Breve histórico sobre a influência da psicologia na educação

Para Cosmo (2006), compreender a influência da Psicologia na Educação passa necessariamente pelo conhecimento histórico da relação que envolveu essas duas áreas do conhecimento. A busca por esse conhecimento demanda, portanto, a elaboração de um breve resgate histórico identificando como essa relação foi sendo constituída.

É preciso situar na trajetória dessa relação, as características que marcaram a relação da Psicologia com a Educação, as ideias psicológicas presentes na Educação Nacional, e ainda as contribuições da Psicologia para a área da Educação. Cosmo (2006), afirma que os estudos de pesquisadores da área da história da Psicologia, e, especialmente os dedicados à relação Psicologia e Educação revelam significativas contribuições da participação da Psicologia nos contextos educativos. Sendo assim, considerando os pesquisadores do campo da história da psicologia, faremos este resgate com vistas a compreender melhor a presença da Psicologia na Educação, especialmente por meio das chamadas teorias do desenvolvimento e da aprendizagem.

Para Cosmo (2006), na construção histórica elaborada por Coll (1996, 1999), até aproximadamente o final do século XIX, a relação entre a Psicologia e a Educação esteve totalmente mediada pela filosofia, sendo correta, portanto, a afirmação de que nesse período, o pensamento educativo sofreu significativas influências de explicações psicológicas de natureza filosófica.
Cosmo (2006) considera que as primeiras décadas do século XX, praticamente todas as teorias da Psicologia foram consideradas úteis para a Educação. O foco da Psicologia da Educação centrou-se na aplicabilidade do conhecimento psicológico no campo educativo, especialmente, no ambiente escolar. Para Gatti (1997), o domínio da Psicologia sobre a Educação remonta ao início do século XX e deixou evidências de que a Psicologia, desde seu surgimento, foi configurando-se como principal sustentáculo teórico para as práticas educativas.

Durante os anos 20, o Brasil vive o movimento escolanovista e a Psicologia desponta como principal domínio científico fornecedor dos recursos teóricos metodológicos para educação escolarizada. (CUNHA, 1995). Para Urt (1989 apud Cosmo, 2006), os ideais da Escola Nova se contrapunham ao discurso da Pedagogia tradicional, enfatizado pela dimensão lógica dos conteúdos, em nome do processo ensino-aprendizagem, portanto, valorizando os aspectos psicológicos.

Ainda nessa década, destaca-se a participação de Helena Antipoff, discípula de Claparède, na direção, em Belo Horizonte, Minas Gerais, de uma organização para formação de professores para o ensino de crianças com deficiência mental. O mesmo trabalho foi desenvolvido anos depois no Rio de Janeiro, especificamente pela Sociedade Pestalozzi. Nesses espaços, Helena Antipoff difundiu as ideias da Psicologia funcional e se dedicou a diversas pesquisas na área da Psicologia infantil.

Durante as décadas de 1920 e 1930, assistiu-se no Brasil a um período da educação conhecido como otimismo pedagógico. Nesse momento, a Educação fora entendida como único caminho possível para a solução de todos os problemas do indivíduo e da sociedade. (ANTUNES, 2004 apud COSMO, 2006). Essa crença levou à propagação de que as transformações sociais necessariamente estavam vinculadas à formação dos indivíduos e, nesse sentido, constatou-se nos contextos educativos um período de grande destaque para os métodos de ensino.

De acordo com Cosmo (2006), até a década de 1950, as pesquisas em educação foram basicamente de cunho psicopedagógico, voltadas para o ensino, para os instrumentos de avaliação de aprendizagem e para o desenvolvimento psicológico do indivíduo. Cosmo (2006) destaca ainda a importância do estudo de Patto (1990), no qual afirma que a década de 1960 foi marcada como um período em que a Psicologia assumiu papel hegemônico no contexto educacional, ganhando evidência no discurso pedagógico, nas produções acadêmicas e nos documentos oficiais.

No final dos anos 1980 e no decorrer dos anos 1990, tiveram início os debates instigados pela análise crítica da escola e de sua função social em uma sociedade estratificada e caracterizada pelas desigualdades. Para Placco (2003), elaborar reflexões neste sentido iria requerer o não desprezo de elementos considerados decisivos, como o contexto social, cultural, político e econômico em que essa educação ocorre.

Nesse sentido, estudos da Psicologia da Educação, referentes à aprendizagem, desenvolvimento, relação professor/aluno, dirigidos à Educação são propostos por estudiosos como Vygotsky, Wallon, Piaget, dentre outros, que oferecem fundamentos para melhor compreensão dos processos educativos.
Conhecimentos nessa direção vêm sendo acumulados pela produção contemporânea e, em consequência, provocando o meio acadêmico a aprofundar o interesse através de novas e mais pesquisas sobre esses fenômenos.

Segundo Nogueira, et al (2002 apud Cosmo, 2006), nos últimos 40 anos, a aproximação da Psicologia com a Educação aparece na comunidade científica nacional e internacional, bem como no interesse de pesquisadores pela chamada Psicologia Genética.

Essa nova perspectiva teórica da psicologia para a educação acha-se presente desde o início dos anos 1960 pelo desenvolvimento das teses do biólogo Jean Piaget (1896-1980) e, mais tarde, especificamente em torno dos anos 1980, pelos trabalhos de Lev Semenovich Vygotsky (1896-1934) e, mais recentemente, pela Psicologia proposta pelo psicólogo e educador, Henri Wallon (1879-1962). (COSMO, 2006).
Desta forma, os trabalhos desses autores ganharam amplitude no campo da pesquisa educacional, o que representou relevante contribuição da área da Psicologia à Educação nos últimos anos.

Para Cosmo (2006), esses estudos possibilitaram melhor compreensão do papel dos educadores e, em consequência, melhor atuação deles no contexto da escola, tendo em vista que focalizaram pesquisas cujas reflexões dirigiram-se ao conhecimento acerca do desenvolvimento e a aprendizagem.

Todavia, ainda que se reconheça o valor das contribuições da Psicologia à Educação ao longo da história da produção do conhecimento do ser humano e do mundo, vale ressaltar a complexidade que envolve as relações entre as abordagens teóricas, como também a aplicabilidade e imediata transposição dessas teorias nas práticas educativas. Cosmo (2006), sobre esse aspecto, considera importante uma reflexão acerca do volume e rapidez com que teorias são difundidas no sistema de ensino, atendendo quase sempre ao clamor dos educadores por orientações que possibilitem uma prática educativa de qualidade.
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