A Importância Da Fisioterapia Na Unidade De Terapia Intensiva

A Importância Da Fisioterapia Na Unidade De Terapia Intensiva

Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a Fisioterapia faz parte da equipe multidisciplinar no atendimento aos pacientes graves. Sua atuação é ampla e se faz presente em diversos momentos do tratamento intensivo: atendendo a pacientes graves que não necessitam de suporte ventilatório; prestando assistência durante o período pós-operatório, visando reduzir o risco de complicações respiratórias e motoras; e oferecendo assistência a pacientes críticos que necessitam de suporte ventilatório. (JERRE et al.,2007). Por isso, o presente artigo vem abordar a importância da fisioterapia na unidade de terapia intensiva.

Durante sua internação, o paciente é observado por toda a equipe multidisciplinar, que deverão considerar as todos os fatores que possam interferir na sua recuperação e que podem gerar complicações no quadro clínico. Sendo assim, a Fisioterapia possui um papel fundamental no tratamento e recuperação do paciente grave em UTI, pois sua principal atribuição é realizar uma avaliação global do paciente e identificar os potenciais problemas do sistema respiratório e cardiovascular, aplicando o tratamento fisioterapêutico adequado para trata-los. (MONTENEGRO, 2012a). 

Para que a assistência fisioterapêutica seja eficaz, torna-se fundamental que as vias aéreas bem como os músculos respiratórios do paciente estejam em pleno funcionamento, ou seja, o fisioterapeuta deve se atentar para melhorar tanto a capacidade respiratória quanto a capacidade motora, trazendo benefícios ao paciente acamado. (MONTENEGRO, 2012a; ARRUDA, 2010). 

Materiais E Métodos

Estudo de revisão de literatura, realizado a partir de diferentes fontes de pesquisa, tais como sites de especialistas na área de fisioterapia com textos publicados sobre o tema, artigos científicos e outros pesquisados no Google.

Referencial Teórico

A imobilidade presente no paciente crítico devido ao prolongado tempo de internação, torna-o predisposto a modificações morfológicas dos músculos e tecidos conjuntivos, em alguns casos alterações no alinhamento biomecânico, comprometimento de resistência cardiovascular, hipotrofia e hipotonia muscular. Em vista disso, a cinesioterapia tem grande importância no tratamento do paciente grave, pois favorece a recuperação do paciente e previne contra futuras lesões. (ARRUDA, 2010; SILVA & SANTOS, 2014). 

Na UTI, o fisioterapeuta utiliza-se de técnicas que promovem a melhoria do paciente e garantem o exercício físico adequado para os diversos momentos do tratamento, visando sua recuperação. O tratamento e sua eficácia dependem da necessidade do paciente, entretanto, sua postura no leito, técnicas de treinamento muscular e aprimoramento das funções respiratórias devem ser levadas em consideração durante a avaliação do paciente grave. (MONTENEGRO, 2012a). 

A fisioterapia motora na UTI traz grandes benefícios ao paciente crítico, tais como: evita a atrofia muscular e mantém e/ou restaura a amplitude articular; previne trombose venosa profunda, embolia pulmonar, pneumonias e hipotensão postural; alivia a dor; diminui ou previne edemas; melhora o condicionamento cardiovascular; reduz o tempo de internação; restaura a funcionalidade para atividades de vida diária; prepara para a deambulação, quando o paciente tiver tais condições. (ARRUDA, 2010; MONTENEGRO, 2012a). 

O tratamento pode ser realizado através de exercícios passivos, ativo-assistido, ativo-livre, ativo-resistência, isométricos; promoção da reeducação postural, conscientização corporal, relaxamento muscular, mobilização precoce no leito e independência nas atividades. (ARRUDA, 2010). 

A fisioterapia respiratória na UTI visa prevenção e/ou tratamento de complicações respiratórias em pacientes críticos, necessitando realizar a fisioterapia respiratória e motora associadamente, de forma a garantir um bom prognóstico no quadro clínico do paciente através de técnicas que contemplem os sistemas respiratório e cardiovascular. (MONTENEGRO, 2012b). Assim, o fisioterapeuta tem um papel importante neste setor, auxiliando na condução da ventilação mecânica, desde o preparo e ajuste do ventilador artificial até o momento da intubação, bem como evolução do paciente durante a ventilação mecânica, interrupção e desmame do suporte ventilatório e extubação. (JERRE et al., 2007). 

A Fisioterapia Respiratória durante a ventilação mecânica, invasiva ou não invasiva, é constituída por alguns procedimentos, tais como: aspiração traqueal para a retirada passiva das secreções; percussão e vibração sobre o tórax visando a mobilização de secreções; drenagem postural para drenar secreções através da ação da gravidade; compressão brusca do tórax, para aumentar o fluxo expiratório; posicionamento corporal, visando otimizar a relação ventilação/perfusão, aumentar o volume pulmonar, reduzir o trabalho respiratório e cardíaco e aumentar o clearance mucociliar; expansão/reexpansão pulmonar, para aumentar a pressão e/ou volume alveolar em áreas colabadas; hiperinsuflação manual, realizando insuflação pulmonar com um ressuscitador manual para aumentar o fluxo expiratório; terapia com PEEP, utilizando a técnica de pressão positiva ao final da expiração ou pressão positiva contínua nas vias aéreas para promover a expansão de unidades alveolares colabadas. (JERRE et al., 2007). 

Quanto aos aspectos éticos e humanizados da fisioterapia na UTI, em qualquer forma de contato entre o profissional da fisioterapia e o paciente, os valores éticos e morais devem ser preservados. Porém, na atuação do fisioterapeuta na UTI, é frequente o contato direto com limitações e sequelas dos pacientes, exigindo um alto nível de conhecimento técnico-científico desse profissional, por vezes, dissociado das questões humanísticas. (SANTUZZI et al., 2013). 

De acordo com a Resolução COFFITO nº 10/1978, sobre o código de ética do fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, define as responsabilidades e o exercício profissional dos profissionais da Fisioterapia e de Terapia Ocupacional, baseado na dignidade da pessoa humana, propondo exercer a atividade com respeito à vida desde a concepção até a morte, além de promover o respeito aos direitos do paciente independente de qualquer fator externo a este (como etnia, nacionalidade, afiliação política, religião, sexo, condições socioeconômicas e culturais), de modo que a prioridade no atendimento obedeça exclusivamente à razão de urgência. (COFFITO, 1978). 

Quanto ao suporte ventilatório utilizado em UTI, temos a Ventilação Mecânica (VM) que consiste em um método de suporte oferecido ao paciente por meio de um aparelho (respirador artificial) para o tratamento de pacientes com insuficiência respiratória aguda ou crônica agudizada, auxiliando-o na sua ventilação e em suas trocas gasosas. Pode ser classificada como Ventilação Mecânica Invasiva e Não Invasiva, sendo que em ambas modalidades a ventilação artificial ocorre com a aplicação de pressão positiva nas vias aéreas. Este suporte tem como objetivos manter a troca gasosa do paciente, aliviar o trabalho da musculatura respiratória, reverter ou evitar a fadiga da musculatura respiratória, diminuir o consumo de oxigênio, permitindo aplicação de terapêuticas específicas. (PINHEIRO, 2008; CARVALHO, 2007). 

Considerações Finais

O fisioterapeuta intensivista possui um papel de extrema importância no cuidado a pacientes internados em unidades de terapia intensiva, uma vez que, auxilia na manutenção das funções vitais dos diversos sistemas corporais ao atuar na prevenção e/ou tratamento das disfunções cardiopulmonares, circulatórias, musculares e neurológicas, reduzindo o risco de complicações clínicas e mortalidade, melhorando o prognóstico do paciente grave. 

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