O uso da tecnologia como ferramenta no processo ensino-aprendizagem

Estamos em um momento, na qual a todo instante aparecem dicotomias e profundas transformações que geram infinitas informações. As informações recebidas são tantas que o ser humano não consegue apreender tudo que lhe é passado e nem guardar todo conhecimento elaborado. Esse fato, gera insegurança, medo, ruptura no saber e torna sua vida fragmentada.

A exigência social atualmente é maior, determina que todos saibam caminhar por áreas antes desconhecidas, tal qual a tecnologia nas escolas. O que mostra que o mundo globalizado é intensamente tecnificado e por isso, surge uma competição quase selvagem entre os indivíduos devido à demanda cada vez maior, por pessoas que tenham qualificação cultural e com escolaridade formal. As habilidades estabelecidas são cada vez mais exigidas, uma vez que o desenvolvimento a que se chegou não aceita o trabalhador que não tenha qualificação.

O presente artigo tem como premissa abordar as transformações provocadas pelas novas tecnologias digitais aplicadas na educação no inicio terceiro milênio como recurso pedagógico, expondo desafios na apropriação do conhecimento e redefinições do papel dos professores nesse novo contexto. O artigo pretende também mostrar uma nova forma de construir conhecimento dentro da escola.

A sociedade atual advém da revolução tecnológica e seu desenvolvimento na produção e na área da informação, gerando predicados passíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda inalcançada. Isto se dá à medida que o desenvolvimento das competências cognitivas e culturais determinadas para o pleno desenvolvimento humano passa a se ajustar com o que se espera no âmbito da produção.

Consideramos que as transformações provocadas pelo uso do computador como ferramenta para o ensino é um recurso pedagógico muito importante que coloca desafios na apropriação do conhecimento e redefinições do papel dos professores nesse novo contexto.

É impossível não aceitar a importância das constantes transformações pelas quais o mundo vem passando. Como educadores e indivíduos temos a necessidade de nos adaptarmos a essas inovações, tentando compreendê-las, incorporá-las, socializando experiências e introduzindo essas transformações, no âmbito educacional de modo a contribuir na melhoria da qualidade dos processos de ensino aprendizagem e práticas docentes.

Observamos que um novo modelo pedagógico, portanto, apareceria com a ocorrência dessas transformações pelo qual o discente estaria desenvolvendo suas capacidades as quais anteriormente era posta de lado pelo método tradicional de ensino, sem recursos de aprendizagem que realmente contribuísse no desenvolvimento de autonomia das crianças, sendo que o avanço de capacidade de raciocínio e criatividade provavelmente seria mais forte por meio da intensidade das possibilidades oferecidas pelos recursos tecnológicos.

As novas tecnologias digitais – principalmente computadores – têm incomodado muitos professores, pensando que estas poderão vir a substituí-los. Essas chamadas novas tecnologias substituem recursos desde: quadro-negro e giz, até aos professores, sendo que estes continuam inseridos no contexto escolar agora como auxiliadores, mediadores do processo de ensino-aprendizagem dos alunos.

Com todo avanço tecnológico, educadores e educandos que não se integrarem ao contexto da aprendizagem, serão os marginalizados, ressalta-se, nesse contexto, a importância e o objetivo desta problemática, porque o impacto social será inevitável devido ao avanço tecnológico.

Por conseguinte, a aprendizagem deve estar aliada a construção de novos conhecimentos e a construção do processo de aprendizagem que ocorre nesta relação, já que o indivíduo ensina e constrói conhecimento.

Não é possível negar a importância o uso das tecnologias aplicadas à educação, e que exigem mudanças no processo educativo, e principalmente nas formas de como professores e escolas agem em relação a eles. As novas tecnologias aplicadas à educação vêm influenciando a escola, em conseqüência dessa influência tecnológica é preciso que a mesma assuma o papel inovador transformando-se, para melhor trabalhar com os conhecimentos dos indivíduos que passam por ela.

As tecnologias usadas nas escolas devem ser educacionais comunicativas e informativas e não apenas alfabetizadora na qual o indivíduo aprende a linguagem básica do micro e o processo finda-se por si só. É preciso despertar a preocupação em relação à maneira pela qual vem sendo inserida nas instituições educacionais, as novas tecnologias, e como esta vem sendo trabalhada.

Aos olhares mais críticos e preocupados com a educação torna-se importante à realização de um estudo em relação aos processos de utilização, construção do conhecimento, a forma, e as consequentes transformações que vêm ocorrendo nas escolas com a inserção das novas tecnologias.

Apesar de atualmente muito se fale sobre habilidades do século XXI, ainda é incipiente o conhecimento do assunto, uma vez que as tecnologias (informação, comunicação) se desenvolvem em uma rapidez vertiginosa que não conseguimos acompanhar e vamos de carona buscando resolver novos desafios gerados pelas inovações tecnológicas.

Dentre as tecnologias que tentamos acompanhar está a internet que encanta e amedronta a muitos que nos presenteia com milhões de informações, dados, suposições, interações, ligações em redes de comunidades, para muitos é a única família, para outros uma diversão e não são poucos os que a utilizam como meio de ganhar dinheiro. Do mesmo modo, temos o celular com seus aparelhos de tecnologias muito avançadas e que nem sempre conseguimos utilizar além da função telefone e meio de se enviar mensagens.


Nesse ponto, nos perguntamos em que patamar fica o nosso conhecimento, a pedagogia, a educação se ainda continuamos em nossa sala de aula em uma concepção conservadora, tradicionalista de dar aulas, mudando apenas de instrumentos. O aluno prefere conversar e ouvir através de chats, blogs, wikis, msns, orkuts, facebook, twitter e tantas outras comunidades, sendo capaz de interagir com os seus e trocar ideias, buscar o que ainda não tem conhecimento sem necessariamente ser apenas o ouvinte, podendo este ser o interlocutor, o mediador e acima de tudo, o que procura conhecimentos. Por isso, muitas vezes nossas aulas são desmotivadoras, cansativas, porque o mundo do aluno é outro, não quer mais um professor em pé à frente da sala de aula com um livro na mão, pedindo atenção. Assim sendo, as habilidades e competências é um fator mercadológico que demonstra a necessidade do indivíduo estar sempre em busca do novo, e as escolas necessitam ir à busca de uma formação continuada no sentido de ter uma didática diferenciada senão está condenada a ser superada por esta tecnologia, pois o professor não indo de encontro com o que está acontecendo a seu redor, ficará obsoleto, será o verdadeiro “professauro”.

Nesse contexto, a aprendizagem deve estar aliada a construção de novos conhecimentos, assim, no processo ensino-aprendizagem o aluno não é mais um depositório de informações, muitas vezes difíceis de serem alcançadas em tempos passados, e sim um sujeito ativo e independente na constante busca pelas informações e de sua construção do conhecimento exigidos pelas transformações céleres no mundo. Dessa forma, o papel do professor deve ser não mais o de ensinar, mas o de facilitador/orientador/mediador da aprendizagem, instigando a curiosidade do aluno (MORAN, 2000).

Por conseguinte, através destes elementos é possível analisar a introdução da tecnologia na escola de maneira que ele seja mais uma ferramenta, um recurso, isto é, um mediador cultural no ponto de vista em que a aprendizagem se dá na relação entre o sujeito e o conteúdo a ser apreendido através de uma ponte (mediador), entre os quais o professor que pode facilitar ou dificultar tal processo (ALMEIDA, 2000).

Entre outros mediadores, temos as novas tecnologias digitais que se apresentam como uma ferramenta que tem formas especiais de permitir a observação, simbolizar e atuar sobre o mundo, podendo permitir níveis de apresentação simbólica ainda não oferecida por outros instrumentos no concernente a habilidade de simular problemas e circunstâncias (realidade virtual na educação – interação com outros recursos como a robótica). Sendo assim, as novas tecnologias digitais como ferramenta podem ser utilizadas como recurso que vai facilitar o processo ensino-aprendizagem, contudo, continua necessitando da presença do professor (TEDESCO, 2004).

Porém, não se pode deixar de atribuir às novas tecnologias digitais as importâncias da sua contribuição, justificando sua inserção meramente pela celeridade no mecanismo de transmissão das informações que ele permite sem se prender a uma transformação global de uma nova maneira de apresentar o “fazer pedagógico” de acordo com os meios pedagógicos apropriados (projeto pedagógico).

Transformando este “fazer pedagógico” por intermédio da ruptura de paradigmas entre aluno, professor e conhecimento, as novas tecnologias digitais interatuam como uma ferramenta mediadora da cultura com maior competência interativa que permite o aluno recriar, hiper-realizar o mundo empregando apropriada e planejadamente deste diferencial contribuindo em qualidade e quantidade no processo ensino-aprendizagem.

Assim como a maioria das pessoas não percebem as mudanças e transformações do mundo, alguns professores insistem em perpetuar um método de ensino antigo, afastando o aluno do processo de construção do conhecimento, contribuindo para a preservação de uma sociedade incapaz de criar, agir construir e reconstruir o conhecimento. Há escola que divide os conhecimentos por assuntos, centrada no professor e na transmissão de conhecimentos, considerando o aluno como uma tabula rasa, perpetuando a submissão castrando a autonomia e criatividade dos alunos depositando o saber no aluno através do professor, “educação bancária”, segundo Paulo Freire (1983, p. 68) a educação bancária “[…] a única margem de ação que se oferece aos educando é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los. Margem para ser colecionadores ou fichadores das coisas que arquivam”. Neste contexto, Romão (2001, p. 97) explica que “[…] se temos uma concepção autoritária e ‘bancária’ de educação, […] forçamos o aluno a se transformar num depositário do ‘tesouro do saber’ […]”.

Seria, portanto, interessante perceber as contribuições que e as novas tecnologias digitais podem propiciar à construção e desenvolvimento das crianças quanto à aprendizagem e conhecimento na escola. Esta é uma questão intrigante, à medida que pode contribuir para que o professor execute melhor seu papel social.

Continua válida até nossos dias a afirmação de Papert (1994, p. 35), de que: “A maior parte de tudo o que tem sido feito até hoje sob o nome genético de tecnologia educacional ou Computador em educação, acha se ainda no estágio da composição linear de velhos métodos instrucionais com novas tecnologias”.

Quando se trabalha sob a ótica da aprendizagem, “[…] a interação que se estabelece entre as ações do aluno e as respostas do computador promove a participação ativa do aluno” (ALMEIDA, 2000, p. 34). Dessa forma, ele passa a ser o autor e condutor do processo ensino-aprendizagem, que pode ser compartilhada com o professor e com os demais colegas. Valente (1993 p. 28) explica, nesse sentido, que:


O uso do computador torna evidente o processo de aprender de cada indivíduo, o que possibilita refletir sobre o mesmo a fim de compreendê-lo e depurá-lo. Dessa forma, pode se pensar em uma transformação no processo ensino aprendizagem passando a colocar “ênfase” na aprendizagem, ao invés de colocar no ensino; na construção do conhecimento e não na instrução.

Em consonância com as teses de Tedesco (2004, p. 32) as escolas na contemporaneidade devem ter a capacidade de aprender, e, para que isso ocorra é necessário que os professores criem espaços de aprendizagem e possam trabalhar com as linguagens (verbal, imagética, escrita, corporal e outras) e possam propiciar as condições que os alunos convivam entre sujeitos das suas ações. Neste sentido trata-se de formar professores que sejam de modo efetivo capazes de fazer uso das tecnologias criticamente, tendo como ressignificado de sua utilização beneficiando a inclusão dos estudantes nesse mundo tecnológico.

Entretanto podemos ver que a presença das tecnologias no ambiente escolar nem sempre provoca alterações nas práticas escolares. Os pilares que alicerçam tais práticas continuam com a concepção e construção dos conhecimentos solidificados na escrita e na oralidade residuais da sociedade e ciência modernas. Enfim, o avanço tecnológico, os processos de capacitação estão se tornando cada vez mais eficientes, já que mostram uma linguagem interativa e processos de multimídia, com equipamentos céleres, com maior confiança e capacidade de em relação ao processamento. Dessa forma, o ensino a distância pode distinguir uma maneira de atuação para a tomada de decisões independentes e para o acesso às informações sistematizadas, além de realizar uma função de aperfeiçoamento de conhecimentos específicos até a formação profissional.

Ao abordar a temática informática e educação, se faz necessário contribuir com o processo histórico do uso dessas tecnologias dentro das novas tendências educacionais implementadas nas escolas do país no início do século XXI.

Sabendo então que a relação-tecnológica e educação vai além da simples inovação educacional, esbarrando-se na aceitação e uso frequente desta no espaço escolar e fora dele por profissionais e alunos, buscando compreender através do uso de fontes: orais, análise de documentos.

Enfim, o uso de novas tecnologia digitais pode incrementar as relações entre educadores e crianças, política e educação, colabora para que se adquira conhecimento como imprescindível fator de melhoria social, propiciando expressões multiculturais e integração universal dos sujeitos. A linguagem padrão e protocolos da Internet possibilitam misturar e manifestar cultural e socialmente os fundamentos da tecnologia de ponta. Assim sendo, a inclusão digital passa a ser ferramenta eficaz para aumentar o letramento dos indivíduos, estimular a auto-estima em relação aos aspectos culturais inerentes às técnicas, tempo, espaço, razão e emoção.

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