O Problema da Democracia na Política de Platão

Este presente artigo é sobre o problema da democracia na política de Platão. O objetivo deste artigo é estudar e analisar plenamente o pensamento deste importante filósofo grego tomando “A Republica” como a obra referencial que nos expõe alguns de seus princípios e conceitos mais importantes, como o de justiça, o de Estado, as formas de governo, modelos da educação e como deve ser a formação dos governantes, etc.

Verificaremos também com atenção as obras platônicas: As Leis e O Político nos quais o pensamento de Platão sobre os temas da política aparecem de forma explicitada. Através de uma apresentação sistemática dos principais pontos, procuramos ressaltar os aspectos mais importantes do ponto de vista da filosofia política de Platão.

O texto total do artigo está dividido em sete partes, no qual partimos de um contexto histórico, passamos pelo pensamento filosófico de Platão sobre a democracia, as melhores formas de governo, a constituição de um estado ideal.

O nascimento do regime democrático

A história da Grécia dos séculos IV e V a.C é de extraordinário vigor e de importância tal que o seu referencial chega até nossos dias. Neste tempo nasce a ciência, a política, filosofia, literatura e da dramaturgia, um tempo que viu também a criação da arte e arquitetura. Os gregos para alcançarem suas glórias viviam em um cenário de guerras, com a sua força e sabedoria conquistaram exércitos, formaram impérios maiores que eles, construíram seu próprio império que se estendeu pelo Mediterrâneo, da Ásia até a Espanha.

Dominaram os mares e prosperaram em todas em todos as camadas políticas e sociais, todo esse crescimento foi possível por causa de homens que falaram ao seu tempo e continuam falando ao nosso tempo. Citamos como exemplo Temístocles um dos maiores generais militares do mundo, Péricles um político de visão extraordinária, um gênio. Sócrates, o filosofo mais famoso da história.

No ano de508 a.C a população de Atenas, uma pequena cidade grega revolta-se contra seus governantes, devido a séculos de opressão e tendo como objetivo principal a sua liberdade. Em uma noite de revolta da população ateniense um homem observava todos os acontecimentos, era Clístenes um rapaz criado com ensinamentos aristocratas para ser governante e desprezar as pessoas comuns.

A Grécia estava nas mãos dos aristocratas e o povo estava ao seu serviço. A manutenção do poder era o fundamento deste sistema de governo. Com um olhar geográfico não dava para imaginar a Grécia formando um grande império, sua área física era formada por muitas e grandes montanhas, não tendo assim uma unidade física territorial. Para os gregos dominarem essa nação dividida em várias ilhas e fragmentos era um grande desafio. Desta forma a Grécia foi dividida em várias nações, chamadas de cidades-estados, todas eram fortes e bem preparadas com potencial bélico, sendo Atenas de Péricles a terceira mais poderosa dessas pequenas nações, Argos, a segunda cidade-estado mais poderosa e ao sul da Grécia, Esparta era a nação mais forte e bem preparada para as guerras. O ideal grego vencer, conquistar vitórias e formar grandes heróis.

A mitologia grega destacando a “Ilíada” e a “Odisséia” despertava no povo grego essa inspiração as grandes vitórias e ao heroísmo. O jovem Clístenes pressupunha a mitologia como um ideal de vida, os heróis lendários eram os seus ídolos, sua busca.

A democracia ateniense

Clístenes em507 a.C assumiu o governo de Atenas e com o poder no qual lhe foi confiado realizou um enorme programa de reformas, estabelecendo os direitos de participação política a todos os homens livres nascidos em Atenas. Exclusivamente eram considerados homens livres aqueles que nascidos de pai e mãe ateniense na cidade e acima de 18 anos. Dessa forma concretizava-se a democracia ateniense.

Contudo, havia restrições na democracia de Atenas, os estrangeiros residentes chamados de metecos, escravos e mulheres que representavam a maior parte da população não eram considerados cidadãos atenienses. Mesmo com estas restrições a democracia ateniense foi a forma de governo do mundo antigo que possibilitou mais direitos políticos ao indivíduo.

Neste novo governo ateniense o cidadão usufruía de privilégios da igualdade diante a lei, tinha o direito de pronunciar seus pensamentos em debates da assembleia, mas nem todos tinham o dom da oratória, assim poucos se pronunciavam suas ideias.

Aqueles homens que tinham esse dom e aliados com o conhecimento dos negócios públicos, sendo abeis e seus pronunciamentos, estes é que sobressaiam nas assembleias obtendo assim grande status na política. Péricles é um exemplo deste poder da oratória na assembleia de Atenas, tornando-se um verdadeiro chefe político.

Platão: o governo ideal

Platão não aceitava que homens com mais votos pudessem contrair cargos da mais alta importância em uma polis, contudo nem sempre o candidato mais votado é o melhor preparado. Na visão política do filosofo era necessário criar um método para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público.

O pensamento de Platão transcorre em um discurso teórico para se firmar na história como imprescindível ao fazer político, todas suas ações orientadas ao campo da política no contato direto com seus alunos, bem como trabalhadas as tentativas de convencer os tiranos a realizarem governos fundados com a Filosofia.

Um estado responsável deve incumbir e obrigar os de melhor caráter a dedicar ao mais importante, que é, contemplar o bem. Só é possível encontrar um bom governo, quando se encontra homens condicionados e destinados ao poder cuja seus objetivos de governar são de preferência do próprio poder. Nesta lógica política deverão ter o poder os ricos, não em ouro a prata, mas os homens felizes, com vida honesta, concluindo platonicamente homens sábios.

A República é a grande obra política de Platão e também mais famosa. O foco central da obra platônica é a questão de justiça: Como deve ser um Estado justo? Como deve ser um indivíduo justo? A política não deve ser dominada por homens corruptos com pensamentos ambicionistas em propriedades privadas, esses políticos erguem seus olhares em lucros extraordinários tornando improvável um bom governo, ocasionando disputas, guerras domésticas e civil, governos assim levam suas nações a uma ruína total.

Na monarquia predomina o domínio do melhor, esse estará à frente do Estado, será onipotente, não por ser o mais poderoso, mas por se tornar o advogado da justiça, pela sua prezada sabedoria e o seu entendimento moral. Não é ele quem fala pessoalmente, mas, a justiça mesma é quem fala por ele, é um intérprete do Bem em si, e sua vontade é somente guiada pela inteligência e pela razão.

Na filosofia política de Platão, o estado ideal é dividido em três classes: a classe dos comerciantes, a classe dos militares e a classe do Rei filosofo. A primeira classe, formada por camponeses, artesãos e comerciantes, a esses eram concedidas as riquezas moderadas. A segunda classe os defensores do estado não serão concedidos nenhuma posse de bens e riquezas, terão o privilégio da habitação e mesa comum, em compensação pela sua atividade. Já a primeira classe não penetre nem maior riqueza nem maior pobreza, assim o estado não se torne grande ou pequeno. O

Rei filósofo seria o encarregado de governar o país. As classes não são hereditárias, elas são determinadas pelo tipo de educação obtida pela pessoa. Um cidadão com alto nível de educação passava a pertencer à classe do Rei Filósofo.

A democracia como sistema político verificamos que era totalmente renegada aos olhos platônicos, hoje como poderíamos definir a democracia aos olhos da atualidade política mundial. Pela democracia uma nação pode alcançar o bem comum? A democracia é vista atualmente no mundo como um sistema político que tem um consenso, aceitação e respeito. Muitos países que sofrem com ditaduras buscam incansavelmente um sistema político que vise uma vida plena para o seu cidadão, valorize sua liberdade e uma sociedade justa e social. A eterna busca por justiça, ética, governos eficazes e sem corrupção que governem com empenho de informar todo e qualquer preconceito a diversidade humana e ideológica é antropológica.

O Brasil e o mundo democrático passam por um processo de edificação democrática onde se faz necessário que a população tenha uma conscientização dos seus direitos e de seus concernentes deveres. O cidadão deve ter a consciência que “ele” aliado ao seu voto consciente, senhor de suas ações, manifestando de forma clara e livremente suas opiniões é capaz de fazer um bem inacreditável a sociedade.

Em tese ideológica de igualdade, liberdade, fraternidade vemos a democracia como único sistema governamental no qual rege o pensamento que governantes e governados são as mesmas pessoas, para desespero de Platão no túmulo, um cidadão sem ética, sem conhecimento, sem a ciência de governar, pode almejar uma eleição com direitos de igualdade perante o voto popular. Cabendo ao cidadão votante acertar como protagonista da situação, eleger o candidato que melhor lhe convém. Esse princípio democrático só pode ser consumado a partir do pressuposto de que todos os cidadãos são iguais e munidos de capacidades idênticas, tendo os mesmos direitos e as devidas obrigações.

Apesar de seus defeitos, a democracia é o sistema político predominante no mundo atualmente e o que apresenta melhores resultados quanto à harmonia social e à qualidade de vida da população.

Talvez a frase que melhor qualifique o regime democrático seja a que foi proferida pelo ex-primeiro-ministro inglês Winston Churchill em 1947 em um discurso na câmara dos comuns britânica: a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos. Ou seja, seria um regime cheio de defeitos, porém, ainda assim, seria melhor do que todas as outras formas alternativas de regime político.

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