, um tumor da medula adrenal que resulta em um intenso aumento das concentrações das catecolaminas circulantes. A fenoxibenzamina também é usada para o relaxamento do esfíncter interno da bexiga em casos de dissinergia reflexa e para reduzir a pressão sanguínea em pacientes afetados pela paralisia do carrapato Ixodes bolocyclus.

Mecanismos de Ação

A fenoxibenzamina (um derivado da haloalquilamina) bloqueia não competitivamente α-adrenoceptores como um resultado da ligação estável aos receptores ou estruturas próximas. Ela não apresenta efeitos sobre os β-adrenoceptores.

A fentolamina é um bloqueador competitivo dos α-adrenoceptores na Farmacologia. Como resultado do bloqueio dos α-adrenoceptores, a fenoxibenzamina e a fentolamina podem causar hipotensão, particularmente se administradas rapidamente IV ou administradas em pacientes cujo sistema cardiovascular esteja sob tônus simpático pronunciado, por exemplo, durante a hipovolemia.

Ambos os fármacos bloqueiam α2-adrenoceptores, o que pode resultar em aumento da disponibilidade das catecolaminas, levando a estimulação de β1-adrenoceptores e, portanto, efeitos simpatominéticos paraxais sobre o coração.

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