Resposta Leucocitária nos Animais

A resposta leucocitária dos animais aos processos inflamatórios é semelhante, contudo o quadro leucocitário que se instala varia com a espécie animal. Esta variação se deve a leucometria diferencial normal ser diferente entre as espécies de animais, isto é, normalmente, as quantidades dos cinco tipos de leucócitos são diferentes entre as espécies.

Outro fator que diferencia a resposta leucocitária dos animais, de maneira significativa, é a relação neutrófilo/linfócito. A relação neutrófilo/linfócito em diferentes espécies é a seguinte:

• Cães: 3,5 (isto é, normalmente os cães apresentam três vezes e meia mais neutrófilos do que linfócitos);
• Gatos: 1,8;
• Equinos: 1,1;
• Bovinos: 0,5;
• Seres humanos: 1,5.

Na fase aguda da inflamação há um aumento na liberação endógena de corticoides, o que desencadeia em cães leucocitose com neutrofilia, linfopenia, eosinopenia e também monocitose. Enquanto isso, nos bovinos ocorre leucopenia com neutropenia, linfopenia, eosinopenia e monocitopenia.
Nos cães, a resposta da medula óssea é imediata, elevando o número de mitoses das células-tronco e reduzindo o tempo de maturação dos leucócitos. Assim, nesta espécie dificilmente ocorre leucopenia, porque o número de neutrófilos é muito maior e a resposta da medula é muito mais rápida, e mesmo com a migração para os tecidos, o número de neutrófilos circulantes não reduz a ponto de ocorrer neutropenia ou leucopenia.
Nos bovinos, a resposta aos processos inflamatórios varia com o passar do tempo. Nas primeiras seis a vinte e quatro horas, ocorre migração dos neutrófilos para o local da inflamação, desintegração dos eosinófilos e linfócitos e a medula óssea não consegue responder a tempo, provocando leucopenia. Entre 24 horas e três dias após a instalação do processo inflamatório, a medula óssea já passa a liberar neutrófilos, inclusive os jovens, aparecendo o DNNE, que pode ser degenerativo. Depois, a medula óssea, com mais tempo para produzir e amadurecer as células, consegue estabilizar a leucometria e o DNNE é não degenerativo. Nos gatos, a intensidade da leucocitose não é tão acentuada como nos cães. E nos equinos é menor ainda.
Outra diferença entre os animais no processo inflamatório está nos níveis de fibrinogênio, que nos cães e gatos somente se elevam em situações específicas, enquanto nos bovinos e equinos aumentam em praticamente todos os processos inflamatórios. O fibrinogênio plasmático e suas alterações serão detalhadamente abordados no próximo módulo.Considerando-se a evolução do processo inflamatório, a resposta também é variável conforme a espécie animal. Nos carnívoros, as alterações observadas incluem:

• Fase aguda: leucocitose, neutrofilia, DNNE, linfopenia, eosinopenia, e monocitose no caso de cães;
• Fase crônica: leucocitose, neutrofilia, DNNE discreto, linfócitos em quantidades normais ou aumentadas, reaparecimento dos eosinófilos e monocitose;
• Fase convalescência: neutrófilos voltam ao número normal, linfocitose, eosinófilos e monócitos em número normal ou aumentado.

Nos cães, se o processo inflamatório tem caráter crônico e supurativo, primeiro ocorre DNNE, depois com a estafa da medula óssea, os neutrófilos permanecem por mais tempo na corrente sanguínea, sofrem hipersegmentação e ocorre DNND em conjunto.

Nos bovinos, a resposta ao processo inflamatório pode ser resumida da seguinte forma:

• Fase aguda (6 a 24 horas): leucopenia, neutropenia, linfopenia, eosinopenia e monocitopenia;
• 24 horas a 3 dias: leucopenia, neutropenia, DNNE que pode ser degenerativo, linfopenia, eosinopenia e monocitopenia;
• 3 a 4 dias: contagem global de leucócitos normal ou aumentada, neutrofilia, DNNE não degenerativo, linfopenia, eosinopenia e monócitos em contagem normal ou diminuída;
• Fase crônica: neutrofilia, linfócitos e eosinófilos reaparecem, monocitose;
• Fase de convalescência: neutrófilos retornam ao número normal, linfocitose.

De modo geral, algumas afirmações podem ser feitas sobre a resposta aos processos inflamatórios a fim de se chegar a algumas conclusões: quanto maior a demanda tecidual, mais intensa a neutrofilia; quanto maior a virulência do patógeno, mais intenso o DNNE; apenas o cão apresenta monocitose na fase aguda de processos inflamatórios; a neutrofilia na fase crônica não é tão intensa como na aguda; quanto mais crônico o processo, maior a linfocitose.
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