Plantas que atuam no sistema respiratório

Os fitoterápicos são comumente utilizados em problemas respiratórios. Muitas das infecções do trato respiratório são acompanhadas por tosse, irritação da garganta, congestão nasal e presença intensa de muco. O resfriado comum consiste na infecção respiratória superior causada por vírus, podendo se apresentar como uma rinite, faringite, sinusite e laringite.

A utilização de plantas medicinais contribui significativamente na melhora dos sintomas do resfriado, sem comprometer o mecanismo mucociliar do trato respiratório superior, evitando um risco maior de infecções bacterianas e virais.

Os medicamentos fitoterápicos podem ser utilizados em apoio a uma terapia com antibióticos. Muitas das espécies vegetais para alívio dos problemas respiratórios são usadas na forma de chás caseiros, principalmente das folhas de sabugueiro, flores de tília e flores de rainha-dos-prados.

O poder das folhas da tília

As folhas da tília são obtidas de duas espécies de tília oriundas da Europa e utilizadas como árvore ornamental, à chamada tília de verão (Tilia platyphyllos) e tília de inverno (Tilia cordata). As folhas secas caracterizam-se pelo cheiro agradável, gosto mucilaginoso e levemente doce, decorrente da interação de taninos adstringentes que correspondem 2% com mucilagem e substâncias aromáticas. As preparações na forma de chá das folhas da tília mostram efeito diaforético (aumento da transpiração e suor).

Óleos essenciais:

A utilização de óleos essenciais de plantas, como o óleo de hortelã e óleo de eucalipto tem sido útil na obstrução das vias aéreas nasais. O resultado é observado quando um paciente com entupimento nasal inala o óleo de hortelã apresenta uma melhora no respirar.

Os óleos essenciais estão disponíveis para aplicação tópica em diversas formas, como pomadas nasais, gotas nasais, inalantes de vaporização, inalantes em aerossol ou ainda como ingredientes de comprimidos, pastilhas ou gargarejos.

O mentol, cânfora e óleos essenciais são compostos extremamente lipofílicos que são incorporados em formas farmacêuticas de bases lipofílicas, como pomadas.

Entretanto, a utilização de preparações hidrofílicas, como as gotas nasais são preferíveis por facilitarem a movimentação ciliar. Tais compostos não são recomendados quando aplicados no rosto e na região nasal de bebês e crianças menores de dois anos, devido ao risco de espasmo da glote e de parada respiratória.

Os óleos essenciais ao chegarem à mucosa nasal estimulam os movimentos ciliares, a exemplo é a inalação de cineol que promove uma limpeza eficaz em pacientes com bronquite crônica obstrutiva, além de aumentar o fluxo de secreções, mantendo a mucosa úmida. É observado que o óleo essencial é capaz de provocar uma vasoconstrição reflexa e dessa forma exercer um efeito descongestionante.

A inalação do vapor de uma preparação de chá de camomila, folhas de hortelã ou anis; vaporização do álcool de melissa juntamente com camomila ou o banho quente de um sal de banhos, contendo óleos essenciais é comum e de fácil realização mesmo em ambiente caseiro.

Plantas em pastilhas

A utilização de pastilhas, comprimidos mastigáveis e gargarejos contendo substâncias ou misturas de óleos essenciais, como o óleo de anis (90% de transanetol), óleo de eucalipto (70% de eucaliptol), óleo de hortelã (40-55% de mentol, 10% de ésteres de mentol e 10-35% de mentona), óleo de funcho (50-70% de transanetol), mentol e bálsamo de tolu (ésteres de ácido benzoico e ácido cinâmico) são indicados para o alívio da inflamação local na cavidade oral e como supressor da tosse.

Os óleos essenciais como ingredientes de pastilhas mastigáveis para a tosse tem a função de oferecer sabor agradável à preparação, o que estimula a salivação aumentando o reflexo de engolir, útil para suprimir o reflexo da tosse. O gargarejo de líquidos contendo essas substâncias exerce ação massageadora na região orofaríngea, sendo indicados para doenças inflamatórias da orofaringe, além de promover a limpeza da cavidade oral e ação anti-inflamatória nas membranas mucosas inflamadas.

As plantas medicinais aromáticas que contêm óleos voláteis e óleos essenciais utilizados em gargarejos apresentam propriedades anti-inflamatórias, podendo também ser usadas na forma de uma infusão de chá morna ou de um produto líquido. O extrato de camomila, de sálvia ou rizoma de tormentil são exemplos de componentes em gargarejo.

Plantas mucilaginosas


As mucilagens vegetais são capazes de inibir a tosse por formar uma camada protetora que defende a superfície da mucosa de agentes irritantes. Esse efeito limita-se a região da faringe já que as mucilagens são macromoléculas não absorvíveis.

Não são verificados efeitos adversos das plantas mucilaginosas. Dentre as espécies ricas em mucilagens podemos citar a raiz de alteia (Althaeae officinalis L.) que contém 5-10% de mucilagens; as folhas de malva (Malva silvestris L.) com 8% de mucilagens e tanchagem (Plantago lanceolata L.) com aproximadamente 6% de mucilagens e glicosidios. Essas espécies são utilizadas na forma de chás ou maceração.

Os caules jovens secos da efedra contêm 2% de efedrina, um alcaloide. As preparações de caules de efedra exercem ação vasoconstritora periférica, broncodilatadora e estimulante central.

O reflexo da tosse é suprimido por extratos de efedra que contém 15-30 mg de alcaloides, calculados como efedrina. A dose máxima de efedrina é de 2 mg/kg de peso corporal. A utilização de preparações com efedrina resulta em efeitos adversos como palpitação, elevação da pressão arterial, insônia, anorexia e dificuldades urinárias. Indivíduos hipertensos, com glaucoma e feocromocitoma não devem utilizar estas preparações.

Plantas expectorantes


Os agentes fitoterápicos expectorantes influenciam a consistência, a formação e o transporte das secreções bronquiais. A utilização destes fitoterápicos tem sido descritas há séculos, observando-se a capacidade de reduzir a viscosidade do muco devido à presença de água nos chás, o mecanismo gastropulmonar reflexo e a liquefação das secreções.

Muitos temperos que são comumente utilizados como a pimenta comprida, cubeba, gengibre e cúrcuma são compostos presentes em medicamentos para a tosse na medicina tradicional chinesa e indiana.

As plantas que contêm saponinas, constituinte glicosídico associado a um terpenoide de aglicona, exibem ação expectorante. Essa ação resulta das saponinas irritarem a mucosa gástrica, que por sua vez estimula reflexamente as glândulas mucosas dos bronquíolos pela via parassimpática. As folhas de hera (Hedera helix L.), a raiz de prímula (Primula radix L.), a quilaia (Quillaja saponaria Mol.) e a senega (Polygala senega L.) são drogas vegetais utilizadas por sua ação expectorante.

Os óleos essenciais como descritos anteriormente também apresentam propriedade expectorante, podendo-se citar o óleo de abeto (Pinus exelsa Wall. D. Don), óleo de cajepute e de niaouli (espécies de Melaleuca), óleo de pinheiro (Pinus silvestris L.), mirtol e óleo de citronela (Cymbopogon nardus L.).

Alguns possíveis eventos adversos

A utilização desses óleos pode causar como efeitos adversos broncoespasmo e reações alérgicas. Os indivíduos mais sensíveis são as crianças e os asmáticos, dessa forma, recomenda-se que os óleos sejam usados em vaporizador afastado do paciente e que a concentração da solução inalada seja aumentada gradativamente.

As folhas de hera são intensamente prescritas na Fitoterapia para o tratamento de distúrbios com catarro do trato respiratório superior e no tratamento sintomático de doenças bronquiais inflamatórias crônicas. Recomenda-se uma dose diária de 0,3 g de planta seca ou dose equivalente de extrato.

Estudos foram realizados com dois grupos de pacientes com bronquite obstrutiva crônica durante quatro semanas, um grupo utilizava 90 mg de ambroxol e o outro 60 mg de extrato de hera (400 mg de droga vegetal), foi observado que os dois tratamentos foram igualmente eficazes.

As folhas desta espécie apresentam constituintes como bis-desmosídios neutros (hederacosídios) e saponinas (3-6%) e não são usadas como infusão, mas como produtos da droga vegetal. Os efeitos adversos incluem irritação cutânea – alérgeno falcarinol, desconforto gástrico, náusea e vômitos quando utilizados em altas doses.

As raízes de prímula são usadas como infusão ou tintura em uma dose diária de 1 g de droga vegetal.

Os principais constituintes

Os principais constituintes presentes são as saponinas triterpênicas (5-10%), sendo o composto majoritário o ácido primúlico A. Em estudo com pacientes com bronquite aguda foi avaliado o grupo que seguiu o tratamento com uma associação de 60 mg de extrato de raiz de prímula e 160 mg de extrato de tomilho em comparação com o grupo que fez uso da associação de dois expectorantes de referência, o ambroxol e a N-acetilcisteína administrados durante o mesmo período; o estudo revelou que o tratamento com os produtos vegetais foi significativamente melhor em eficácia e tolerância que a associação de referência.

O óleo de eucalipto


O óleo de eucalipto contém aproximadamente 70% de cineol. Os medicamentos produzidos com óleo de eucalipto, geralmente apresentam 80-90% de cineol, cheiro semelhante à cânfora e sabor refrescante. O cineol possui ações antiespasmódicas, secretagógicas, secretolíticas, antimicrobianas e fungicidas.

As preparações contendo cineol podem proporcionar desconforto gástrico quando seu uso interno e reações cutâneas de hipersensibilidade quando utilizados externamente. A dose diária habitual de cineol para indivíduos adultos é de 0,3-0,6 g.

Raiz de alcaçuz


A raiz seca de Glycyrrhiza glabra L. além das atividades descritas anteriormente possui propriedades mucolíticas e secretagógicas. Estudos indicam que o principal constituinte a glicirrizina aumenta a secreção bronquial e o transporte de muco. Além disso, observa-se um efeito antitussígeno indireto das preparações de raiz de alcaçuz que envolve supressão central; a glicirrizina exibe ação antitussígena comparável com preparações a base de codeína.

Os efeitos adversos como hipertensão, aldosteronismo primário, edema, dor de cabeça e problemas cardíacos ocorrem quando o alcaçuz é usado em doses inadequadas. Recomenda-se uma dose habitual de 1-2 g da raiz seca de alcaçuz administradas três vezes ao dia.

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