Serviço Social: processo de trabalho do assistente social

Pensar sobre a prática profissional é pensar numa relação teoria – prática. Uma relação que ao mesmo é – e deve realmente ser – muito próxima, entretanto – por vez – torna-se equidistante e conflituosa.
O trabalho do assistente social acontece num contexto social que é caracterizado por questões sociais contraditórias e sua prática é definida a partir da questão da identificação do seu objeto que sofrerá a ação, ou seja, a questão social.
A questão social é o cerne do Serviço Social. Isso porque a assistência social é o eixo gerador das desigualdades e da exclusão social, expressas nas situações sociais.

Mas o que é a prática profissional?

A reflexão sobre a prática profissional é o elemento central de uma formação profissional. É com a prática profissional que o assistente social exercita sua profissão e demonstra se construiu os conhecimentos necessários que farão dele um bom profissional.
Assim, podemos entender como a relação teoria x prática acontece e como uma se alimenta da outra possibilitando uma construção profissional coerente.

Portanto, há, na verdade, uma relação íntima entre teoria e prática, pois na primeira define a intencionalidade da prática profissional, constituindo nisto uma unidade dialética, aberta e rica (LOPES, 2008. P. 34).
Dessa forma, o espaço que o profissional irá conquistar é proporcional a qualidade do seu fazer profissional. Assim Guareschi (apud Faustini, 1995, p.21) afirma que a “prática pode ser entendida como uma ação consciente e planejada, ou não consciente e intencional. Além disso, deve ser percebida como uma ação que transforma, que muda ou, simplesmente, reproduz a realidade”.

As práticas profissionais podem ser de diferentes naturezas, a saber:
• prática econômica;
• prática científica;
• prática ideológica;
• prática política.

Essas práticas se desenvolvem nas entrelinhas da sociedade, e perpassam um pelo outro sem que sejam percebidos ou possam ser identificados separadamente. São práticas sociais que identificam tempo e espaço em que acontecem, bem como as formas das relações objetivas e subjetivas entre os sujeitos, meios e objetos.

Essas práticas, sejam quando vistas de forma interligadas ou independentes, tem um significado, uma intencionalidade que justifica as ações humanas. Portanto, podemos concluir que a prática social é correlacionada com o momento e contexto social em que se dá, indicando possibilidades reais de construção ou reprodução de um comportamento e/ou conhecimento.
Dessa forma, ao se refletir sobre a prática profissional, questionamento sobre o como pensar, deve vir antes do que pensar. Isso irá garantir a apropriação de um método que permite agir sobre a realidade e as demandas sociais da comunidade em que se está inserido.

Ambientes para desenvolver o serviço social

O Serviço Social se desenvolve num cenário de criação de ambientes propícios a prática profissional, rompe com paradigmas tradicionais e com o senso comum e cria suas raízes em um ambiente político uma vez que incita a participação da sociedade.

Vamos ver algumas ideias de autores sobre o exercício da prática profissional do assistente social:

• Ao ser criada a profissão, foi definida como “prática social”, concebida no âmbito da “ajuda social”. Evoluiu no processo de pensar-se a si mesma e à sociedade, gerando novas concepções e autorrepresentações como “técnica social”, “ação social modernizante” e posteriormente “processo político transformado”. Hoje põe ênfase nas problematizações da cidadania, das políticas sociais em geral e, particularmente, na assistência social (LOPES apud GENTILLI, 2008. p. 36).
• A prática profissional é sinônimo de exercício ou trabalho profissional. Esta prática profissional necessita de saberes que são explicativos da lógica dos fenômenos e outros que são interventivos. Toda prática tem implicações éticas e políticas (LOPES apud GUERRA, 2008. p. 36).
• A prática do serviço social é construída sobre sua dimensão política, pois sinaliza uma:
– direção ética: compreende um caminho a ser seguido, não podendo ser considerada pronta e acabada;
– construção coletiva: construída com os sujeitos;
– competência coletiva: configura-se em transformar a realidade, em que o exercício profissional cotidiano é o exercício político (LOPES apud MARTINELLI, 1994, p. 36).

O serviço social no Brasil


No Brasil, o Serviço Social foi reconhecido como profissão por volta de 1930, momento em que acontecia um movimento social intenso e com ampla influência da igreja católica. Ele é divido em dois: o serviço social da ajuda e da divisão social do trabalho.
No que se refere a “ajuda” o serviço social estava para um sentido mais humano, de caridade, solidariedade e ajuda ao próximo, coerente assim com os preceitos da Igreja Católica.
Quanto a divisão social do trabalho, o serviço social situava-se na reprodução das relações sociais, sendo “uma estratégia de controle social” (LOPES, 2008).
Assim, a Igreja junto com o Estado criavam estratégias de dominação e rigidez a fim de desmoralizar o movimento social popular que se formava. Ajudavam os menos favorecidos com ajudas materiais com o verdadeiro intuito de exercer sobre estes controles sociais.
Atualmente esses valores estão sendo revistos e em função disto se fala em questão social e não mais em – apenas – ajudar materialmente os mais empobrecidos.

Segundo Lopes (2008) o processo de trabalho do serviço social se constitui de:

• Objeto – é a questão social propriamente dita. Atualmente o papel do assistente social é político, é de articulador e mobilizador das capacidades dos sujeitos.
• Meio – são os instrumentos utilizados, sejam humanos, materiais, financeiros, capital intelectual, e outros. Também entram nesse arcabouço as entrevistas, relatórios de visitas, análises institucionais e pesquisas.
• Produtos – é o resultado propriamente dito, sejam eles diretos ou indiretos. É o que viabiliza ações gerando efeitos sociais.
• Finalidade – o que é desejado.

Entretanto para que a prática profissional do assistente social seja eficaz e eficiente, com base nos elementos acima brevemente descritos, há algumas dimensões essenciais que devem nortear o trabalho, vejamos:

• Dimensão teórico–metodológica –
 apropriação dos conhecimentos teóricos a fim de nortear o desenvolvimento da prática. Segundo Lopes (2008) é “necessário capacitar para o exercício da prática sustentada em uma sólida base teórico-metodológica.” Este alicerce criado é o que possibilita a construção de uma rotina profissional e estimula a criação de um ambiente voltado para inovações e processos criativos.
• Dimensão técnica – operativa – viabilizada pelas capacidades dos assistentes sociais em utilizar os instrumentos e elementos que pautam o seu trabalho articulado com a prática profissional formando competências essenciais ao exercício da profissão.
• Dimensão ética – política – envolve as discussões em torno do código de ética do assistente social, legislações pertinentes e bases pedagógicas que norteiam o seu trabalho e – por sua vez – sustentam a concepção de sociedade que estamos dispostos a construir.

Todos esses elementos, vistos de forma sistêmica auxiliam o profissional no processo de reflexão sobre sua prática, o que contribui para a estruturação do processo político das demandas do serviço social.
Segundo Faustini, antes de sermos técnicos que manejam técnicas e instrumentos na ponta da reprodução das relações sociais, temos que ser intelectuais, profissionais teóricos – críticos […] rompendo com a subalternidade de classe, que também marca nossa história enquanto profissão e contribuindo para emergir novas formas de hegemonia na sociedade (FAUSTINI, 1995. P. 62).

Alguns objetivos da profissão

VII – planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais;
VIII – prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo;
IX – prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
X – planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social;
XI – realizar estudos socioeconômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.

O Serviço Social é uma profissão de nível superior, mas para que possa ser exercida, o profissional deve ter seu diploma apresentado no Conselho Regional de Serviço Social (CREES).

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