Influências da hereditariedade e o ambiente para o indivíduo

Os geneticistas do comportamento demonstram que a hereditariedade específica afeta uma gama notavelmente ampla de comportamentos. Segundo eles, além das características físicas, como cor de olhos, tipo sanguíneo, altura, magreza, obesidade, são claramente herdadas.

E os fenótipos para traços mais complexos relacionados com a saúde, a inteligência e a personalidade estão sujeitos tanto a forças hereditárias quanto ambientais (PAPALIA & OLDS, 2006).


Mesmo que um traço seja fortemente influenciado pela hereditariedade, o ambiente pode muitas vezes ter um impacto substancial, uma vez que as influências genéticas raramente são imutáveis.


Estudos mais recentes referem-se à influência da genética ao comportamento patológico, como o alcoolismo, a esquizofrenia, a agressividade excessiva, a anorexia entre outros.


Os geneticistas do comportamento descobriram uma significativa influência genética sobre o temperamento da criança, incluindo dimensões de emocionalidade (a criança que é calma, as que são nervosas), a atividade e ao grau de sociabilidade.

Em relação ao estudo da adoção, observamos as semelhanças entre crianças adotadas e suas famílias adotivas e entre crianças adotadas e suas famílias biológicas.

Quando as crianças adotadas são mais semelhantes aos seus pais e irmãos biológicos quanto a um traço particular (como a obesidade), vemos a influência da hereditariedade.

Quando se parecem mais com suas famílias adotivas, vemos a influência do ambiente. Alguns estudos, como o Projeto de Adoção Colorado (DeFries, Plomin & Fulker, 1994), comparam a semelhança entre irmãos adotivos com a semelhança entre irmãos geneticamente relacionados (BEE, 1997).


É importante observarmos, que a genética ou a hereditariedade tem uma forte contribuição e influência para o desenvolvimento humano, porém não é determinante para caracterizar o comportamento do indivíduo. Não podemos ignorar o fator ambiente, que muitas vezes acaba sendo mais intenso na influência psicológica do indivíduo do que propriamente a hereditariedade.

Tomemos o seguinte exemplo: Uma criança que cresce em um ambiente hostil tem a tendência de no futuro desenvolver esse tipo de comportamento ou também existe o inverso, por perceber tanta hostilidade, acaba se comportando da forma inversa, por não se identificar com aquele tipo de ação.

Outro exemplo: Uma criança que desde pequena vivencia o pai bebendo e causando transtornos para a família, quando se torna adulta, pode ser que ela tenha aversão a bebida ou que se torne alcoólatra que nem o pai. Nesse caso, a hereditariedade pode ou não se desenvolver, pois existe a questão do livre-arbítrio (Cada ser humano tem uma possibilidade de escolha, de agir ou não agir de tal forma, ou procurar a ajuda necessária para não desenvolver um tipo de ação que não seja funcional para sua vida) (BEE, 1997).


Mesmo dentro desta lógica, ainda se discute muito sobre os efeitos da hereditariedade e do ambiente. O mais importante é refletirmos que os seres humanos continuam a se desenvolver por toda a vida e o desenvolvimento geralmente reflete uma combinação das duas forças. Além disso, os mecanismos pelos quais o ambiente atua não podem ser descritos com a mesma precisão com que se podem descrever os mecanismos da hereditariedade. Tampouco se podem fazer comparações controladas, uma vez que duas crianças nunca, nem mesmo gêmeas criadas na mesma casa, têm exatamente o mesmo ambiente (BEE, 1997).


Atualmente, a maioria dos psicólogos do desenvolvimento vê o relacionamento entre os fatores ambientais e genéticos como interligados.

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