Os aspectos trabalhados na psicomotricidade

Para desenvolver a prática pedagógica, é necessário ter conhecimentos teóricos e científicos mínimos sobre os aspectos que são desenvolvidos dentro da psicomotricidade. Esses aspectos são (físicos – sociais e cognitivos). A educação psicomotora é uma:

A educação global que associa os potenciais intelectuais, afetivos, sociais, motores e psicomotores da criança, lhe dá a segurança, equilíbrio, e permite o seu desenvolvimento, organizando corretamente as suas relações com os diferentes meios nos quais tem de evoluir […]. É uma preparação para a vida de adulto. Deve libertar o espírito dos entraves de um corpo incômodo que se torna fonte de conhecimento (LAGRANGE, 1974, p. 60).

Todavia, “existem alguns pré-requisitos, do ponto de vista psicomotor, para que a criança tenha uma aprendizagem significativa em sala de aula. É necessário que como condição mínima ela possua um bom domínio” da sua qualidade de força física e tenha desenvolvido seus aspectos afetivos e sociais, dentro do que é previsto para sua faixa etária (OLIVEIRA, 2008, p. 39). No cotidiano da educação infantil devemos preparar a criança para a sua futura vida escolar, pois ela:

precisará usar as mãos para escrever e, portanto, deverá ter uma boa coordenação fina. Ela terá mais habilidade para manipular os objetos de sala de aula, como lápis, borracha, régua, se tiver ciente de suas mãos como parte de seu corpo e tiver desenvolvido padrões específicos de movimento. Deverá aprender a controlar seu tônus muscular de forma, a saber, dominar seus gestos. (OLIVEIRA, 2008, p. 39).

Todos esses aspectos requerem equilíbrio psíquico, motor e também domínio físico, domínio dos aspectos afetivos e sociais, e uma boa experienciação cognitiva, para que a criança consiga se desenvolver plenamente.

Desenvolvimento Afetivo (objetivos)

• Ajudar a criança sentir-se feliz;

• Desenvolver um autoconceito positivo e estável;

• Desenvolver respeito pelos direitos e ideias pessoais;

• Formar uma visão real das diferenças individuais;

• Orientar a criança na aprendizagem por problemas.

Desenvolvimento Motor:

• Desenvolver movimentos fundamentais;

• Melhorar a coordenação.

• Ampliar o nível de aptidão motora;

• Criar e desenvolver a consciência corporal, bem como suas potencialidades.

Desenvolvimento Cognitivo

• Ajudar a criança a desenvolver um pensamento questionador;

• Encorajar na solução de problemas;

• Despertar para desafios intelectuais;

• Estimular a aprendizagem de conceitos essenciais.

Nesse sentido, além desses aspectos interligados apresentados Albuquerque (2006, p. 42) nos mostra três dimensões que estão sempre presentes no movimento humano, são elas: “a) o ator, o sujeito das ações do movimento, b) uma situação concreta na qual as ações do movimento estão vinculadas e c) um significado que orienta as ações do movimento é responsável pela apreensão de sua estruturação”. Sem essas três dimensões o movimento não acontecerá.

Mutschele (1996, p. 41) acrescenta que para podermos educar as crianças é preciso que a ensinemos a dominar sua própria consciência e corpo com senso de equilíbrio. Só assim teremos sucesso no desenvolvimento da aprendizagem, nossa função enquanto educadores é auxiliá-la “desde cedo a controlar o próprio corpo, equilibrar a respiração, saber usar braços, pernas, aprender a se direcionar para a direita, esquerda, lado, saber organizar percepções, e atenção, dominar as noções do tempo”.

Tudo isso será feito usando os fundamentos e pressupostos da psicomotricidade. Cabem a nós profissionais educadores, psicólogos, psicopedagogos criar e mediar às situações propícias para que a criança se desenvolva plenamente…

Sabemos todos, porém, que a função precípua da educação é dotar o ser humano dessa capacidade de se situar no mundo, compreendê-lo para transformá-lo, inserindo-se no contexto histórico e desenvolvendo mecanismos que o permitam colaborar para o processo civilizatório da sua comunidade e do mundo. (ALBUQUERQUE, 2006, p. 49).

A esse respeito Mutschele (1996) acrescenta que:

o crescimento do ser humano, tanto físico como mental é muito complexo. O organismo vai adquirindo um controle progressivo do corpo, das palavras, do pensamento, da coordenação motora e isso não está sujeito a regras e sim a interrupções periódicas quando o indivíduo está feliz, infeliz, insatisfeito etc. Essas alterações dependem da hereditariedade, do lar, da sociedade e até das atitudes do educador. (MUTSCHELE, 1996, p. 171).

Isso ocorre também, porque somos influenciados pelo meio em que vivemos e com as crianças isso não é diferente, e, por esse motivo o seu desenvolvimento será satisfatório ou não na medida em que ela consiga atingir todos os marcos de desenvolvimentos previstos para cada fase de sua vida. Nesse caso, o equilíbrio e o desequilíbrio será uma constante dentro do nosso ciclo de existência seja na infância, adolescência, vida adulta ou na terceira idade, desse modo desde cedo:

é tempo de redescobrir um corpo de possibilidades e abandonar limites impostos por tabus e ideologias que nada mais acrescentam, além de sintomas, dor e sofrimento psíquico. É preciso permitir a transformação de nossos corpos em asas e num gesto concreto mergulhar dentro de nós mesmos, de nossas angústias, de nossas esperanças e renascer em novos horizontes. Já é o momento de nos prepararmos para o grande encontro. Aquele que vai culminar dentro de cada um de nós, pois o corpo nada mais é, do que o receptáculo maior, a fonte fecunda onde resgatamos nossa identidade e nossa singularidade, nossos desejos e nossas limitações, pois o homem é o seu corpo. (PONTES apud ALBUQUERQUE, 2006, p. 52).

O que temos que fazer para que a criança chegue a esse ponto mais elevado e atinja todos os seus marcos de desenvolvimento previsto para sua faixa etária, é, deixar com que as coisas aconteçam e quando houver desequilíbrios procurar ajuda profissional. Mutschele (1996, p. 171) ainda escreve que:

para conseguir um desenvolvimento satisfatório, é necessário que a parte física se desenvolva plenamente, a parte sensorial atinja o máximo e a inteligência desabroche até o limite pessoal de cada um; para isso, precisa-se de uma alimentação séria e correta, combate as doenças, a prática de exercícios físicos e esporte, o contato com a natureza e a tranquilidade da vida social. (MUTSCHELE, 1996, p. 171).

Por esses motivos que os aspetos físicos, cognitivos e sociais estão todos interligados dentro do estudo da educação psicomotora e são levados em consideração o tempo todo. Observe abaixo a taxonomia de Bloom:

Taxonomia de Benjamin Bloom

A educação psicomotora compreende o ser humano como um ser completo e não fragmentado, em que só será considerado um aspecto de cada vez, muito pelo contrário, assim sendo de acordo com Alves (2001) os aspectos são:

cognitivo: relacionado ao aprender, dominar um conhecimento […] intelectual de habilidade e de atitudes. As categorias desse domínio são: conhecimento; compreensão; aplicação; análise; síntese; e avaliação. Afetivo: relacionado aos sentimentos e posturas. […] categorias ligadas ao desenvolvimento da área emocional e afetiva, que incluem comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção e valores. […] são: receptividade; resposta; valorização; organização; e caracterização. Psicomotor: relacionado às habilidades físicas específicas. […] seis categorias que incluem ideias ligadas aos reflexos, percepção, habilidades físicas, movimentos aperfeiçoados e comunicação não verbal. As categorias desse domínio são: imitação; manipulação; articulação; e naturalização. (ALVES, 2011, p. 5).

Mutschele (1996), também assevera o exposto acima quando também escreve que para ela:
a educação psicomotriz deverá visar: 1 – a consciência e ao controle do próprio corpo; 2 – ao controle e equilíbrio das funções físicas; 3 – ao uso dos membros do corpo e à aquisição da noção de lateralidade; 4 – à organização perceptiva; à organização de todo o esquema motor; 6 – adquirir o conhecimento do outro; 8 – saber coordenar suas ações para atingir o objetivo a que se propõe; 9 – aprender a respeitar os outros e as regras morais; 10 – respeitar o ser humano com o mais importante valor na hierarquia de valores. (MUTSCHELE, 1996, p. 174).

Ao compreendermos o ser humano em sua totalidade, não priorizamos mais um aspecto (físico, cognitivo, social) em detrimento do outro. Albuquerque (2006, p. 42) afirma que se assim acontecer “estaríamos ‘enxergando’ apenas parcialmente o ser humano e isto tornaria uma criação abstrata, desvinculada da realidade concreta e de sua condição material de existência”.

Durante a vida toda a visão que a pessoa tem de si mesma recebe grande influência de sua percepção do próprio corpo e suas propriedades, da força da liberdade no desempenho de atividades físicas e motoras. As atividades motoras têm um papel essencial nas iniciativas intelectuais do homem. (MUTSCHELE, 1996, p. 175).

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