Meio de cultura da Microbiologia clínica

O meio de cultura é um modo empregado em laboratório a fim de cultivar os micro-organismos, sendo constituído de substâncias para o seu crescimento e multiplicação, podendo ser definido como um cultivo artificial, uma preparação química que apresenta os nutrientes necessários para a multiplicação de micro-organismos, possibilitando a sua identificação, o seu estudo e análise. De acordo com Brasil (2013, p. 70), “é importante conhecer o potencial de crescimento de cada meio de cultura e adequar ao perfil bacteriano esperado para cada material”.

Para o preparo do meio de cultura, devem ser observados o pH, a pressão osmótica, o grau de umidade, temperatura, como também as exigências nutritivas. Estas incluem fonte de carbono, de sais minerais, de energia, de nitrogênio, de fósforo e, em alguns casos, substâncias que os micro-organismos não podem sintetizar, como vitaminas e aminoácidos.

PREPARO DO MEIO DE CULTURA

– MATERIAIS

– Água destilada;

– Balança;

– Diferentes meios de cultura;

– Vidraria (placas de Petri, tubos, frascos de vidro – ex.: béquer, erlenmeyer);
– Palito de picolé;

– Papel alumínio ou papel manteiga;

– Copo descartável.

– PROCEDIMENTOS

– Pesar conforme recomendações do fabricante (coletar o meio com o palito de picolé e dispor no papel para pesar na balança);

– Usar vidraria seca e limpa;

– Adicionar os meios em um frasco;

– Acrescentar água para umedecer todo o meio e depois acrescentar o restante da água;

– Após a filtração, antes de acrescentar o Ágar, ajustar o pH do meio;

– Os meios destinados aos tubos devem ser distribuídos;

– Para o meio a ser distribuído em placa, autoclavar em frascos de vidro (esterilização por 15 minutos – temperatura: 121°C);

– Após autoclavar, distribuir nas placas de Petri, inclinando o tubo contendo o meio.

– OBSERVAÇÕES

– Ao preparar um meio de cultura, uma solução não estéril não pode ser mantida a temperatura ambienta por mais de uma hora, devido à possibilidade de evaporação da água como também de crescimento bacteriano, que pode contaminar o meio, alterando a sua composição inicial;
– Para autoclavar, é importante cobrir as tampas dos frascos usando papel alumínio ou papel Kraft e prender para proteger contra recontaminação e evaporação da estocagem posterior. Afrouxar as tampas dos frascos (e dos tubos) com tampas de rosca, permitindo a entrada do vapor (tampas semiabertas);
– Não encha demasiadamente a autoclave, para que não venha a interferir na exaustão de ar e na entrada de vapor;

– Os tubos não precisam estar esterilizados caso o meio seja distribuído antes de autoclavar. Após a autoclavação, as vidrarias e os outros materiais devem ser estéreis para a distribuição do meio;

– Os meios de placa devem ser embalados em filme de plástico PVC a fim de evitar o ressecamento.

CLASSIFICANDO OS MEIOS DE CULTURA

– QUANTO À CONSISTÊNCIA

– Líquido: utilizado para crescimento em massa. Promove crescimento por dispersão e não a formação de colônias. Os nutrientes são dissolvidos em solução aquosa. Exemplos: Tioglicolato (THIO), Brain Heart Infusion (BHI).

– Semissólido: formado pelos nutrientes mais uma pequena porcentagem (0,5%) de Ágar (polissacarídeo proveniente de algas marinhas), para verificar a motilidade.

– Sólido: para isolamento, permite a formação de colônias (1,5% a 2% de Ágar-ágar), formado por nutrientes mais Ágar (15g de Ágar / 1000mL de água destilada).

– QUANTO À FUNÇÃO

– Enriquecedor: permite o crescimento de micro-organismos que necessitam de fatores de crescimento, mas não provoca a inibição do crescimento de outros. Além das fontes nutritivas usuais, pode conter sangue, soro, extratos teciduais. Ex.: Caldo Tetrationato, Ágar Sangue (AS), Ágar Chocolate (AC), Meio Lowenstein Jensen (LJ).

– Seletivo: possui substâncias que inibem o crescimento de certos micro-organismos, porém permite o crescimento de outros. Ex.: Ágar MacConkey (MC) – seletivo para Gram negativo, Ágar Salmonela-Shigella (SS) – meio seletivo para Salmonela e Shigella.

– Diferenciador: com substância que separa um grupo do outro, como carboidrato. Ex.: Ágar Sangue (AS) – diferencial para hemólise, Ágar MacConkey (MC) – diferencial para uso de lactose.

– Transporte e Conservação: mantém as propriedades do meio e impede a contaminação. Ex.: Meio Stuart.

– Manutenção: dá viabilidade, mantendo as características (conservando) os micro-organismos no laboratório. Ex.: Ágar Sabouraud (SAB).

– QUANTO À FORMA DE PREPARAÇÃO

– Meio pronto para uso: disponível comercialmente já preparado, estéril e também distribuído em placas, tubos ou frascos. Ex.: Sabouraud.

– Meio desidratado: formulação completa ou semi-completa (bases), disponível comercialmente na forma desidratada. Ex.: AS.

– Meio formulado: preparado no laboratório.

– QUANTO À NATUREZA

– Animado: possui células vivas (animais de laboratório, tecidos vivos, ovo embrionário).

– Inanimado: não possui células vivas. Natural (substância da natureza. Ex.: leite), sintético (laboratório. Ex.: Ágar Sal Manitol – MSA) ou semissintético (AS).

UTILIDADES E INTERPRETAÇÃO DE ALGUNS MEIOS DE CULTURA

– Ágar Nutriente (NA)

Utilidades: análise de água, alimentos como meio de cultivo preliminar das amostras submetidas a exames bacteriológicos, isolamento para culturas puras, conservação e manutenção de culturas em temperatura ambiente, etc.
Interpretação: Cor original: branco opalescente. Positivo: Crescimento na superfície; Negativo: Ausência de crescimento.

– Ágar Sangue (AS)

Utilidades: isolamento de micro-organismos não fastidiosos, verificar hemólise dos Streptococcus spp. e Staphylococcus spp., etc.

Interpretação: Cor original: vermelho. Alfa hemólise: halo esverdeado ao redor das colônias semeadas (lise parcial dos eritrócitos). Beta hemólise: halo transparente (lise total). Gama hemólise (sem hemólise): ausência de halo (eritrócitos íntegros).

– Ágar Chocolate (CHOC)

Utilidades: para o crescimento de micro-organismos exigentes. Exemplos: Haemophilus spp., Neisseria spp.

Interpretação: Cor original: castanho escuro (chocolate). Colônias de pequeno a médio, com pigmento amarelo: sugestivo de Neisseria spp, Branhamella catarrhalis ou Moraxella spp. Colônias pequenas e delicadas, pigmento creme claro: sugestivo de Haemophilus spp.

– Ágar MacConkey (MC)

Utilidades: isolamento de bacilos Gram negativos (enterobactérias e não fermentadores), verificação da fermentação ou não da lactose.

Interpretação: Cor original: rosa avermelhado. Crescimento de bacilos Gram negativos. Colônias cor de rosa: fermentadoras de lactose. Incolores: não fermentadoras de lactose. Não crescem cocos Gram positivos.

– Ágar Salmonella-Shigella (SS)

Utilidades: selecionar e isolar espécies de Salmonella e Shigella (em amostras de fezes, alimentos e água).

Interpretação: Cor original: vermelho alaranjado. Colônias com centro negro ou incolores: suspeita de Salmonella. Incolores: suspeita de Shigella spp. Cor de rosa ou vermelho: suspeita de Escherichia coli ou Klebsiella spp.

– Ágar Saboraud (AS)

Utilidades: cultivo e crescimento de espécies de Candidas, fungos filamentosos, em particular com associação a infecções superficiais e caracterização macroscópica do fungo filamentoso (colônia gigante).
Interpretação: Cor original: amarelo claro opalescente. Após crescimento, identificar o micro-organismo que cresceu.

– Ágar Mueller-Hinton (MH)

Utilidades: teste de avaliação da resistência aos antimicrobianos – métodos de difusão em disco e E-test para enterobactérias, não fermentadores, Staphylococcus, Enterococcus sp.

Interpretação: Cor original: amarelo palha. A zona do diâmetro é particular por antibiótico e organismo, comparado com diâmetros padronizados pelo CLSI, que determina se o micro-organismo é sensível, intermediário ou resistente.

Os meios de cultura permitem o crescimento de micro-organismos, possibilitando a sua identificação e análise. Foi possível observar que existem meios para finalidades no Laboratório de Microbiologia Clínica, como os apresentados nesta produção.

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