Objeto direto preposicionado

Às vezes, o objeto direto vem acompanhado de preposição. Nesses casos, a preposição pode ter apenas uma função enfática ou ser obrigatória – seja para evitar ambiguidade, seja porque o objeto direto é um pronome pessoal oblíquo tônico.

Para reconhecermos um objeto direto preposicionado, basta isolarmos o verbo e verificarmos se ele é realmente transitivo direto.

Observe os exemplos a seguir, em que a preposição tem apenas a função de enfatizar a informação:

-“Identifiquei a vocês todos naquela fotografia”.

– “Identifiquei”: VTD.

– “a vocês todos”: Objeto Direto preposicionado (Preposição “a” não exigida pelo verbo).

No exemplo acima, a preposição a inicia o objeto direto (OD) – a todos vocês – todavia sua presença não ocorre por exigência do verbo identificar, que é transitivo direto (VTD).

Podemos confirmar o dito acima observando a utilização do verbo “identificar” em outra frase, que constata que é transitivo direto:

“– Ele identificou o pai naquela fotografia?

– Sim, ele o identificou.”

Observe que o verbo é realmente transitivo direto. Tanto o pai quanto o oblíquo o são objetos diretos.

Por que então o objeto direto pode aparecer preposicionado? Vejamos as razões:

Casos Obrigatórios

Caso 1: Evitar ambiguidade (duplo sentido) – quando o verbo inicia a frase, a fim de que o objeto direto não seja confundido com o sujeito.

“Devorou o leão o caçador.”

(Nessa frase, é impossível saber quem devorou quem: o leão devorou o caçador ou o caçador devorou o leão?)

Por isso, usa-se a preposição para indicar qual deles é o objeto direto:

“Devorou ao leão o caçador.”

(o caçador devorou o leão)

“Devorou o leão ao caçador.”

(o leão devorou o caçador)

Casos Facultativos

Caso 1: Se o objeto direto for um substantivo próprio ou comum que indica pessoa, poder-se-á utilizar a preposição para iniciar o objeto direto.

“Ama a Deus sobre todas as coisas.”

(O núcleo do objeto direto – Deus – é um substantivo próprio. Usou-se a preposição a mais por questões estilísticas, não por exigência do verbo amar, que é transitivo

Casos Obrigatórios

Caso 2: Se o objeto direto for um pronome oblíquo tônico, a preposição aparece não por exigência do verbo, mas do pronome.

“Ninguém entende a nós.”

(O pronome oblíquo tônico nós, núcleo do objeto direto, não pode ser utilizado sem a presença da preposição; se retirássemos a preposição a, nós se tornaria um pronome pessoal do caso reto – não se pode utilizar pronome pessoal do caso reto como complemento verbal)

“Jamais receberam a mim.”

(O pronome oblíquo tônico mim, núcleo do objeto direto, não pode ser utilizado sem a presença da preposição a, pois seria impraticável – Jamais receberam mim. Logo, a presença da preposição é exigência do pronome e não do verbo receber, que é transitivo direto)

Casos Facultativos

Caso 2: Quando o objeto direto for composto pronomes indefinidos que se refiram a pessoas.
“Observei a todos.”

“Clarice não cumprimentou a ninguém.”

(O pronome indefinido todos é o núcleo do objeto direto, na primeira frase; e o também pronome indefinido ninguém aparece como núcleo do objeto direto na segunda frase. São, portanto, objetos diretos preposicionados não por exigência do verbo, mas por opção estilística.)

Caso Facultativo

Caso 3: Algumas expressões que indicam ideia de partitivo, ou seja, o objeto direto transmite ideia de parte daquilo a que se refere.

“Celina bebeu do próprio veneno.”

(O verbo beber é transitivo direto, portanto do próprio veneno é objeto direto preposicionado, pois a preposição do não aparece por exigência do verbo, mas para passa deixar claro que Celina, o sujeito da oração, não bebeu todo o veneno, mas parte dele. Poderíamos usar a frase assim: Celina bebeu o próprio veneno. Todavia, seu sentido seria diferente.)

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