Lugares de Memória

Entende-se por ‘lugares de memória’: museus, arquivos, cemitérios e coleções, festas, aniversários, tratados, processos verbais, monumentos, santuários, associações, os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notoriar atas, porque essas operações não são naturais.

Dessa forma Pierre Nora caracteriza dois tipos de memória, uma memória tradicional (imediata) e uma memória transformada por sua passagem em história. “À medida que desaparece a memória tradicional, nós nos sentimos obrigados a acumular religiosamente vestígios, testemunhos”.

É através desta memória transformada em história, desta memória oficial, que se estabelecem os ‘lugares de memória’. Levando-se em conta o valor que é atribuído a certos objetos enquanto manifestações culturais e enquanto símbolos de uma nação, as políticas de preservação do patrimônio terminam por criar, deliberadamente, ‘lugares de memória’ a fim de reforçar, ou mesmo inventar, uma identidade coletiva e preservar sua memória.

Para Mary Del Priori, a representação que um povo faz de si mesmo pode ser reconstruída por suas memórias: uma bandeira, uma igreja, um sabor são dispositivos memorialísticos a partir dos quais o povo se reconhece. Contudo, não basta apenas constatar quais são os lugares da memória, mas conhecer e problematizar como tais lugares vão sendo (e são) definidos nos diferentes contextos sociais. A definição e conservação dos lugares da memória são sempre permeadas por relações de poder, envolvendo tensões e conflitos. De um modo geral, valorizam-se as obras e as práticas culturais materiais e imateriais das classes ou ideologias dominantes, obscurecendo-se o valor das obras das classes subalternizadas e suas práticas culturais materiais e imateriais. Nesse sentido, não podemos desprezar o aspecto ideológico que envolve a definição, a proteção e a conservação dos lugares da memória.

O interesse pela identidade, e consequentemente pelo passado, se reflete na criação de lugares de memória, locais de rememoração, como monumentos, museus, arquivos, que buscam evitar o esquecimento e impor a noção de um tempo estável ao mundo atual. Esses lugares de memória, enquanto representações de um passado procuram enfatizar uma noção de continuidade e pertença.-
Sendo assim, o museu não pode ser visto como uma instituição estável, seu espaço se ampliou e se diversificou, o público se modificou tanto nos aspectos sociais como nos culturais. “O museu deixa de ser uma instituição, um local onde estão preservadas algumas coleções, para tornar-se uma atitude, a representação de um comportamento em meio à fragmentação do mundo contemporâneo”.

Assim, entendendo melhor o que são lugares de memória, podemos trazer para nossa realidade e identificar esses “locais” na cidade onde vivemos e conseguir compreender melhor a história e identidade cultural que nos cerca, bem como, fazer uma reflexa a respeito de porque foram instituídos esses locais, qual sua ligação com os ideais e forma de poder vigente no período de sua criação, e finalmente poder pensar em quais seriam os lugares de memória das obras e práticas culturais das classes subalternizadas.

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