Proteínas plasmáticas totais em Animais

As proteínas plasmáticas totais ou PPT referem-se a todas as proteínas do plasma, que são compostas pela albumina e pelas globulinas. As determinações das proteínas plasmáticas totais em acompanhamento ao hemograma são úteis para avaliação dos líquidos e eletrólitos, e ainda no diagnóstico de anemia.

O que é Albumina?

A albumina é a proteína mais abundante do plasma, pois representa entre 35 a 50% de todas as proteínas encontradas. Ela é sintetizada pelo fígado, assim como a maioria das demais proteínas, em uma taxa diária de 150 a 200 mg/kg em todas as espécies de animais domésticos; a taxa de produção da albumina nunca é elevada, mas pode haver diminuição em problemas hepáticos, por exemplo. As funções da albumina são:

Manter a pressão oncótica do plasma, onde se pode dizer que a albumina é responsável por cerca de 75% da manutenção dos líquidos no interior dos vasos sanguíneos;

Servir como o maior reservatório de aminoácidos do organismo;

Transportar a maior parte dos componentes do plasma, exceto aqueles que possuem substâncias específicas para seu transporte, por exemplo, o ferro e o cobre Esse transporte de substâncias através da albumina as torna solúveis e facilmente transportáveis pelo sangue, impedindo ainda que sejam eliminadas pelos rins.

Com isso, estes compostos podem ser catabolizados por todos os tecidos metabolicamente ativos do organismo e diversas substâncias são carreadas de um lado a outro do corpo do animal.

A meia-vida da albumina é variável conforme a espécie em questão, sendo de cerca de oito dias em cães, 15 dias em seres humanos, 16 em bovinos e 19 em equinos.

O que são globulinas?

Já as globulinas são proteínas que migram conjuntamente em campos elétricos através de eletroforese em acetato de celulose constituindo famílias, divididas em alfa (α), beta (β) e gama (γ) de acordo com seu tamanho e carga elétrica. As proteínas são em geral negativas, sendo a albumina fortemente negativa e as globulinas fracamente negativas. As principais globulinas são:

Alfa (α)

Antitripsina, que inibe a tripsina; HDL (lipoproteína de alta densidade), VLDL e LDL (lipoproteína de baixa densidade), todas transportam lipídios; α2-macroglobulina que se liga à insulina; eritropoetina, que estimula a eritropoese e a trombopoese; ceruloplasmina, transportadora do cobre; e haptoglobina, que se liga à hemoglobina livre.

Beta (β)

Transferrina, que transporta o ferro; hemopexina, que se liga ao heme (da hemoglobina); C3 e C4, fatores do sistema complemento; plasminogênio, componente da fibrinólise; e o fibrinogênio, participante da coagulação e processos inflamatórios.

Gama (γ)

São as imunoglobulinas, ou seja, os anticorpos. São diversos anticorpos, diferenciados conforme as espécies animais e outras características.
A importância da avaliação da PPT em um exame de sangue deve-se especialmente às suas alterações quantitativas, referidas como hiperproteinemia, quando o nível de proteínas circulantes no plasma é maior do que o esperado; e, hipoproteinemia, quando ocorre o oposto, ou seja, o nível de proteínas é menor do que o esperado.

Além da espécie animal em avaliação interferir na quantidade esperada de PPT, outro fator que influência significativamente este parâmetro é a idade do animal, a qual deve ser conhecida no momento da interpretação do resultado.

A idade do animal tem inferência?


A idade do animal interfere especialmente devido ao incremento dos níveis de anticorpos em relação ao momento do nascimento. Ao nascer, um animal possui baixos níveis de proteínas plasmáticas, pois recebia sua nutrição apenas através da placenta; contudo, logo após a primeira ingestão de colostro esses níveis modificam.

Isso persiste ao longo do crescimento e amadurecimento do animal, especialmente porque além da mudança de fonte alimentar (leite materno para outras fontes de proteínas) também há o contato com número cada vez maior e mais variado de antígenos e consequente produção de anticorpos.

Outro fator fisiológico que pode interferir nos níveis de PPT é a gestação. A gestação desencadeia uma diminuição dos níveis de albumina e um aumento nas globulinas, o que pode levar a um resultado de aumento na PPT.


Estas globulinas produzidas a mais têm a finalidade de ser encaminhadas para o colostro, o que ocorre com o término da gestação. De acordo com a migração das globulinas para o colostro e o retorno gradativo da albumina ao ser valor normal, a PPT também se restabelece, voltando aos valores encontrados anteriormente.
Já entre as causas patológicas de alteração da proteína temos aquelas que levam a hiperproteinemia e aquelas que levam a hipoproteinemia.

Quais são as causas patológicos de hiperproteinemia?

Entre as causas patológicas de hiperproteinemia estão:

Desidratação: a perda de líquidos acarreta um aumento relativo, isto é, falso, das proteínas plasmáticas; nessas situações também há aumento relativo do número de hemácias, levando a uma hemoconcentração.

Processos infecciosos: especialmente os crônicos, os quais elevam a PPT proporcionalmente a resposta imunológica que induzem.

Processos imunomediados: que desencadeiam a elevação da PPT por aumento da(s) globulina(s) envolvida com o processo imunomediado em questão.

Pós-vacinação: as vacinas estimulam a resposta imunológica do animal, assim aumentos da PPT podem ocorrer devido a este estímulo, que não é necessariamente patológico.

A concentração elevada de outros metabólitos do sangue como a glicose, uréia, sódio ou cloretos pode causar um falso aumento da PPT. Sendo necessária esta informação para avaliação do quadro real do animal.

Quando a Hipoproteinemia pode acontecer?

Já a hipoproteinemia pode ocorrer em diversas ocasiões, entre elas:

Desnutrição: nas situações de desnutrição, nas quais o animal não adquire proteínas suficientes em suas fontes alimentares para atender a demanda do organismo, não há sinterização adequada nem da albumina nem das globulinas.

Insuficiência pancreática: do tipo exócrina, na qual o animal pode até se alimentar adequadamente, mas como não consegue absorver as proteínas sofre de hipoproteinemia. Na pancreatite ocorre deficiência da tripsina, enzima responsável por desdobrar as proteínas em aminoácidos no trato gastrointestinal para que estas possam ser absorvidas.

Insuficiência hepática: suficiente para causar hipoproteinemia somente quando pelo menos 80% do parênquima hepático encontra-se afuncional, impedindo a síntese adequada de proteínas, principalmente a albumina.

Hemorragias agudas ou crônicas: as quais levam a perda de todos os componentes do sangue, inclusive as proteínas.

Enfermidades exsudativas: que levam a perda de líquidos corporais sem que ocorra necessariamente a perda de células sanguíneas em conjunto, por exemplo, queimaduras da pele, que quanto mais extensas, pior ou em gastroenteropatias com perda protéica na diarréia.

Nefropatias: os rins são responsáveis por impedir a perda de proteínas pela urina, no entanto quando estes já não funcionam devidamente, há a perda de proteínas pela urina, conhecida como proteinúria.

Outras situações que podem levar a hipoproteinemia são neoplasias invasivas ou situações de imunodeficiência que levem o animal a ausência ou diminuição da produção de anticorpos, conhecidas respectivamente como agamaglobulinemia ou hipogamaglobulinemia.

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