Pressão Arterial Invasiva (PAI): O que é?

A medição e monitorização contínua da pressão arterial invasiva (PAI) são de fundamental importância no seguimento de pacientes críticos, sobretudo durante infusão contínua de drogas vasoativas, visto sua fidedignidade. O consenso brasileiro de monitorização e suporte hemodinâmico recomenda que a monitorização da PAI seja feita em pacientes em situações de emergências hipertensivas, estados de choque, em uso de aminas vasoativas, em pacientes em intra e pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca e neurológica, ou outras condições nas quais não se pode tolerar hipotensão ou variações bruscas da pressão arterial.
O uso dessas drogas requer vigilância constante, pois, pequenas variações na dose ou na pressão arterial, vão exigir intervenção profissional imediata. Nessa perspectiva, os sistemas de monitorização multiparamétrica permitem a monitorização em tempo real e dispõem de sistemas de alarmes capazes de chamar a atenção da equipe para possíveis alterações do estado clínico do paciente.
A pressão por este método é medida através de um cateter introduzido na artéria, o qual é conectado em uma coluna líquida. A medida da pressão é obtida através do transdutor de pressão que faz a leitura – obtida pressão sistólica, diastólica e média. A solução a ser utilizada deve ser o soro fisiológico a 0,9%, mantendo a bolsa pressurizada em 300 mmHg.
A posição do paciente e do transdutor de pressão influencia na alteração dos valores de pressão arterial. Devemos realizar o “zerar” a linha de pressão arterial, na linha média axilar, conforme o posicionamento do paciente.


A cateterização da artéria para mensurar a pressão arterial invasiva está indicada para:


– Cirurgia cardiopulmonar;
– Grandes cirurgias vasculares, torácicas, abdominais ou neurológicas;
– Instabilidade hemodinâmica;
– Uso de drogas vasoativas;
– Uso de monitorização da pressão intracraniana;
– Emergência hipertensiva associada à dissecção de aorta ou AVC;
– Necessidade de gasometria arterial mais que três vezes ao dia;
– Controle rigoroso da pressão arterial para conduta clínica.


Uma pressão arterial invasiva está contraindicada relativamente para:


– Doença vascular periférica;
– Doenças hemorrágicas;
– Uso de anticoagulantes ou trombolíticos;
– Punção em áreas infectadas.


O cateter arterial pode ser colocado na artéria radial, braquial ou femoral. A artéria radial é um vaso de escolha porque sua utilização tem sido associada com menor número de complicações. A artéria braquial deve ser evitada devido ao risco de tromboembolia do braço e antebraço. A femoral é o vaso mais calibroso, porém maior potencial de contaminação e risco de trauma.
A linha arterial pode ser obtida por punção ou dissecção arterial. A punção é o procedimento mais indicado, por permitir menor lesão da artéria; deixando a dissecção somente para casos mais graves, após várias tentativas de punção sem sucesso.Antes da punção da artéria radial deve-se realizar o Teste de Allen, onde se deve comprimir simultaneamente a artéria radial e ulnar com os polegares. Estimular o paciente para abrir e fechar a mão repetidamente, em seguida pedir para relaxar a mão,enquanto comprime a artéria radial solte a artéria ulnar e observe a coloração da mão.Quando a circulação colateral está adequada, a mão recupera a coloração em 5 a 10 segundos. Em caso do teste não ser satisfatório, desconsiderar a punção da artéria radial.
A equipe de enfermagem tem importante participação no procedimento, separando o material necessário, auxiliando na passagem do cateter e preparando o monitor para verificação da pressão arterial, além de avaliar os dados obtidos, e manter a permeabilidade do cateter para verificação contínua da pressão arterial.


Os valores normais da pressão arterial invasiva são os mesmos da pressão arterial não invasiva. Sistólica 90-130 mmHg e diastólica 60 – 90 mmHg.


Após a punção arterial, e conexão do transdutor de pressão ao cateter arterial e ao monitor, zeramos a linha arterial (seguir a instrução de cada fabricante) e visualizamos na tela do monitor uma curva de pressão.


Após a punção arterial podem ocorrer algumas interferências técnicas, que são:

– Hematoma pós punção (amortece a curva da pressão);
– Fluxo retrógado do sistema (ocorre por falta da pressurização adequada, podendo coagular o sistema);
– Hemorragia (por desconexão do sistema);
– Embolia proximal ou distal (coágulos na luz do cateter).


As curvas arteriais não são todas iguais, apresenta alterações do formato devido à distância do coração, força da gravidade e calibre da artéria, mas não alteram suas características.Outras condições que podem alterar a curva da pressão arterial é arritmia, hipovolemia, hipertensão, hipotensão, trombos intraluminais, impactação da ponta ou dobras do cateter.


Um procedimento de pressão arterial invasivo pode apresentar algumas complicações:


– Embolização arterial e sistêmica;
– Insuficiência vascular;
– Necrose isquêmica;
– Infecção;
– Hemorragia;
– Injeção acidental de drogas intra-arterial;
– Trombose;
– Espasmo arterial;
– Hematoma local;
– Dor local;
– Fístula arteriovenosa;


Cuidados de Enfermagem:


• Preparo do material necessário, da solução de soro fisiológico;
• Auxiliar o médico no procedimento de cateterização da artéria, oferecendo o material necessário;
• Realizar a zeragem do transdutor de pressão, alinhado a linha média axilar;
• Proceder à anotação de enfermagem no prontuário do paciente, descrevendo número de punções, e material utilizado;
• Monitorar o tempo de permanência do cateter, pois o risco de trombose aumenta com tempo de permanência do cateter;
• Monitorar as extremidades do membro puncionado (coloração, temperatura, edema, sensibilidade e movimentação) a cada plantão;
• Estar atento a desconexão do sistema;
• Estar atento a sangramento na inserção do cateter, e infecção do sitio de punção;
• Manter curativo estéril;
• Manter a bolsa pressurizada a 300 mmHg, pressurização em valores de pressão menores não permitem a irrigação continua adequada que é de 3 ml/h;
• Realizar a troca do equipo com transdutor de pressão a cada 72;
• Realizar a troca da solução de soro fisiológico com heparina a cada 24h;
• Para retirada do cateter, proceder com luva de procedimento, usar solução antisséptica, e tracionar o cateter vagarosamente, evitando lesão a intima do vaso. Comprimir o local da inserção do cateter com gaze dobrada por 5 minutos.

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