A linguagem infantil: Fases do desenvolvimento

A linguagem permite a aprendizagem de noções como de tempo, espaço e desenvolve a capacidade de raciocínio. O desenvolvimento da linguagem e da fala está intimamente ligado, porém este processo caminha, de certa forma, separado. A linguagem é o aspecto mais amplo, ou seja, é a capacidade de comunicar-se, de compreender e ser compreendido (expressões faciais, tremores, lágrimas e sorrisos); já a fala é a expressão desta, isto é, a forma como transmitimos as nossas ideias.

Toda linguagem carrega significados que correspondem a um conhecimento social, geral, mas estes não são compreendidos pela criança somente por meio das informações linguísticas. Apesar de ter o domínio da gramática prematuramente e usar os mesmos termos da linguagem dos adultos, isto não significa que a criança atribua aos termos os mesmos significados que aqueles. Os significados da linguagem da criança se restringem à compreensão ainda limitada de um mundo que ela tem. Portanto, é de extrema necessidade a interação adulto/criança, pois a linguagem depende desta interação para constituir-se.

Desta forma a linguagem deve ser concebida no contexto da interação social, não simplesmente como meio de transmissão de informação, mas sim como projeção das próprias pessoas, veículo de trocas, de relações, como meio de representação e comunicação. A linguagem é, por um lado, um meio de interação, de relação e de construção do conhecimento; e, por outro lado, algo que a criança precisa conhecer e dominar.

Segundo Zorzi (1991, p.17-42) “o retardo de linguagem diz respeito ao atraso no aparecimento da linguagem, ou mesmo na sua evolução mais lenta, podendo atingir o aspecto de compreensão e expressão verbal”. Com relação aos possíveis fatores emocionais na origem do retardo de linguagem, Spinelli (1986, p. 169-178), enfatiza que

[…] frequentemente o que se vê são distúrbios de comunicação em sentido amplo, verbal e não verbal, e que diversos são os fatores relacionados ao desenvolvimento da linguagem. Portanto, esta é uma patologia complexa, de origem nem sempre identificada, de múltiplas manifestações.

O sistema da linguagem tem uma complexidade que envolve a rede de neurônios distribuída entre várias regiões cerebrais. Em contato com os sons do ambiente, a fala inclui múltiplos sons que ocorrem simultaneamente, em várias frequências e com rápidas transições entre estas. O ouvido tem de sintonizar este sinal auditivo complexo, decodificá-lo e transformá-lo em impulsos elétricos, os quais são conduzidos por células nervosas à área auditiva do córtex cerebral, no lobo temporal. Este reelabora os impulsos, transmite-os às áreas da linguagem e armazena a versão do sinal acústico por certo período de tempo.

O cérebro é um órgão flexível que se adapta constantemente a novas informações. Como resultado, as áreas envolvidas na linguagem de um adulto podem não ser as mesmas envolvidas na criança, e é possível que algumas zonas do cérebro sejam utilizadas apenas durante o período de desenvolvimento da linguagem.

Presume-se que o hemisfério esquerdo seja dominante para a linguagem em cerca de 90% da população; entanto, o hemisfério direito participa do processamento, principalmente nos aspectos pragmáticos.

Principais características do desenvolvimento de linguagem

0 a 3 meses

– Vocalizações (repetições de vogais e sons guturais) não linguísticas. Essas produções têm pouca influência da língua-mãe.

– Sorriso reflexo.

– Movimentos corporais bruscos ou acorda ao ouvir estímulo sonoro.

– Aquieta-se com a voz da mãe.

– Procura fonte sonora com movimentos oculares.

3 a 6 meses

– As vocalizações começam a adquirir algumas características de linguagem, ou seja, entonação, ritmo e inicia-se a modulação de ressonância.

– A fase de lalação aparece por volta dos 3 a 4 meses e se distingue por sua fonação lúdica. A criança sente prazer em balbuciar (brincar com os órgãos fono-articulatórios).

– Ao ouvir música tende a cessar o choro.

– Começa a voltar à cabeça em direção a um som lateral e próximo.

6 a 9 meses

– Pré-conversação. A criança vocaliza principalmente durante os intervalos em que é deixada livre pelo adulto, e também encurta suas vocalizações para dar lugar às respostas do adulto.

– Localiza diretamente a fonte sonora lateralmente e indiretamente para baixo.

– Responde quando chamada.

– Repete sons para escutá-los.

9 a 12 meses

– Localiza diretamente a fonte sonora para baixo.

– Reage paralisando a atividade quando a mãe fala “não”.

– Vocaliza na presença de música.

– Compreende algumas palavras familiares, por ex.: “mamãe, “papai”, “nenꔓ.

– Compreende ordens simples, por ex.: “bate palmas” e dar “tchau”.

– Vocalizações mais precisas e melhor controladas quanto à altura tonal e à intensidade. Agrupa sons e sílabas repetidas a vontade.

– Pede, recebe objetos e oferece-os de volta.

– Usa gestos indicativos.

– Surge a primeira palavra, muitas vezes não inteligível.

12 a 18 meses

– Surgem as primeiras palavras funcionais que, em geral, se dá um prolongamento semântico, por ex.: chama “cachorro” a todos os animais.

– Crescimento quantitativo de compreensão e produção de palavras.

– Localiza fonte sonora indiretamente para cima.

– Gosta de música.

– Compreende verbos que representam ações concretas (dá, acabou, quer).

– Identifica objetos familiares através de nomeação.

– Identifica parte do corpo em si mesma.

– Utiliza-se de palavra-frase (usa uma palavra que corresponde a um enunciado completo).

– Repete palavras familiares.

– Tenta contar.

18 a 24 meses

– Surgimento de frases de dois elementos.

– Localiza fonte sonora em todas as direções.

– Presta atenção e compreende estórias.

– Identifica parte do corpo no outro.

– Inicia o uso de frases simples.

– Usa gesto representante.

– Usa o próprio nome.

2 a 3 anos

– Iniciam-se sequências de três elementos, por ex.: “nenê come pão” (fala telegráfica).

– Aponta gravura de objeto familiar descrito por seu uso.

– Identifica objetos familiares pelo nome e uso.

– Aponta cores primárias quando nomeadas (vermelho, azul, amarelo…)

– Compreende o “Onde?” “Como?”

– Pergunta o que?

– Nomeia ações representadas por figuras.

– Refere-se a si mesmo na 3ª pessoa.

– Combina objetos semelhantes.

– Constitui frase gramatical simples (com verbos, preposições, adjetivos e advérbio de lugar).

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