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Necrose e Apoptose: entenda a diferença entre eles

Sempre que há lesão na célula, o organismo tenta repará-la. Caso não consiga, a célula morre. Podendo morrer de duas maneiras: necrose, associada sempre a uma causa patológica e apoptose, podendo ser de causa patológica ou fisiológica. Vejamos a diferença entre esses dois tipos de morte.

Necrose:

Essa forma de morte celular, ocorre apenas quando há a digestão da célula por enzimas lisossomais. Dentro da célula, existem cisternas (lisossomos) cheias de substâncias (enzimas), que são responsáveis pela digestão da célula (autólise), assim como o estômago é responsável pela nossa digestão. Na necrose observa-se inflamação, já que os restos de membranas celulares são reconhecidos pelas células de defesa como antígenos (invasores). Tecnicamente, a necrose é subdividida em sete tipos:

Necrose coagulativa

Ocorre a coagulação de proteínas no citoplasma e as células ficam todas borradas e sem nitidez quando observadas ao microscópio as células morrem, mas sua estrutura básica permanece intacta. Geralmente não ocorre o rompimento da membrana celular e o núcleo some (cariólise).

Nem sempre é um processo rápido e está associada a falta de oxigênio no tecido (isquemia), só não ocorre em isquemia cerebral, porque os neurônios não possuem proteínas intracelulares suficientes para manter a estrutura da célula. O tecido fica parecendo carne ferventada, meio esbranquiçado (também chamado de tecido fantasma).

Necrose Liquefativa

Geralmente associada a infecção por micróbios que acabam atraindo células de defesa para o local da lesão. No meio da batalha (inflamação), muitas células são destruídas, comidas (fagocitadas) e digeridas, dando ao tecido necrótico, uma consistência mole e sem forma, geralmente composta por pus. Pode ocorrer também na isquemia cerebral, mas ainda não sabemos bem como acontece.

Necrose Gordurosa

Ocorre no tecido adiposo, que guarda a gordura do corpo. Lipases (enzimas que quebram a gordura) são liberadas formando áreas esbranquiçadas. Mais comum em casos de pancreatite. Também chamada de necrose enzimática.

Necrose Gangrenosa 

É justamente o tipo onde ocorre a gangrena. Na realidade é um tipo de necrose por coagulação (isquêmica) evoluída. Onde a presença de bactérias é grande e além da autólise, ocorre putrefação (apodrecimento), ocasionando a liquefação da necrose por coagulação.

Necrose Caseosa

Geralmente associada a infecção por algumas bactérias e fungos, muito observada na tuberculose. Tem esse nome pela predominância de uma certa proteína no processo (caseína). A característica mais marcante, é a formação de uma massa branca, molenga, granulada, parecendo coalhada. É chamada de necrose gomosa na sífilis, por parecer com borracha.

Necrose Fibrinoide

Geralmente ocorre em alguns vasos sanguíneos (artérias), ocasionada pela arteriosclerose ou doenças autoimunes. O nome é porque o tecido fica semelhante a fibrina, hialino, meio rosado, vítreo.

Necrose Hemorrágica

Ocorre em alguns órgãos internos, quando há obstrução do fluxo sanguíneo acumulando sangue no tecido (hemorragia), esse acúmulo de sangue diminui o nível de oxigênio necrosando o tecido.

Apoptose

Essa modalidade e dita como a morte celular programada ou morte celular não seguida de autólise. Muitas vezes, por dezenas de razões, as células de nosso corpo precisam morrer, para que não haja complicações mais graves, como no caso de uma invasão da célula por um parasita ou em uma mutação genética, que nesse caso acabaria levando ao câncer. Em situações onde se faz necessário a morte celular, o organismo, lança mão de um método muito eficiente para isso, a Apoptose.

Diferente da necrose, a apoptose é um processo ordenado, onde as maiores causas da são: Renovação: Quando o tecido precisa ser reposto ou renovado. Ocorre apoptose em demasia durante o estágio embrionário (Mórula, Blástula e Gástrula) onde muitas estruturas do embrião precisam involuir para continuar o processo de formação.

Infecção

Quando um micróbio (principalmente virus) invade uma de nossas células (intracelular), as vezes o corpo não consegue eliminá-lo, ativando o mecanismo de auto-destruição e matando o hospedeiro junto com o parasita.

Resposta Imunológica

Quando ocorre uma infecção, o organismo produz diversos soldados (leucócitos) pra defendê-lo, depois que ganham a batalha, esses soldados são simplesmente sacrificados por apoptose.

Lesão no DNA

Seja pelo sol, outra radiação, substâncias químicas ou vírus, algumas vezes uma informação no DNA é mudada, nesse caso, é melhor prevenir destruindo a célula inteira do que esperar ela se multiplicar espalhando o erro e gerando doenças graves.

Antes de “apoptar” a célula, o organismo ainda tenta consertar o erro no DNA, existe uma proteína que só faz isso (p53) ela patrulha o DNA de um lado ao outro procurando erros e tenta consertá-lo, se não consegue ativa outras proteínas (Bad, Bax , Caspases, etc) que funcionam como tesouras, cortando todo o DNA em diversas partes,(a cada 200 pares de bases), após isso, cada pedaço desse de DNA é jogado fora da célula, dentro de vesículas (corpos apoptóticos) contendo também organelas, desfragmentando a célula, para garantir que ela não se reconstitua.

Como a célula que vai ser morta precisa destruir seu próprio DNA, parece que o organismo não confia muito neste suicídio, por isso o controle da apoptose é feito pela mitocôndria, que tem DNA próprio. O câncer é tão perigoso, porque os tumores tem a capacidade de inibir os mecanismos moleculares que levam a apoptose, desta maneira, a célula simplesmente fica impedida de se suicidar espalhando o tumor.

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