Teoria do Vínculo

Ao falarmos de vínculos, não mediamos antes o seu conceito porque era necessário o viés comum que demonstra o vínculo como um laço de família, muito forte em sua estrutura.

Mas, há um ditado popular que diz: “Nenhum homem é uma ilha”. Esta assertiva confirma a conclusão de Lacan, quando afirma que o indivíduo é um ser de linguagem e, assim, um ser social. Freud, no começo do desenvolvimento de sua teoria, sugeriu a não existência de uma psicologia individual, mas social, que integrasse aspectos múltiplos que interagem na realidade de forma sistêmica.

Entendendo a partir da psicologia social

A partir da perspectiva de que toda Psicologia é Social, Henrique Pichon-Rivière constrói a Teoria do Vínculo, referendando-o como o esquema referencial fundamental e básico, definindo-a como vincular e intravincular.

O vínculo faz parte da nossa vida, ainda na vida intrauterina quando começa a nossa relação com o mundo externo. Nessa perspectiva, começamos a estabelecer vínculos, inicialmente com a voz de nossos pais (e familiares).

Em casos, em que o parto traz algumas complicações, que coloca em risco a mãe e o bebê, a criança pode ter a primeira depressão, que pode ser amenizada através do primeiro vínculo com o mundo externo que é com a sua mãe. Por isso a grande importância dada pela medicina, nas últimas décadas, em dar atenção ao contato do bebê com o corpo da mãe imediatamente após o parto, estando presente, inclusive, o pai. Nesse sentido, Lima, analisa que:

A qualidade das relações estabelecidas nos primeiros anos de vida poderá ser um fator determinante do processo de desenvolvimento cognitivo e emocional. O dar o seio não é tão importante quanto o como o seio é dado, como as demais solicitações da criança são atendidas. A criança incorpora não só o leite da mãe, mas suas carícias, sua voz, seu cheiro.

A teoria a partir da visão de Pichon

A teoria do vínculo, da qual Pichon é o precursor, propõe que em todo interior de um grupo as relações intensas que são caracterizadas pelos papéis e funções de cada um, exige ações que se completam com o modo de viver o grupo e pertencer a ele. Nessa perspectiva, cada elemento do grupo familiar tem papel a cumprir e, toda a sua forma de agir, comunicar, pensar e sentir, influenciará no funcionamento desse grupo.

Por assim ser a dinâmica do grupo, os vínculos representam o status de articulação interna dos membros da família, ou seja, a mãe é a mãe, nunca poderá ser a tia, a não ser de seu sobrinho; o pai é o pai, nunca poderá ser ninguém – como ocorre em algumas relações que se findam e a mãe renega a figura do pai para o filho; os avós não podem ser pais, mesmo que cumpram essa tarefa com profundos laços amorosos, nada substitui os pais.

O aluno desse módulo sabe o que afirmo, porque estamos sempre em contato com situações que nos apontam a verdade sobre os vínculos. Por exemplo: sabemos de pais adotivos que amam profundamente seus filhos como que nascidos deles; mas, o filho adotado, mais cedo ou mais tarde, terá percepções afetivas e físicas, indicando que algo não está certo, requerendo a verdade sobre sua origem. 

Sempre sugiro aos pais adotivos, que na medida em que a criança passa a entender-se e relacionar-se saiba da verdade. Não se trata de infligir à criança o sofrimento, mas o oposto, que é suprimir as dúvidas que trazem sofrimento.

Também sabemos que os avós que assumem a formação de seus netos, porque, por algum acidente, os pais não estão presentes, sofrem com as angústias de seus netos (filhos). Nesse caso, a verdade não foi omitida para a criança, mas sempre haverá a dúvida se as coisas realmente tinham que ser assim.

Assim, podemos relatar várias situações que conhecemos de perto, e que confirmam o poder que o vínculo exerce na nossa vida. Alguém esquece o primeiro amor? Como esquecer dos amigos e, quantos passaram pela nossa vida? O que se dirá, então, dos vínculos maternais, parentais e filiais?

Por mais tumultuados e conflituosos que sejam, os vínculos são espelhos que refletem a dinâmica do grupo e, a qual, a criança revela com sinceridade que lhe é comum. Por isso conta para todos da escola quando os pais brigam; por isso, choram se são repreendidos; por isso, assumem a postura desafiante na escola ante o(a) professor(a). 

Porque se os pais brigam, a criança reprova, mas não tem poder de mudar esta situação; se é repreendida de forma que não lhe explicam os porquês de seu ato, chora pela insegurança; se seus pais discutem, gritam e não dialogam sobre as situações, entenderá que a resistência é a melhor estratégia para não atender aos comandos. Enfim, vínculos complexos, comportamentos adversos. E isso é fato!

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