Processos inflamatórios: Entenda como funcionam

Os processos inflamatórios, com ou sem infestação ou infecção, do trato genital feminino são numerosos e merecem atenção especial dos que labutam em um laboratório de citologia.
Em nome da segurança das mulheres que se valem deste exame para receber tratamento adequado e dos clínicos que dele lançam mão para tratar suas pacientes de maneira mais apropriada, é que procuramos demonstrar o que precisa ser feito a fim de moralizar os diagnósticos citológicos de processos inflamatórios, com ou sem infecção.
Esfregaço com infecção e/ou infestação genital: a fim de se proceder a um estudo mais apurado destas condições, dividiremos as infecções e infestações genitais em três tipos principais: infecção ou infestação cervical (incluindo a vaginal); infecção ou infestação endocervical e infecção ou infestação endometrial, específico ou não.

Tipos de estágios crônicos


Em geral, todos os tipos aqui considerados, em seus estágios crônicos, complicam consideravelmente a aparência do esfregaço e poderão perturbar ou até impedir o diagnóstico hormonal.
Se existe uma inflamação tem que haver uma causa que o citologista deve encontrar ou, pelo menos, suspeitar e esclarecer, com a colaboração do clínico e/ou de outros métodos laboratoriais.
Chamamos inadequadamente de infecção inespecífica, quando o esfregaço apresenta os critérios citológicos inflamatórios sem que o agente causal tenha sido identificado.

Vejamos os critérios citológicos para a identificação da condição:

– Pequeno número de células parabasais, muito semelhante às encontradas nos esfregaços atróficos.
– Muco, é geralmente abundante, espesso e de aspecto poluído. Contêm leucócitos, histiócitos, eritrócitos e grânulos de identificação problemática, que tem sido comodamente interpretado como bactérias ou como flora mista.

Na presença de infestação por tricomonas, o muco assume uma aparência particular que poderá ser considerada como patognomônica da presença do parasito e foi chamado de muco grumoso por Dib Gebara. O aspecto é o de leite coalhado, com granulações grosseiras e ocupando quase todas as áreas entre células e grupos de células.

Leucócitos

São vistos em agrupamentos grandes e densos, com alguns histiócitos de permeio. Ocasionalmente eritrócitos estarão presentes, especialmente quando a erosão cervical e o esfregaço foram tomados por meio do raspado.
Entretanto, leucócitos poderão ser encontrados em pequenas quantidades em casos de alterações inflamatórias, principalmente em condições crônicas.

Bacilos de Döderlein

A flora bacteriana vaginal, apesar de rica em condições inflamatórias, muitas vezes não surge inteiramente clara a fim de identificarmos os bacilos de Döderlein seguramente, sobretudo se o esfregaço é feito durante a fase pré-menstrual.

Hiperceratose

Outra entidade refletida nos esfregaços do trato genital do tipo inflamatório é a hiperceratose; além da descrição do esfregaço, encontraremos células ceratinizadas, isoladas ou em grandes grupamentos e inteiramente sem núcleos. Muitas vezes elas se coram em laranja intenso ou em amarelo.

Paraceratose

pequenos grupamentos de células ceratinizadas e alongadas, com citoplasma laranja escuro, com núcleos picnóticos que também poderão ser alongados, caracterizam o fenômeno de paraceratose, muitas vezes encontradas em casos de cervicites, normalmente cervicite crônica.

Formação em pérola ou em roseta

São outras formações de células escamosas encontradas em cervicites muito comumente. Elas podem ser eosinófilas ou cianófilas, sendo as primeiras muito mais comuns.

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