O que é o Diagnóstico Psicopedagógico?

Nesse artigo pontuo algumas etapas e instrumentos utilizados na avaliação diagnóstica sem aprofundamento teórico por se tratar de um texto direcionado aos pais e educadores, não cabendo, portanto, esclarecimentos quanto à fundamentação, execução e conclusão.

Qual o objetivo da avaliação psicopedagógica?

A avaliação psicopedagógica tem como objetivo situar os recursos utilizados e as dificuldades da criança no processo de apropriação do conhecimento.  Pretende-se obter uma compreensão global da forma de aprender e dos desvios que estão ocorrendo em seu processo de aprendizagem e adaptação escolar.

É uma investigação do significado, da causa e da modalidade de aprendizagem do sujeito, suas possibilidades e impossibilidades no que diz respeito à aquisição do conhecimento, com vistas ao desenvolvimento do potencial da criança.

De acordo com Weiss (1994, p.18) o objetivo básico do diagnóstico é identificar os desvios e os obstáculos básicos no modelo de aprendizagem do sujeito que o impedem de crescer na aprendizagem dentro do esperado pelo meio social.

Para RUBINSTEIN (1996, p. 134) deve mobilizar o aprendiz e o seu entorno (família e escola) no sentido da construção de um olhar sobre o não aprender.

Como funciona a sequência diagnóstica?

A sequência diagnóstica dependerá da fundamentação teórica que norteia a prática profissional, o que implica em diferentes abordagens.  A escolha dos primeiros instrumentos a serem utilizados será definida após o primeiro encontro com o avaliando, vale ressaltar que não concebemos uma avaliação padronizada ou estanque, pois todo o processo apóia-se na demanda, na escuta e no olhar do terapeuta.  

A cada encontro com base nas observações colhidas elaboramos um novo sistema de hipóteses sobre as possíveis causas, descartando aquelas que se mostrarem menos prováveis direcionando o trabalho de avaliação, tornando-o mais objetivo (CHAMAT, 2004) e selecionamos os instrumentos de investigação, isso ocorrerá até o final da avaliação quando concluiremos com o Parecer ou Informe Psicopedagógico embasado nas hipóteses confirmadas ao longo do processo.

Os procedimentos para a coleta de dados são:

  • Entrevista inicial com responsável tem por objetivo colher os primeiros dados sobre as inquietações da família frente às dificuldades vivenciadas pela criança
  • Anamnese que é o levantamento de dados sobre a história de vida
  • Análise do material escolar implica em verificar a metodologia utilizada em sala de aula, a organização e estruturação das atividades e o cuidado com o material
  • Avaliação comportamental e pedagógica e o relatório escolar transmitem a visão dos professores/orientadora sobre a conduta em sala de aula, o relacionamento com os colegas e outros profissionais da escola além da produção nas diferentes disciplinas. O contato com a escola poderá ser questionários ou entrevista com professores.

Inicialmente serão três entrevistas com a família

No primeiro encontro procedemos à entrevista inicial (motivo da consulta), o enquadramento (esclarecimentos sobre o trabalho psicopedagógico) e contrato (periodicidade, valores, faltas e etc.); 

O segundo encontro será para a realização da anamnese (colher dados significativos sobre a história de vida) e a devolução. 

Se houver necessidade de outros encontros com familiares estes serão agendados e comunicados com antecedência.

No primeiro contato com a criança realizamos o enquadramento e damos início ao processo para investigar o que está envolvido no processo de aprendizagem e sua relação com a queixa usando uma dentre três estratégias: Hora do Jogo, EOCA ou Sessão Lúdica Centrada na Aprendizagem.   

Nos encontros seguintes serão aplicadas as provas projetivas psicopedagógicas e operatórias (piagetianas), avaliação pedagógica, análise do material escolar e outros testes complementares necessários de acordo com a queixa e observações.

Provas Projetivas Psicopedagógicas

Consiste em avaliar através de produções gráficas e relato de histórias a partir dos desenhos os vínculos que o sujeito estabelece em três grandes domínios: escolar, familiar e consigo mesmo. Ao desenhar, o sujeito projeta conteúdos presentes no inconsciente, ou seja, a realidade como ele a vê, o que permitirá uma leitura psicopedagógica sobre o que está empobrecendo e/ou impedindo a aprendizagem. 

O olhar e a escuta psicopedagógica deverão focar aspectos cognitivos, afetivos e motores, buscando correlacionar o relato com o grafismo verificando se há vínculos estabelecidos e o conteúdo latente e manifesto das relações do sujeito.

Para essa avaliação é fundamental o conhecimento da visão de Luquet acerca da evolução do grafismo na infância e  de Piaget sobre a  construção do espaço na criança.

Segundo Jorge Visca ao aplicarmos uma prova projetiva o foco será sempre o processo de aprendizagem, as significações do ato de aprender e as relações vinculares que se formam com o conhecimento e as figuras ensinantes. São recursos para a compreensão das variáveis emocionais que condicionam positiva ou negativamente a aprendizagem.

Provas Operatórias

Objetiva determinar o grau de aquisição de algumas noções chaves do desenvolvimento cognitivo para tanto se utiliza as provas clássicas de Piaget, lembrando que essa observação não está restrita apenas ao uso das provas, mas que ocorre durante todo o processo diagnóstico.  

VISCA ressalta que ninguém pode aprender acima do nível da estrutura cognitiva que possui.  Os jogos educativos também são indicados porque permitem a observação do pensamento lógico. 

Segundo WEISS (1994) a postura do terapeuta é de explorar ao máximo as possibilidades da criança, procurando atingir o seu nível de estrutura de pensamento para tanto é indispensável analisar cada resposta, justificativa, juízos e argumentos comparando com outros dados obtidos no diagnóstico. Quando o sujeito, na argumentação ou justificativa, responde “não sei”, pode ter dificuldades no aspecto operativo, possui a imagem, mas não opera mentalmente, ou pode estar no nível intermediário entre um período e outro.

Avaliação Pedagógica

Não se limita apenas ao conteúdo escolar, ocorre durante todo o processo de avaliação em que é observado o que o sujeito já aprendeu, como articula os diferentes conteúdos entre si e como faz uso desses conhecimentos nas diferentes situações. 

É importante definir o nível pedagógico para verificar a adequação à série. têm como foco principal de investigação. Não se trata de avaliar isoladamente, deverá estar integrada aos outros instrumentos. A intenção é entender como os conteúdos escolares são elaborados e sistematizados pelo aprendiz. O uso de jogos e atividades lúdicas são bem aceitos e produzem excelentes resultados.

Provas e Testes Complementares

Quanto ao uso de testes de acordo com o Código de Ética da Psicopedagogia, o psicopedagogo utiliza procedimentos próprios de sua área atentando para não usar testes específicos de outras áreas de atuação para os quais não têm formação adequada, cabendo aqui usar de criatividade para elaborar atividades e estratégias através de jogos, desenhos e brincadeiras que lhe permitam às observações da dinâmica de interação entre o cognitivo e afetivo, visando responder questões ainda não solucionadas.  

O psicopedagogo que tem formação em outras áreas do conhecimento quando realiza o diagnóstico psicopedagógico não pode alternar com técnicas psicopedagógicas, pois estas requerem outro enquadramento. Não existe uma bateria de testes ideal, pois eles são selecionados de acordo com a necessidade em função das hipóteses levantadas (WEISS, 1994).

Ao final do processo teremos a entrevista devolutiva com responsáveis sobre os resultados obtidos durante todo o processo, e entrega do informe psicopedagógico com um prognóstico que é uma visão condicional, baseada no que pode acontecer a partir das recomendações e indicações.

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