Surgido em Portugal na era medieval, a palavra auto vem do termo actum, significando qualquer obra representada, ou seja, referia-se a todas as peças teatrais. É uma das formas mais populares do antigo teatro português.
A história também passa pela Grécia, lá o gênero dramático estava associado à imitação ou representação da realidade. Aristóteles percebia a possibilidade de imitação de pessoas nobres, isto é, de caráter superior ou inferior. Portanto, para ele, a representação de indivíduos moralmente superiores era tarefa da tragédia; já a imitação de seres moralmente inferiores, da comédia.
Qual é a definição do auto?
Sua definição tornou-se problemática por comportar na época medieval qualquer peça de teatro. Um auto poderia ser qualquer outra modalidade do gênero dramático. Suas características formais, temáticas e ideológicas são de difícil caracterização individualizada.
Inicialmente, os autos eram encenados em templos religiosos, depois nas portas de entrada das igrejas e pátios. Posteriormente, as apresentações passaram a acontecer em feiras, mercados e praças públicas, quando se torna um gênero dramático de feição popular.
Foi nessa época também que, ao sair das igrejas, os autos passaram também a tratar de assuntos profanos. Não que havia autos religiosos e autos profanos, separadamente. O que ocorria era a coexistência dos dois elementos dentro da mesma peça.
Os gêneros que fazem parte do auto?
Os textos que fazem parte do gênero dramático são escritos para serem encenados. Portanto, a princípio, eles não são produzidos para a leitura de leitores(as) comuns, já que têm como objetivo orientar diretores e atores. Esses textos, de acordo com suas especificidades, podem ser definidos como:
- tragédia;
- comédia;
- tragicomédia;
- auto;
- farsa.
O tempo de duração da peça
De qualquer forma, com o passar do tempo, o auto passou a ser definido como uma peça de curta duração de conteúdo religioso ou profano, burlesco e alegórico, escrito geralmente em verso.
Sua característica principal é o conteúdo simbólico, cujos personagens são entidades abstratas, geralmente de caráter religioso ou moral (o pecado, a luxúria, a bondade, a virtude, entre outros).
Os estilos dos personagens
As personagens preferidas são planas, apresentando-se, às vezes, como tipos ou caricaturas, o que resulta no humor da obra. Existem também personagens alegóricas. Nem sempre encontramos unidade temática e formal; muitos autos fogem à regra. A linguagem é coloquial, e o cenário, simples. As marcações teatrais são mínimas.
O maior representante luso dessa modalidade dramática é Gil Vicente, com autos que romperam os tempos e são dramatizados até hoje, como é o caso do Auto da Barca do Inferno. No Brasil, Ariano Suassuna é um dos grandes exemplos de escritores de autos, com peças importantíssimas e muito conhecidas, como em O Auto da Compadecida.
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