Memória e aprendizagem

A memória corresponde à função do sistema nervoso que permite a retenção das informações/percepções para utilização posteriormente. O processo de memorização pode ser entendido como o resultado da consolidação de um conhecimento ou comportamento, que podem ser resgatados quando necessários.

Contudo, nem toda informação precisa ser armazenada por longo período de tempo. A memória de curto prazo corresponde à capacidade de manter alguma informação consciente durante um pequeno intervalo de tempo e memória de longo prazo implica no armazenamento ilimitado de informações que são armazenadas por longo período de tempo.
O processo de memorização ocorre a partir de três estágios (IZQUIERDO, 2011):
1) codificação ou percepção – consiste em receber as informações por meio dos órgão sensoriais e criar padrões de assimilação das mesmas;

2) armazenamento ou retenção – implica na manutenção das informações, isto é, registos que são produzidos a partir da modificação das redes neurais;

3) recuperação ou evocação – corresponde à utilização do que foi armazenado, ou seja, é o processo de lembrar aquilo que foi registrado.
A organização da memória se dá por diferentes subsistemas cada um envolvido em um tipo diferente de informação a ser armazenada.

A memória operacional engloba, além do armazenamento, a manipulação de informações. Trata-se de uma memória de curto prazo, isto é, a informação é retida por um curto período de tempo e que envolve participação consciente no processo de escolha e manipulação das informações a serem lembradas.

Um exemplo desse tipo de operação é a realização de cálculos feitos mentalmente (sem o uso de papel e lápis para visualizar os números). A memória operacional também é chamada de memória de trabalho, mas este é um termo mais recomendado pelos especialistas e foi empregado no português em função de uma tradução literal dos termos em inglês “working memory”.

O termo memória imediata é, em geral, utilizado para falar do armazenamento de informações que duram apenas alguns segundos e não implica na manipulação das informações como ocorre com a memória operacional. Contudo, algumas vezes a memória imediata aparece na literatura citada como correlato da memória operacional.

O tempo de armazenamento da memória operacional é apenas o suficiente para que a informação seja utilizada para conclusão de uma tarefa. Após concluído o procedimento que demandava a informação armazenada, ela é descartada.
O processo de repetição e atenção é o que garante a manutenção deste tipo de memória e podem aumentar o tempo de armazenamento da mesma, mas não a torna permanente. Quando a informação precisa ser armazenada para além do cumprimento de uma tarefa ela passa a ser uma memória de longo prazo.
A memória de longo prazo é dividida em memória explícita ou declarativa e memória implícita ou não declarativa. A memória explícita corresponde ao armazenamento e a recordação de eventos, de lembranças que podem ser declaradas verbalmente ou com a lembra de imagens do fato ocorrido.

A memória explícita está subdivida em memória semântica e memória episódica. A semântica envolve o conhecimento de fatos que não estão temporalmente delimitado, isto é, o indivíduo não é capaz de identificar em que momento adquiriu determinado informação. Trata-se da memória de conceitos, de conhecimentos gerais sobre o mundo adquiridos ao longo da vida.

A memória episódica é relacionada ao tempo, e a memória dos acontecimentos da vida conhecida como a memória autobiográfica, embora não se restrinja aos eventos pessoais.

A memória implícita envolve o armazenamento de habilidades motoras e condicionadas que exigem a participação consciente para que sejam emitidas, isto é, não é necessário pensar nelas ou declara-las verbalmente para emissão do conhecimento aprendido. Fazem parte da memória implícita as memórias obtidas por condicionamento como memórias de procedimento; memória associativa e não associativa; e memória de representação perceptual.

A memória de procedimento envolve toda habilidade e comportamentos habituais como, por exemplo, escovar os dentes e andar de bicicleta. As memórias associativas e memória não associativa são aquelas obtidas por condicionamento clássico, como aprendizados obtidos a partir da exposição a estímulo associados.

Por exemplo, uma sirene pode ser um alerta para o qual nosso reflexo seria ficar atento à fonte que causou o barulho, contudo, se a sirene ocorrer, frequentemente, em seu ambiente e não exigir reação, sem que você se dê conta conseguirá ouvi-la e ignora-la de forma automática, pois um armazenado da memória implícita indica que este barulho corresponde a algo a ser ignorado e não a um alerta que demanda resposta.

A memória de representação perceptual corresponde aquelas memória para as quais podemos não ter registros padronizados, mas permitem algum tipo de reconhecimento evocado por “pistas” (priming).

Por exemplo, fragmento de imagens, odores, sons, parte de um texto podem ser armazenadas mesmo sem que sejam estabelecidas conexões completas sobre esta informação, ou seja, mesmo sem saber o que é ou para que serve algo é possível armazena-lo em nossa memória de representação perceptual.

A estratégia mais utilizada para consolidação das novas informações é a repetição. Outra técnica mnemônica bastante empregada em treinos de memória é a associação de uma informação nova com outra informação já consolidada.
Um exemplo é o que ocorre em situações sociais nas quais é apresentado a alguém e para lembrar-se mais facilmente do nome desta pessoa busca-se associa-la a uma outra pessoa já bem conhecida que tenha o mesmo nome. Outro mecanismo que vem sendo demonstrado como capaz de aumentar a consolidação de memórias é a associação das emoções no momento de codificação das novas informações ou novos acontecimentos.

Vem sendo descrito na literatura que um conteúdo carregado de emoções, seja elas positivas ou negativas, é mais facilmente evocado que os conteúdos sem emoção.

A explicação para memória emocional parece estar nos componentes neuroanatômicos envolvidos no processo de memorização. A amígdala – estrutura do lobo temporal medial – parece ser a responsável por modular alguns conteúdos da memória declarativa conferindo-lhes uma espécie de alerta, um destaque.

As experiências de caráter afetivo seriam processadas na fase de codificação via amígdala, que lhes confere uma facilitação na percepção. Assim, no momento da evocação estas lembranças emocionalmente armazenadas estariam mais vívidas que aquelas não processadas no sistema límbico.

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