Hiperplasia Folicular Linfoide: O que é?

Faringite refere-se à inflamação dos tecidos da faringe, acompanhada de uma infecção do trato respiratório superior. È uma resposta, principalmente, à moléstia respiratória bacteriana e viral, e em menor intensidade, causas locais (físicas, químicas ou alérgicas). São conhecidas formas aguda e crônica da faringite. A inflamação crônica da faringe, também denominada hiperplasia folicular linfoide, hiperplasia linfoide faríngea e foliculite faríngea, é uma condição observada frequentemente e equinos de corrida jovens de 2 a 3 anos de idade.

ETIOLOGIA

Embora as causas físicas e químicas da faringite possam ser identificadas com certeza, o papel e especificidade dos patógenos microbianos como agente causais permanecem controverso. No cavalo, Streptococcus spp., picornavírus ( Rhinovirus 1 e 2 ) herpesvírus ( EHV-1 e EHV-2), mixovírus (influenza A/equi 1, A/equi 2) e paramixovírus ( parainfluenza 3) foram incriminados com causa específicas de faringite. A causa de faringite crônica (hiperplasia folicular linfoide) não é conhecida, mas provavelmente seja multifatorial. Experimentalmente, foram isolados Streptococcus zooepidemicus, Bordetella bronchiseptica, Moraxella e HVE (1 e 2), mas o papel destes agente na hiperplasia folicular linfoide ainda é desconhecido.

EPIDEMIOLOGIA


Não há dados epidemiológicos específicos para a faringite. Quando a faringite ocorre como sequela da infecção do trato respiratório, a demografia populacional deve ser similar a conhecida para a moléstia respiratória específica. Parece haver uma relação inversa entre a idade do equino e a prevalência de hiperplasia folicular linfoide. Aproximadamente 60 a 90% dos animais de 2 anos de idade apresentam grau II ou mais. Entre 35 e 65% dos animais de 3 a 4 anos de idade e 10 a 20% dos animais de 5 anos de idade apresentavam hiperplasia folicular linfoide grau II ou maior. Com o avançar da idade, os folículos linfoides regridem e tendem a desaparecer.

Esquema de graduação para Hiperplasia Folicular Linfoide

Grau I: pequena quantidade de folículos brancos inativos disseminados pela parede faríngea dorsal. Os folículos são pequenos e inativos, um achado normal em equinos de todas as idades.

Grau II: Muitos pequenos folículos brancos e inativos pelas paredes dorsal e lateral de faringe até a altura da bolsa gutural. Numerosos folículos que são maiores, róseos e edematosos estão intercalados por toda parte.

Grau III: Muitos folículos grandes róseos e alguns folículos brancos enrugados distribuem-se por todas as paredes dorsal e lateral da faringe, em alguns casos estendendo-se pela superfície dorsal do palato mole e nos divertículos faríngeos.

Grau IV: Folículos róseos e edematosos mais numerosos aglomerados, cobrindo toda a faringe, a superfície dorsal do palato mole e a epiglote e o revestimento das bolsas guturais. Os acúmulos grandes apresentam-se como pólipos.

SINTOMATOLOGIA CLÍNICA

No caso de faringite aguda, os sintomas estão associados a dor na faringe (disfagia), corrimento nasal (seroso, seromucoso, mucopurulento, purulento, contaminado por alimento), linfadenopatia regional (nodos submandibulares, retrofaríngeos), ptialismo, ruídos respiratórios (frequentemente inspiratórios), inflamação da faringe, e tosse. Quando a faringite decorre de traumatismo local da faringe, ou de corpos estranhos encarcerados, pode também ser percebido odor associado ao hálito, ou ao corrimento nasal. Os sintomas da faringite crônica são similares. Pode haver evidencia endoscópica de hiperplasia mais marcante dos folículos linfonodulares no âmbito da mucosa da faringe. Massas isoladas ou múltiplas podem estar no interior da membrana mucosa, ou dela podem fazer protrusão. Alguns eqüinos podem apresentar corrimento nasal e discreta linfadenopatia submandibular. Pode-se induzir tosse com a manipulação da laringe. A não ser em casos graves, não esta associada a mau desempenho ou alterações na gasometria sanguínea arterial.

PATOLOGIA CLÍNICA

Alterações no hemograma e no perfil bioquímico vão resultar em leucometria absolutas e diferenciais, hiperfibrinogenemia e anemia (devido as moléstias respiratórias), ou vão resultar em neutrofilia e hiperfibrinogenemia (formação de abscessos), ou ainda em desidratação e jejum associado à disfagia.
Alterações no hemograma e no perfil bioquímico vão resultar em leucometria absolutas e diferenciais, hiperfibrinogenemia e anemia (devido as moléstias respiratórias), ou vão resultar em neutrofilia e hiperfibrinogenemia (formação de abscessos), ou ainda em desidratação e jejum associado à disfagia.

FISIOPATOLOGIA

A faringite aguda acorre como sequela da inflamação do tecido linfoide regional. No cavalo as tonsilas da faringe consistem de folículos linfoides discretos difusamente distribuídos nas paredes dorsal e laterais da faringe. Em resposta à disseminação local ou linfógenas da infecção, o tecido tonsilar se torna inflamado, e as criptas tonsilares se enchem de epitélio descamativo, leucócitos e bactérias. Este quadro é observado como hiperemia e edema das tonsilas faríngeas, com manchas difusas de cor branca ou amarela nos linfonodos. O aspecto edematoso está associado à hiperplasia dos linfonodos e ao sequestro de líquido inflamatório perinodular. Se esta evidente uma intensa destruição das células linfóides ou invasão dos nódulos ou do tecido de sustentação, o resultado é a necrose focal ou difusa. Com a resolução do processo, há a atrofia de alguns folículos, e o aumento da fibrose. Também ocorre a atrofia folicular, com o envelhecimento do individuo.

DIAGNÓSTICO

Endoscopicamente, observam-se folículos hiperêmicos e edematosos elevados distribuídos por todas as paredes nasofaríngeas. Alguns folículos podem ter uma borda ulcerada; outros podem apresentar-se espessados e fibróticos. Ao exame histopatológico, há proliferação linfocitária e necrose, cujo grau não é facilmente distinto daqueles observados ao endoscópio. A biópsia e a avaliação citológica são recomendáveis para o descarte da possibilidade de neoplasia, e em particular do carcinoma epidermóide, linfoma e linfossarcoma. As possibilidades de diagnóstico definitivo são: renite e laringite. Se o sintoma predominante é disfagia, outros descartes diagnósticos são: corpos estranhos linguais, fraturas de aparelho hioide ou mandíbula, e no cavalo, afecções das bolsas guturais. Se a intolerância ao exercício é a queixa primária do cavalo, a faringite deverá ser apenas considerada após terem sido eliminadas todas as outras causas possíveis de desempenho prejudicado.

DIAGNÓSTICO DEFINITIVO

O diagnóstico definitivo requer a observação da faringe e, mais importante, a exclusão de outras condições que possam apresentar sintomas similares. A radiografia da faringe pode fornecer informações sobre a anatomia do órgão, presença de corpos estranhos radiodensos, massas de tecido mole, fraturas e distúrbios da bolsa gutural. A ultra-sonografia da região faríngea e do tórax pode auxiliar na definição da extensão da moléstia pulmonar concomitante. A cultura microbiana das secreções da faringe poderá ser considerada, mas a interpretação dos resultados é difícil, pois a faringe normalmente apresenta microflora residente que exibe considerável variação, e muitos dos microorganismos isolados são capazes de promover infecção oportunista. Em cavalos com hiperplasia folicular linfóide dos graus III e IV a quantidade de bactérias recuperadas por grama de secreção da faringe foi 100 vezes superior comparado com os cavalos normais. A biópsia e o exame citológico estão indicados nos casos refratários, e quando massas anormais estão presentes, para que seja descartada a possibilidade de neoplasia.

TRATAMENTO

A abordagem ao tratamento é em grande parte sintomática, e direcionada para medidas paliativas das dores da faringe, e para a manutenção da respiração desobstruída. Quando a faringite esta causando inapetência ou disfagia, deverá ser administrado medicamentos anti-inflamatórios não esteroides. A desidratação deve ser corrigida pela administração de liquido parenteral. Se o animal estiver em estado inapetente por diversos dias haverá a necessidade de apoio nutricional. Infecções secundárias a lesões por corpo estranho devem ser tratadas com antibióticos de amplo espectro. Na ausência de conhecimento nítido da patogenia deste distúrbio, o animal deverá ficar em repouso (suspensão dos treinamentos) durante 8 a 12 semanas, sendo benéfico como período de convalescença para qualquer moléstia respiratória subclínica concomitante. Preparações tópica de soluções antimicrobianas e anti-inflamatórias (nitrofurazona, solução de dimetilsulfóxido – DMSO- e acetato de predinizolona) também pode ser usada. Aplicação tópica de agentes cáusticos para cauterizar os folículos (ácido tricloroacético a 50%), elétrocautério, ou congelamento com nitrogênio liquido. O tratamento somente é indicado somente nos casos mais severos. Alguns tratamentos requerem 4 a 6 semanas, algumas vezes em conjunto com anti-inflamatório e antibiótico terapia, para os animais poderem voltar aos treinamentos. A imunização de rotina a intervalos frequentes para patógenos respiratórios virais conhecidos deve ser usada tanto para o tratamento quando para a prevenção da hiperplasia folicular linfoide.

CONTROLE E PREVENÇÃO

Controle e prevenção das moléstias respiratórias virais e bacterianas devem limitar os problemas em termos de faringe aguda. Causas que não estão relacionadas à problemas respiratórias, como traumatismo causado por dispositivos de implantação de sondas, tubos nasogástricos, e seringas dosadoras, objetos externos e queimaduras químicas podem ser minimizadas pelo incremento das práticas de manejo. Frequente imunização (a intervalos de 60 dias) contra influenza e rinopneumonite reduz significativamente a gravidade da hiperplasia linfoide da faringe e melhora a tolerância ao exercício.
A hiperplasia folicular linfoide dos equinos frequentemente decorre de alguma enfermidade primária, como no garrotilho e nas afecções das vias respiratórias superiores, no caso da influenza equina. Os sinais mais evidentes das faringites (aguda e crônica) são as dificuldades na apreensão e mastigação dos alimentos, dificuldade de deglutição, devido à dor e à febre, quando o processo é consequente a uma infecção primária infecciosa. Nestas condições, poderá ser encontrado infartamento dos linfonodos retro-faríngeos, e parotídeos. Se a inflamação local for grave e extensa, pode haver dificuldade respiratória e um visível aumento de volume na região retro-faringeana. Ocasionalmente poderá acontecer infecção secundária nas bolsas guturais decorrentes da continuidade do processo e da presença de germes na parede faríngea. A observação da faringe através do endoscópio pode revelar a gravidade e extensão do processo. O tratamento se restringe, nos casos secundários, ao tratamento da afecção principal. O repouso do animal é muito importante, além do uso de soluções tópicas com antibióticos e anti-inflamatórios.

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