Teoria inatista

No âmbito da aprendizagem, a discussão e as teorias permeiam a história da sociedade. Platão, Aristóteles e Jean Piaget são teóricos que possuem visões diferentes sobre a aquisição de conhecimento pelos indivíduos. Assim, podemos dizer que existem três principais vertentes de pensamento nesse ínterim, inatismo, empirismo e construtivismo.

Nesse artigo vamos abordar mais a fundo a linha pedagógica que trata da teoria inatista como a finte de aprendizado do ser humano. Essa vertente de abordagem vêm de Platão (427-437 a.C), sendo posteriormente aperfeiçoada por estudiosos da pedagogia, como veremos ao longo do texto.

Valoriza a hereditariedade, aquilo que é inato ao ser humano. De acordo com esta corrente de pensamento, ao nascer já traríamos na herança genética as qualidades e capacidades básicas do ser humano. Segundo Fontana (1997, p. 12),


“Os fatores inatos são mais poderosos na determinação das aptidões individuais e do grau em que estas podem se desenvolver do que a experiência, meio social e a educação. O papel do meio social, segundo esta perspectiva inatista, se restringe a impedir ou a permitir que estas aptidões se manifestem.”


Alfred Binet foi um médico que investigou a psicologia da criança e do deficiente; este interesse tornou-o um dos pioneiros no estudo da avaliação da inteligência, pois acreditava que a herança genética de cada um poderia interferir no seu desempenho (FONTANA, 1997).


Binet concebia a inteligência como uma aptidão geral que não dependia das informações adquiridas no decorrer da vida, e conforme o autor citado, o que define a inteligência de um indivíduo não é a quantidade de conhecimentos que ele possui, mas sua capacidade de julgar, compreender e raciocinar. E estas capacidades não podem ser aprendidas, mas ao contrário, são biologicamente determinadas pela herança que recebemos de nossos pais.


Embora se respeitasse a ideia das diferenças geneticamente herdadas, observava-se, contudo a semelhança no que se refere ao desenvolvimento humano. O médico, professor e Doutor em psicologia, Arnold Gesell, dedicou seu estudo à evolução da criança – do nascimento aos 16 anos – do desenvolvimento físico, motor e comportamental; priorizando seu foco de investigação sobre a maturação, que segundo Falcão (2002, p. 46 e 47), é o “processo de diferenciações estruturais e funcionais do organismo, levando a padrões específicos de desenvolvimento ”.


Considerando as premissas da Teoria Inatista, a evolução psicológica da criança também seria determinada biologicamente e, ao meio social apenas restava limitar ou facilitar tal evolução. Podemos observar que ambos os estudiosos da Teoria Inatista tem formação médica e, considerando suas crenças pessoais e profissionais, tendem a valorizar os aspectos fisiológicos, estruturais do ser humano.


Agora pensemos em nós: será que acataríamos alguma derrota ou limitação pelo fato exclusivo de não termos herdado geneticamente esta ou aquela característica? Será que é possível superar dificuldades, estudar, crescer mesmo com pais analfabetos? É verdadeiro o ditado popular que “Filho de peixe, peixinho é?”


Conclui-se, portanto, a prevalência do desenvolvimento sobre a aprendizagem nesta Teoria. A cada fase do desenvolvimento, o ser humano aprende novos conhecimentos. É como se a aprendizagem estivesse dependente do desenvolvimento e esta é uma crítica à Teoria Inatista, no que se refere à Educação. Será que todos aprendem do mesmo jeito, em quantidade e qualidade, quando tem a mesma idade cronológica? Seria o processo de maturação determinante para a execução de tarefas e construção de novos conhecimentos? Na visão Inatista, a Educação é um processo de dentro para fora.


Há, porém que salientar o valor pessoal de cada indivíduo, segundo a abordagem Inatista. Valorizar as qualidades, o potencial, o que já está guardado dentro de cada um, respeitar as individualidades, a singularidade do ser humano apresenta-se como a contribuição desta Teoria para a Educação. Davis (1990. p. 27) traz uma citação de Rousseau, do seu livro Emílio, que ilustra a determinação que o caráter hereditário ou genético tem na vida do ser humano:


A Natureza, dizem-nos, é apenas hábito. Que significa isto? Não há hábitos que só se adquirem pela força e não sufocam nunca a natureza? É o caso, por exemplo, do hábito das plantas, cuja direção vertical se perturba.


Em se lhe desenvolvendo a liberdade, a planta conserva a inclinação que a obrigaram a tomar; mas a seiva não muda, com isto, sua direção primitiva; e se a planta continuar a vegetar, seu prolongamento voltará a ser vertical. O mesmo acontece com os homens.


À escola cabe apenas oferecer um espaço de liberdade para que aflore o potencial de cada aluno.

Receba novidades dos seus temas favoritos

Se aprofunde mais no assunto!
Conheça os cursos na área de Conhecimentos Gerais.

Mais artigos sobre o tema