Processo de Carcinogênese

A palavra carcinogênese é derivada do grego, língua na qual karkinos significa câncer e gênesis significa produção ou origem, portanto é o termo utilizado para produção de carcinoma. Já carcinogenicidade se refere ao poder, habilidade ou tendência para produzir câncer. A principal meta do estudo da carcinogênese é, sem dúvida alguma, a prevenção do câncer.

A vida, desde a mais simples estrutura unicelular até o mais complexo organismo, depende de um processo que lhe é essencial – a homeostase.

O equilíbrio entre o crescimento, replicação e morte celular é mantido graças a um complexo e delicado mecanismo de contraposição entre oncogenes e genes supressores de tumor.

A importância dos seres vivos com unidades microscópicas


Os seres vivos são formados por unidades microscópicas chamadas células, constituídas basicamente por três partes: membrana celular, a parte mais externa; o citoplasma, que é o corpo da célula; e o núcleo, sua parte mais interna, onde estão os cromossomos.

Os cromossomos são compostos de unidades menores chamadas genes, por sua vez formados pelo ácido desoxirribonucleico, o DNA. Através do DNA, os cromossomos transmitem informações relativas à organização, forma, atividade e reprodução celular.

As células do corpo humano se reproduzem através de um processo chamado divisão celular.

Esse processo é controlado e responsável pela formação, crescimento e regeneração dos tecidos saudáveis do corpo. Em situações como agressões ambientais, exposição a certos agentes biológicos ou mesmo por predisposição genética, o comportamento das células pode alterar-se, perdendo a capacidade controlar o seu próprio crescimento e passam a se multiplicar rapidamente sem nenhum controle.

O resultado desse crescimento celular desordenado é a produção do que se conhece como tumor. As células cancerosas desenvolvem-se a partir de células normais em um processo complexo denominado carcinogênese. O câncer é definido como um tumor maligno, mas não é uma doença única e sim um conjunto de mais de 200 patologias, caracterizado pelo crescimento descontrolado de células anormais (malignas).

Como consequência ocorre a invasão de órgãos e tecidos adjacentes envolvidos, podendo se disseminar para outras regiões do corpo, dando origem à tumores em outros locais. Essa disseminação é chamada de metástase.

As células doentes podem ser agressivas

As células doentes podem ser muito agressivas, mas, a partir da década de 80 a maioria dos tumores malignos passou a ser tratado e os índices de cura são atualmente muito elevados. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original.

Se o câncer se inicia em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, ele é chamado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos, é chamado sarcoma.

Os tumores podem ser divididos em: benignos quando as células tumorais crescem lentamente e são semelhantes às do tecido normal. Geralmente podem ser removidos totalmente através de cirurgia e na maioria dos casos não tornam a crescer, raramente constituindo um risco de vida e malignos (cancerígenos) quando as células tumorais crescem rapidamente, não são semelhantes às células que lhes deram origem e por isto não respeitam a estrutura e funções do órgão onde estão crescendo.

Além disso, são capazes de invadir estruturas próximas e espalhar-se para diversas regiões do organismo.

Entendendo a gênese do câncer

O dano à molécula de DNA é a condição básica para a perda da homeostase tecidual e consequente surgimento do crescimento desordenado de células. A gênese do câncer se dá através de mutações que são alterações irreversíveis na estrutura do DNA. De maneira geral, em adultos, a ocorrência de um tumor depende de cinco ou mais mutações genéticas que se acumulam ao longo dos anos.

Em crianças, duas mutações podem ser o suficiente e, em raras situações, apenas uma mutação em um gen crítico pode fazer com que praticamente todas as células do organismo apresentem a mutação que predispõe ao surgimento de tumores (mutação germinativa). Mais de 80% das mortes por câncer surgem a partir de mutações somáticas consequentes de efeitos ambientais como raios UV, tabagismo, vírus, metais pesados etc.

Estas mutações somáticas afetam apenas as células em questão e suas filhas. O surgimento do câncer não depende de uma rápida replicação de células mutantes, mais do que isto, o desequilíbrio entre morte e replicação é o ponto chave da carcinogênese. Este fato reflete o distúrbio fundamentalmente genético entre os oncogenes e genes supressores.

Em verdade três tipos de genes podem estar envolvidos:
• os genes promotores da replicação celular – oncogenes;
• os genes que se contrapõe a replicação celular – genes supressores de tumores;
• os genes responsáveis pelo reparo do DNA – genes reparadores.

O processo de carcinogênese passa por vários estágios antes de chegar ao tumor. São eles: Estágio de Iniciação, Estágio de Promoção e Estágio de progressão.

Estágio de Iniciação 

É o primeiro estágio da carcinogênese. Nele as células sofrem o efeito dos agentes carcinogênicos que provocam modificações em alguns de seus genes. Nesta fase as células se encontram, geneticamente alteradas, porém ainda não é possível se detectar um tumor clinicamente. Encontram-se “preparadas”, ou seja, “iniciadas” para a ação de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.

Estágio de Promoção 

É o segundo estágio da carcinogênese. Nele, as células geneticamente alteradas, ou seja, “iniciadas”, sofrem o efeito dos agentes cancerígenos classificados como oncopromotores.

A célula iniciada é transformada em célula maligna, de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuado contato com o agente cancerígeno promotor.

A suspensão do contato com agentes promotores muitas vezes interrompe o processo nesse estágio. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de células iniciadas em malignas.

Estágio de Progressão 

É o terceiro e último estágio e se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio o câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença.

Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados agentes oncoaceleradores ou carcinógenos. O fumo é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.

Mesmo quando uma célula se torna tumoral, o sistema imune frequentemente consegue destrui-la antes que ela se duplique e estabeleça um
câncer. É mais provável que o câncer se desenvolva quando o sistema imune está comprometido.

No entanto, o sistema imune não é à prova de erros; o câncer pode escapar à vigilância protetora desse sistema mesmo quando ele está funcionando normalmente. Uma grande quantidade de fatores genéticos e ambientais aumenta o risco de desenvolvimento de câncer.

A história familiar é um fator importante

Algumas famílias apresentam um risco significativamente mais elevado de apresentar certos tipos de câncer em comparação com outras. Os indivíduos com anormalidades cromossômicas apresentam maior risco de câncer. Fatores ambientais como o tabagismo e a exposição a certos produtos químicos também aumentam o risco de câncer.

Os diversos tipos de câncer representam um grave problema mundial na área de saúde pública, acometendo, a cada ano, milhões de pessoas das quais mais da metade, evoluem para o óbito em decorrência da patologia. O conhecimento científico atual ainda não conseguiu determinar medidas comprovadamente eficazes de prevenção primária para os diversos tipos de câncer.

A detecção precoce é o objetivo principal das equipes de saúde, para diminuir a mortalidade e as mutilações funcionais destes pacientes e aumentar a qualidade de vida. Entres as ações desenvolvidas pelos órgãos públicos estão às campanhas educativas para o estímulo à realização periódica de exames que possibilitam detecção precoce e orientações para o autoexame. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhores as condições de tratamento e maior a sobrevida dos acometidos.

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