Definição de Bullying

Todos os dias, alunos no mundo inteiro são vítimas da violência que vem mascarada em forma de brincadeiras, as quais são praticadas por um indivíduo ou grupo. Infelizmente, a violência escolar nos últimos anos adquiriu uma vasta dimensão em todas as classes sociais, o que a torna uma questão preocupante devido aos seus inúmeros acontecimentos em todos os níveis de escolaridade.

A terminologia bullying tem sido adotada em vários países como designação para explicar todo tipo de comportamento agressivo, cruel, intencional e repetitivo inerente às relações interpessoais. Bullying é um termo de origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão, e até aquele que usa a superioridade física para intimidar alguém. Ainda não existe termo equivalente em português, porém, alguns psicólogos estudiosos deste assunto, o denominaram “violência moral”, “vitimização” ou “maltrato entre pares”, já que este fenômeno se trata de agressão em grupo, como na maioria dos caso de estudantes.

Compreende-se em Constantini (2004, p. 69) que bullying é um tipo de violência causada por uma ou várias pessoas:

“O bullying trata-se de um comportamento ligado à agressividade física, verbal ou psicológica. É uma ação de transgressão individual ou de grupo, que é exercida de maneira continuada por parte de um indivíduo ou de um grupo de jovens definidos como intimidadores nos confrontos com uma vítima.”

Algumas práticas de maus tratos podem tornar-se bullying de forma direta ou indireta e, quase sempre, a vítima sofre estes desrespeitos de mais de um agressor, o que contribui para a evasão escolar e também sua exclusão social.

O bullying se caracteriza por alguns tipos de maus tratos como físico, verbal, moral, sexual, psicológico, moral, material e virtual e ocorrem quase sempre quando um ou mais integrantes de um grupo escolhem um indivíduo para ser espiado pelo grupo que o agride sem que este consiga se defender. Os agressores ainda induzem a opinião dos demais colegas por meio de boatos que o difamam ou apelidos que intensificam suas características tanto físicas, quanto psicológicas e seu jeito taxado como diferente, esquisito ou negativo.

Seguem algumas formas e palavras que podem apresentar ações de bullying:

• Formas Verbais: Colocar apelidos, insultar, ofender, xingar, fazer gozações, fazer piadas e zoar;

• Formas Físicas e Materiais: Bater, chutar, espancar, empurrar, ferir, beliscar, roubar ou destruir pertences da vítima e atirar objetos contra a vítima;

• Formas psicológicas e morais: Irritar, humilhar, ridicularizar, excluir, isolar, ignorar, desprezar ou fazer pouco caso, discriminar, aterrorizar, ameaçar, chantagear, intimidar, tiranizar, dominar, perseguir, difamar, passar bilhetinhos e desenho de caráter ofensivo entre os demais, fazer intrigas, fofocas ou mexericos;

• Formas Sexuais: Abusar, violentar, assediar, insinuar. Estes comportamentos costumam acontecer entre meninos e meninas e entre meninos e meninos, em que um estudante é assediado e/ou violentado por um ou mais “colegas” no mesmo momento.

• Formas Virtuais: os agressores se utilizam dos avanços tecnológicos para propagar avassaladoramente as difamações e calúnias.

Há algumas pessoas que são consideradas alvo de bullying, por exemplo, os nerds e aqueles que têm sotaque diferente. Entre os meninos são perseguidos aqueles que são mais sensíveis e efeminados, já no caso das meninas, aquelas que são masculinizadas e grosseiras. Na maioria das vezes, os agressores maltratam suas vítimas tirando sarrinhos, zombando, sacaneando ou fazendo gestos inconvenientes, dando risadinhas, ameaçando com olhares e expressões faciais. A vítima, por sua vez, fica cada vez mais isolada, excluída, rejeitada pelos grupos que não querem ninguém fraco ou indefeso ou por medo de se tornarem as próximas vítimas.

Entende-se por bullying a violência praticada de forma física, verbal ou psicológica entre os educandos, no âmbito escolar, a qual pode acarretar sérias consequências ao ensino-aprendizagem dos alunos, gerando desde a queda da autoestima, até em casos mais sérios o suicídio e outras tragédias.

O bullying não é um problema só do nosso país, mas sim, de uma dimensão internacional, visto que, por ano, cerca de 350 milhões de crianças enfrentam estas atitudes grosseiras e humilhantes de bullying em todo o mundo e que essa é considerada uma das principais causas de abandono escolar.

Em nosso país, o termo bullying não recebeu uma tradução direta, por não existir em nosso idioma nenhuma palavra que tenha o impacto do significado o qual a palavra bullying possui, e sim, várias palavras já apresentadas anteriormente, as quais traduzem o seu significado simbolicamente e que expressam algumas situações que podem estar presentes na prática deste tipo de violência.

Alguns países como a Itália, por exemplo, encontrou uma tradução do termo que engloba o significado de tantos atos de violência, lá o termo encontrou a tradução ‘prepotenza’, em Portugal, ‘maus-tratos entre pares’, em alemão ‘agression unter schülern’ e na França ‘harcèlement quotidien’.

Para os ingleses, bullying é comumente usado para descrever uma forma insistente e importuna, de alguém que de alguma forma, em condições de exercer o uso do seu poder sobre outro alguém ou sobre um grupo mais fraco.

Na Europa, há cerca de dez anos foi iniciada uma pesquisa na qual se descobriu que, o que estava por trás de tantas tentativas de suicídio entre adolescentes, era geralmente o que os pais e a escola não davam a devida atenção, como aqueles apelidos, ofensas e “brincadeirinhas bobas”, pelos quais os jovens passavam rotineiramente que, humilhados e sob pressão, tomavam atitudes desesperadas.

O psicólogo norueguês Dan Olweus (1978), da Universidade de Bergen, foi o pioneiro a relacionar a palavra bullying ao fenômeno, pois ao pesquisar as tendências suicidas dos adolescentes, Olweus descobriu que a maioria destes jovens já havia sofrido algum tipo de ameaça ou humilhação e que, portanto, bullying era um mal a combater. Olweus pesquisou inicialmente cerca de 84 mil estudantes, 304 professores e em torno de 1000 pais, incluindo vários períodos de ensino. Este estudo constatou que, a cada sete alunos, um estava envolvido em casos de bullying. Após esta pesquisa ocorreu uma campanha com o apoio do governo norueguês, onde reduziu em cerca de 50% os casos de bullying nas escolas.

Este cientista sueco trabalhou por muitos anos em Bergen (Noruega) e define bullying em três termos essenciais:

• Comportamento agressivo e negativo;

• Comportamento executado repetidamente;

• Comportamento que ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

• Bullying direto;

• Bullying indireto, também conhecido como agressão social.

O tipo mais comum entre os agressores do sexo masculino é o bullying direto e a agressão social ou bullying indireto é mais comum do sexo feminino e crianças pequenas. Este tipo de bullying é caracterizado por induzir a vítima ao isolamento social o qual é conquistado por meio de uma diversidade de técnicas que, entre outras, incluem: espalhar comentários em fofocas sobre a vítima; recusar a socialização com a vítima e intimidar também as outras pessoas que desejam se socializar com a vítima; criticar o modo como a vítima se veste e ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc.).

O bullying pode ocorrer em situações que acabam por envolver a escola de qualquer nível, seja educação infantil ou ensino superior, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo os países, porém, em qualquer uma das situações em que aconteça, a estrutura de poder é característica evidente entre o agressor e a vítima.

Presenciar casos fora do relacionamento em que o bullying acontece dá a impressão de que o poder do agressor só depende da percepção da vítima, que se retrai para oferecer algum tipo de resistência, porém, normalmente, a vítima tem motivos para temer o agressor, visto que, já deve ter recebido ameaças ou concretizações de violência, ou perda da qualidade de vida que tinha outrora.

No Estado de São Paulo, a legislação jurídica definiu bullying como atitudes de violência psicológica e/ou física, que acontecem sem motivos inequívocos e praticados com a intenção de intimidar ou agredir as pessoas, causando angústia e dor.

Por desrespeitarem os princípios constituintes, a conduta de que a prática bullying configura ato ilícito, o Código Civil determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gere o dever de indenização. Também pode se enquadrar no Código de Defesa do Consumidor, visto que as escolas são prestadoras de serviço aos consumidores e, portanto, responsáveis por atos de bullying que ocorram em seu contexto.

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