Trabalho em Equipe Multiprofissional

As variáveis e a complexidade de diversas situações concebidas pela sociedade, atualmente, exigem o engajamento de dois ou mais grupos profissionais na intervenção de um mesmo problema. Atuando conjuntamente com objetivos comuns frente à demanda da população.

O trabalho em Equipe Multiprofissional aparenta – se olharmos apenas as questões resolutivas, ser um trabalho fácil. Seria o mesmo que cada profissional ler as determinações de seu conselho profissional e, após, cumprir os escritos. Entretanto, sob a perspectiva do trabalho em saúde, essa questão é bem mais complexa, uma vez que a produção e o produto destas relações são subjetivos.

As definições sobre Equipe de Saúde são raras. Nas produções teóricas predomina a concepção de equipe do senso comum, onde esta é representada por um conjunto de profissionais em situação comum de trabalho. Na atividade em saúde, a equipe sempre fará referência a um serviço relativo à obtenção de bens ou produtos para a atenção das necessidades humanas.

O trabalho em Equipe na Enfermagem foi proposto na década de 50, nos Estados Unidos, mediante experiências realizadas no Teacher’s College da Universidade da Columbia. Elenor Lambertsen (1996 está na bibliografia) preconizava a organização do trabalho em enfermagem com base na equipe.
No Brasil, os resultados desta proposta foram divulgados em 1996 pela Associação Brasileira de Enfermagem com o livro “Equipe de Enfermagem Organização e Funcionamento”. Desde então, surgem experiências na área da enfermagem com o objetivo de melhorar o aproveitamento de pessoal.

Lambertsen (1996) propõe a organização do serviço de enfermagem com base no trabalho em equipe enfatizando o cuidado para o paciente, tomando como base a utilização do pessoal de enfermagem com a máxima economia e eficácia. Esse modelo de organização do trabalho de enfermagem propõe:

• Crítica ao trabalho centrado na tarefa (modelo funcional);

• Tentativa de solução para a escassez dos recursos humanos de enfermagem nos hospitais norte americanos no período após a II Guerra Mundial.
Pela necessidade de extensão na cobertura dos serviços de saúde, na década de 70, no Brasil, a proposta do trabalho em equipe multiprofissional ganha ênfase, sobretudo, pela atuação das condutas de Medicina Comunitária e Medicina Preventiva, destacando o trabalho em equipe como racionalização dos serviços.

No primeiro momento, as equipes de saúde trabalhavam com o médico e os atendentes de enfermagem, consideradas uma composição inadequada. Em 1980, com a ampliação na formação de profissionais de nível médio e superior (não médicos) diversificou-se a equipe de saúde.

A Equipe Multiprofissional começou a ser composta por profissionais de diferentes áreas como: enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas, médicos, entre outros. A atuação de uma Equipe Multiprofissional é permeada pelo alcance de resultados comuns, sendo, no caso da Saúde, o atendimento e resolução das necessidades apresentadas pelo paciente nos diferentes níveis de intervenção.

A obtenção de resultados em um trabalho de Equipe Multiprofissional pode ser interferida pelos seguintes fatores:

• Atenção Integral as necessidades de Saúde da População

– Os serviços especializados tendem a fragmentação do cuidado a saúde do indivíduo;

– Ações realizadas por diferentes profissionais necessitam articulação;

– Nenhum profissional de saúde em separado tem possibilidades de atender as demandas de saúde do paciente.

• Comunicação: Busca de consenso entre os profissionais

– Articular diversas ações realizadas em um setor, integrar setores e serviços entre si.
O trabalho em equipe multiprofissional é uma prática onde a comunicação entre os profissionais faz parte do cotidiano. As articulações das ações se dão pelo uso da linguagem.

Este processo é permeado pela comunicação e interação dos agentes; esta relação recíproca entre o trabalho e a interação que caracteriza o trabalho em equipe.

Peduzzi (1998; 2001), em seus estudos sobre conceito e tipologia do trabalho em Equipe Multiprofissional de Saúde, afirma que o trabalho em Equipe Multiprofissional é uma modalidade de trabalho coletivo centrada na reciprocidade entre trabalho e interação, que as principais dimensões do trabalho em equipe são a articulação das ações e a interação de seus agentes.

Sobre a articulação, Peduzzi descreve os momentos em que os profissionais ativamente colocam em evidência as conexões existentes entre as distintas ações e os variados conhecimentos técnicos. A interação como uma prática comunicativa, por meio da qual, os envolvidos se colocam de acordo quanto a um projeto comum; capaz de promover a cooperação e integração na equipe.

Minelli (2004) afirma que as respostas da interação dos grupos profissionais vão desde aspectos relativos aos olhares diferenciados para um determinado processo até uma possibilidade de ganho na qualidade e eficiência da resposta recebida.

O trabalho em Equipe Multiprofissional também é caracterizado por complexidade advinda da convivência entre os diferentes processos de trabalho, objetos de trabalho, saberes específicos, instrumentos utilizados para realização e desenvolvimento do trabalho.

A principal problemática visualizada na Equipe de Trabalho Multiprofissional é a inexistência de integração entre os profissionais que a compõem. A noção de equipe que predomina nos serviços de saúde se restringe a coexistência de vários profissionais numa mesma situação de trabalho, compartilhando o mesmo espaço físico e a mesma clientela, porém, sem integração.

Em ambas estão presentes as diferenças técnicas dos trabalhos especializados e a desigualdade de valor atribuído a estes trabalhos. Também em ambas estão presentes tensões entre as diversas concepções quanto a independências dos trabalhos, especializados ou a sua complementaridade objetiva.
Diante destes conceitos e tipologias, algumas das principais problemáticas apresentadas no desenvolvimento do trabalho em Equipe Multiprofissional de Saúde são:

• Falta de responsabilidade coletiva pelos resultados dos trabalhos;

• Ações e intervenções desarticuladas e independentes;

• Baixo grau de interação entre os profissionais;

• Dificuldade de atuar de forma coesa e integrada;

• Desarticulação de ações de caráter curativo, administrativo e preventivo;

Os resultados de um trabalho em Equipe Multiprofissional dependem diretamente da integração das ações dos profissionais. Trata-se de uma interação de saberes e de relacionamento. O sucesso no atendimento ao paciente é possível quando abrange a Equipe Multiprofissional, sendo que o maior desafio destes profissionais é atingir a integração nas práticas de saúde desenvolvidas ao cliente.

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