Uso de Capela e Cabines de Segurança Biológica

Para que se possam realizar procedimentos laboratoriais com determinados agentes biológicos e químicos, é preciso a utilização de mecanismos de segurança. Dentre estes encontram-se as capelas e cabines, abaixo vamos abordar mais abertamente cada um destes materiais.

Capela
Capelas são câmaras para manipulação de reagentes e substâncias tóxicas e voláteis. Os frascos contendo estes reagentes devem ser abertos apenas dentro da Capela, com o sistema de exaustor ligado e com a tampa frontal parcialmente aberta, com espaço suficiente apenas para colocar os braços dentro. Apesar de estar trabalhando dentro da capela com os reagentes tóxicos e perigosos ainda é obrigatório o uso de EPI para este tipo de manipulação, como óculos de segurança, luvas e dependendo do tipo de produto, se muito concentrado e/ou tóxico, até máscara com sistema de filtração.

Cabines de segurança biológica

As Cabines de Segurança Biológica (CBS) tem por objetivo proteger o operador, o meio ambiente e as amostras manipuladas. Há vários níveis de CBS que dependem do grau de segurança necessário e nível de periculosidade dos agentes biológicos envolvidos nas atividades. A seguir conheceremos quais são os tipos existentes de Cabines de Segurança Biológica.

CBS Classe I

O ar é sugado para a cabine através da abertura frontal, circula pelo seu interior e depois é eliminado por um condutor que fica na parte de trás da cabine, passando antes por um filtro especial – filtro HEPA. Quando manipulamos meios líquidos e amostras podemos gerar aerossóis que consiste no desprendimento de partículas microscópicas contendo os agentes infecciosos – vírus, bactérias, etc.

O sistema das cabines de segurança faz o ar no interior da cabine circular, evitando dessa forma que estes aerossóis e que os agentes infectantes permaneçam na cabine.

CBS Classe II

As câmaras da Classe II diferem das anteriores por proteger também o interior da cabine de contaminações externas. O ar que entra na cabine passa antes por um filtro do tipo HEPA e assim tanto operador quanto amostras são protegidas de contaminações. Neste sistema 70% do ar é recirculado dentro da cabine e 30% é expelido, depois de passar por outro filtro HEPA. As CBS Classe II são adequadas para a manipulação de agentes dos grupos de rico 2 e 3.

Existem quatro tipos de CBS da Classe II : A1, A2, B1 e B2. A diferença entre eles está na quantidade de ar recirculado e a velocidade de captação externa do ar. Sendo que as CBS Classe II dos tipos B possuem no máximo 30% de recirculação do ar.

CBS Classe III

Esse tipo de cabine oferece a maior proteção para o operador e é o tipo indicado para uso com agentes biológicos do grupo de risco 4. O ar expelido da cabine passa por um sistema de filtração com 2 filtros HEPA e atua com pressão negativa, ou seja, nenhum ar sai da cabine a não ser pelo sistema de filtragem. A manipulação na CBS Classe III costuma ser realizada com luvas grossas de borracha presas a mangas na parte frontal da cabine, sendo essa totalmente vedada.

Trabalhando com cabines de segurança biológica

Independente da Classe de segurança alguns cuidados são necessários antes, durante e após a operação na Cabine de Segurança Biológica, para a garantia da qualidade do trabalho e segurança do meio ambiente e operador.

Luz ultravioleta

A maioria das cabines possui lâmpadas de luz ultravioleta que servem para esterilização antes e após o uso da cabine. Essa lâmpada deve ficar acesa de 15 a 30 minutos apenas. É preciso ter uma planilha para anotação acumulativa das horas utilizadas, pois, este tipo de lâmpada possui um período de vida útil e após este tempo não tem mais o mesmo poder de ação esterilizante. Também não se deve olhar diretamente para a luz ultravioleta e nem usar a cabine com ela acessa, pois ela pode queimar a pele e córnea, sendo recomendado que quando esta luz estiver acesa evitar ficar por perto.

Limpeza
A limpeza da cabine deve ser realizada antes do uso, antes de ligar a luz ultravioleta e após o uso, após o período de esterilização com a luz ultravioleta. A limpeza deve ser realizada com algodão ou gaze embebido em álcool 70%. Em casos especiais, quando há uso com agentes biológicos de maior risco, deve-se primeiro efetuar uma limpeza com hipoclorito de sódio diluído e depois um enxágue com água no mínimo destilada, terminando a limpeza com álcool 70%. Uma vez por semana, ou em menos tempo dependendo do uso da cabine, deve ser feita uma limpeza mais profunda. Nesta limpeza profunda toda a área de trabalho deve ser lavada com água e sabão neutro e enxaguada. Em qualquer processo de limpeza deve-se ter muito cuidado para não molhar e estragar os filtros HEPA. O enxágue deve ser feito de forma delicada, não jogando água, mas sim com o auxílio de uma esponja ou pano, exclusivos para esta finalidade ou com gaze e algodão.

Cuidados durante operação CBS

Depois de limpar, passar álcool 70% e ligar a luz ultravioleta, o motor da cabine deve ser ligado e permanecer em repouso por 15 a 30 minutos antes do uso. Este repouso é necessário para que haja uma renovação do ar dentro da cabine, garantindo desta forma que o ar interno ao início do procedimento esteja estéril.

Todo o sistema da cabine tem como princípio a circulação de ar, há uma ‘cortina’ de ar na abertura frontal que evita a entrada de ar que não seja previamente filtrado. Por isso não pode haver circulação de pessoas na frente da CBS, a cabine deve ser posicionada, dentro do laboratório, de forma a evitar este tipo de situação, evitando, por exemplo, colocá-la em frente a uma porta. O operador também não pode trabalhar com movimentos bruscos, para evitar a ‘quebra’ desta cortina de ar, devendo, inclusive, aguardar alguns minutos depois de organizar os materiais e já com as mãos dentro da cabine.

Todo material que será utilizado dentro da cabine deve ser previamente desinfetado de alguma forma. O mais comum é embeber todo o material com álcool 70% antes de colocá-los dentro da cabine. As vidrarias e insumos embalados devem ser colocados fechados e passa-se álcool no exterior da embalagem, sendo abertos apenas dentro da cabine, garantindo a esterilidade até o momento do uso.

Não é obrigatório o uso de luvas de procedimento para o uso da cabine biológica, sendo este condicionado ao tipo de manipulação e procedimento que serão realizados. Independente do uso ou não de luvas, o operador deve sempre atentar para a ‘esterilidade’ de suas mãos. Antes de iniciar qualquer trabalho as mãos devem ser cuidadosamente lavadas e antes de colocar as mãos dentro da cabine, passar álcool 70% nas mãos. É comum utilizar um algodão ou gaze embebidos com álcool 70% ao lado para limpeza das mãos quando necessário. Todos os recipientes e materiais devem ser manipulados com cuidado para não encostar as mãos nas aberturas e dentro de tampas e em tampões. Outra coisa importante é não passar com a mão sobre frascos abertos, para evitar cair partículas e consequentemente contaminações dentro destes frascos.

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