O Fator RH

Levin e Stone (1939) relataram o caso de um feto natimorto gerado por uma mulher que posteriormente manifestou reação hemolítica transfusional ao receber sangue de seu marido (compatível quanto ao sistema ABO, o único então conhecido).

Landsteiner e Wiener (1940) descreveram um anticorpo produzido no soro de coelhos e cobaias, pela imunização com hemácias de Macacus rhesus, que era capaz de aglutinar as hemácias de 85% das amostras obtidas de um grupo de caucasoides americanos. Wiener e Peters (1940) aproximaram as duas observações, determinando tratar-se do mesmo antígeno. O anticorpo produzido no sangue da cobaia foi denominado de anti-Rh.

Os indivíduos que apresentavam o fator Rh passaram a ser designados Rh+, o que geneticamente acreditava-se corresponder aos genótipos RR ou Rr. Os indivíduos que não apresentam o fator Rh foram designados Rh- e apresentavam o genótipo rr, sendo considerados geneticamente recessivos.
Os antígenos do sistema Rh são de natureza glicoproteica, de grande variabilidade. A tipificação dos fatores Rh, com o avançar das pesquisas, o sistema se revelou na prática bem mais complexo do que simplesmente em Rh Positivo e Rh negativo. Hoje, é conhecido mais de 40 antígenos diferentes pertencentes a este sistema.

Determinação laboratorial dos antígenos do sistema Rh

Não existem anticorpos naturais no sistema Rh, sendo os anticorpos presentes apenas nos indivíduos sensibilizados por inoculação prévia. A inoculação pode ocorrer por episódios de transfusão incompatível ou, na mulher, devido à introdução, no sangue materno da mãe Rh negativo, de hemácias provenientes de uma gravidez ou aborto de filho Rh Positivo.

Este fato tem duas implicações importantes:
– Toda mulher grávida que tem como o Rh o fator negativo, de um pai Rh Positivo deve tomar medidas especiais para evitar ser sensibilizada;
– Inexiste, na determinação laboratorial dos antígenos do sistema Rh, prova reversa análoga à praticada no caso do sistema ABO.
A presença de antígenos fracos torna desaconselhável a determinação dos antígenos do sistema Rh em lâmina, pois nesta metodologia alguns dos antígenos mais fracos (que deveriam ser classificados como Rh positivos) podem ser incorretamente classificados como Rh negativos.

No Brasil, a legislação estabelece como necessária a determinação do fator Rh em microplacas escavadas e/ou através da centrifugação em tubos de ensaio. Nessas metodologias, é obrigatória a investigação dos antígenos Rh fracos (antigamente designados como Du) por meio de incubação a 37°C e com acréscimo de Albumina bovina a 22%, e pela prova de Coombs.

É também possível a determinação direta do D fraco pelo método de gel-centrifugação — também admitido na legislação brasileira. Neste método, o Rh fraco é determinado diretamente através da intensidade de aglutinação, classificada em ausente ou — se positiva — em intensidades de (+) até (++++).

Em todos os métodos, é recomendada para os pacientes Rh negativos a determinação dos antígenos C,c e E,e, a qual pode ser executada através do uso de soro poliespecífico “CDE”. Isto classifica estes pacientes em Rh Negativo e Rh negativo, CDE Positivo.

Situações que descrevem os fenômenos encontrados na quase totalidade das situações clínica:


• Os pacientes Rh negativo representam em torno de 15% dos receptores; estes pacientes devem receber sangue Rh negativo, e podem doar para qualquer tipo. Em circunstâncias especiais, é considerada aceitável a transfusão de sangue Rh negativo, CDE positivo a estes pacientes. Esta, contudo, deve ser evitada.
• Pacientes Rh negativo, CDE positivo perfazem menos de 1% dos indivíduos. Devem receber sangue Rh negativo, mas seu sangue ordinariamente é doado a receptores Rh positivo.
• Os pacientes Rh fraco (antigamente designados como Rh negativo, Du positivo) são equiparados aos pacientes Rh Positivo, considerando-se haver uma diferença apenas quantitativa (e não qualitativa) na expressão de seu antígeno. Juntos, perfazem o total de aproximadamente 85% dos indivíduos. Podem receber sangue de qualquer tipo, mas doam apenas aos pacientes Rh positivo ou fraco.

  • Rh – : não tem nas paredes da hemácia o fator Rh ;
  • Se um Rh – doar sangue para um Rh+, ele estará entregando hemácias lisas e nada acontece;
  • Se um Rh + doar sangue para um Rh -, ele estará entregando uma proteína estranha (fator Rh), no soro do receptor pode haver anticorpos, assim pode ocorrer a aglutinação do sangue.

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