Abdômen: Exame Físico

Existem vários órgãos que se encontram alojados na região abdominal. Assim, você mesmo durante alguma consulta já deve ter passado pelo exame físico na região abdominal.

Vamos começar descrevendo o exame físico geral do abdômen e, posteriormente, o exame físico específico de cada órgão que nele se localiza. O abdômen é dividido em partes para que, de forma descritiva, sejam relatados os achados na realização do exame físico. Pode ser dividido em quatro partes: quadrante superior direito, quadrante superior esquerdo, quadrante inferior direito e quadrante inferior esquerdo.

Esta divisão é realizada passando-se uma linha imaginária na horizontal na região umbilical e uma linha imaginária vertical entre o apêndice xifóide e a sínfise púbica. Outra maneira de divisão é a realizada por meio de duas linhas horizontais, uma logo abaixo do rebordo costal e a outra imediatamente acima das cristas ilíacas, e duas linhas verticais, uma na região médio clavicular direita e outra na região médio clavicular esquerda.

Desta forma, o abdômen é dividido em nove partes, sendo denominadas: hipocôndrio direito, epigástrio, hipocôndrio esquerdo, flanco esquerdo, umbilical, flanco direito, fossa ilíaca direita, hipogástrio ou supra púbica e fossa ilíaca esquerda. Esta última divisão permite definir de forma mais precisa a localização de um achado durante a execução do exame físico.

Para realização do exame físico abdominal devemos posicionar nosso paciente em decúbito dorsal, com um travesseiro sob a cabeça para maior conforto. O paciente não deve estar com a bexiga cheia ou ter se alimentado antes da realização do exame (até meia hora antes), pois nestas situações sentirá grande desconforto.

Solicitar que os braços sejam posicionados ao lado do corpo ou cruzados sobre o tórax, porque se estes estiverem sobre a cabeça haverá contração abdominal, o que dificultará a palpação na região. Inicialmente iremos inspecionar o abdômen verificando a existência de cicatrizes, estrias, movimentos peristálticos visíveis veias dilatadas, hérnias. Se este se apresenta simétrico e qual a sua forma.

Normalmente o abdômen se apresenta de forma globosa. A causa mais comum de abdômen protuberante é a existência de acúmulo de gordura, o som à percussão é normal, isto é timpânico. Após a inspeção, iremos realizar a ausculta da região abdominal para verificar a presença de ruídos intestinais – ruídos hidroaéreos – que é o som normal dos intestinos que se apresentam como borbulhamentos e cliques, ocorrendo pela presença de ar que se movimenta nas alças intestinais por intermédio dos movimentos peristálticos.

A palpação da região abdominal deve ser realizada de duas formas: superficial e profunda. Na palpação superficial procuramos identificar regiões que possam apresentar hipersensibilidade, verificamos a resistência muscular e a possível presença de algumas massas abdominais. Já na palpação profunda, verificamos os órgãos e definimos as massas que foram porventura detectadas na palpação superficial.

A percussão auxilia na avaliação da distribuição e da intensidade dos gases abdominais. Normalmente a região abdominal apresenta-se timpânica, mas em alguns locais também podemos localizar sons maciços devido à presença de líquidos e fezes. Além disso, auxilia a demarcação da região onde existem massas que já foram previamente detectadas na palpação.

Quando detectamos um abdômen protuberante, com os flancos abaulados, devemos utilizar algumas técnicas que nos possibilitem avaliar se há presença de líquidos na cavidade abdominal. Uma dessas técnicas é solicitar ao paciente que fique sentado porque, com a força da gravidade, o líquido tende a se localizar na região inferior do abdômen, onde à percussão será obtido um som maciço. As alças intestinais, repletas de ar irão “flutuar” na parte superior do abdômen, quando o som produzido pela percussão será timpânico.

Outra técnica que poderá ser utilizada é a chamada técnica de macicez móvel. Solicite ao paciente que se posicione em decúbito dorsal e percuta todo seu abdomem, depois solicite que se posicione em decúbito lateral direito e/ou esquerdo, percutindo novamente em todo seu abdômen.

Igualmente, pela ação da gravidade, o líquido contido no abdômen se deslocará sempre para a região de maior declive, tendo deste modo alternância dos locais onde os sons timpânicos (presença de alças intestinais repletas de ar) e maciços (presença de líquido ascítico) são produzidos.

Quando na realização da inspeção da região abdominal não conseguimos localizar a presença de uma hérnia, mas suspeitamos de sua existência, solicitamos ao paciente que levante a cabeça e os ombros, mantendo o restante do corpo na maca. Se realmente houver uma hérnia na região abdômen, com esta posição do paciente, na imensa maioria das vezes, ela se torna visível.

Quando realizamos a palpação do abdômen e o paciente verbaliza ou demonstra sentir dor e esta dor sugere uma possível apendicite, podemos utilizar algumas técnicas para uma avaliação mais detalhada, são elas:

– Solicitamos ao paciente para determinar o local onde a dor se inicia e o local onde ela se encontra no momento. Normalmente a dor de uma apendicite inicia-se perto do umbigo e se desloca para o quadrante inferior direito. Ela também aumenta quando solicitamos ao paciente par tossir.
– Verificar a presença do sinal de Rovsing. O paciente irá verbalizar presença de dor no quadrante inferior direito quando pressionarmos o quadrante inferior esquerdo.
– Presença do sinal do Psoas, quando o paciente referir a presença de dor ao realizar o movimento proposto. O examinador coloca sua mão logo acima do joelho direito do paciente e solicita a este que eleve sua coxa contra a mão do examinador.
– Presença do sinal do Obturador
. Ao flexionarmos a coxa direita do paciente na altura do seu quadril, com o joelho dobrado, realizarmos a rotação interna da perna e o paciente vai verbalizar ou demonstrar dor na região inguinal direita.
– Presença de hiperestesia cutânea
. Comprimimos a prega cutânea em várias regiões, utilizando o polegar e o indicador, sem beliscá-la. Quando o paciente verbaliza dor em todo o quadrante inferior direito.

Gostou do nosso conteúdo e ficou interessado em saber mais? Continue acompanhando o conteúdo do portal e venha conhecer os nossos cursos voltados para a área da saúde.

Receba novidades dos seus temas favoritos

Se aprofunde mais no assunto!
Conheça os cursos na área da Saúde.

Mais artigos sobre o tema