Alterações Fisiológicas do Período Gestacional

Alterações fisiológicas ocorrem em todos os sistemas do organismo durante a gestação, e esses ajustes fisiológicos tem início na primeira semana e progridem no decorrer da idade gestacional.

Após o parto, o corpo materno começa a retornar ao estado pré-gravídico até seis semanas pós-parto. Apenas as mamas continuam a secretar leite por meses para garantir a amamentação.

Essas alterações fisiológicas determinam o aumento da necessidade energética e nutricional das gestantes e nutrizes.

Útero

O peso do útero aumenta cerca de 20 vezes durante a gestação, (de cerca de 60 g para 1000 g) e aumenta em tamanho de cinco a seis vezes. Ao fim da gestação o útero tem de 30 a 35 cm de comprimento, de 20 a 25 cm de largura e cerca de 22 cm de profundidade. Sua capacidade terá aumentado de 700 a 1000 vezes, de aproximadamente 4 mL para 4000 a 5000 mL.

Durante a gestação o suprimento sanguíneo uterino aumenta de 20 a 40 vezes. As artérias uterinas, que são a principal fonte do suprimento uterino, são ramos das ilíacas internas; as quais penetram no útero aproximadamente ao nível do orifício interno do colo. As alterações dos vasos sanguíneos regridem após o parto. Uma semana após, os vasos já retornaram ao seu tamanho anterior.

Mamas

Modificações acentuadas ocorrem nas mamas durante a gestação, devido ao desenvolvimento de tecido glandular quiescente. As mamas aumentam de tamanho (cerca de 700g para cada mama) e firmeza, e ficam nodulares.

Freqüentemente aparecem estriações na pele. O aumento é perceptível algumas semanas após a concepção e continua por toda a gestação. Há também aumento considerável na vascularização das mamas no início da gestação, e as veias superficiais ficam mais proeminentes.

Essas alterações são freqüentemente acompanhadas por uma sensação de dor, formigamento e peso nas mamas, no início da gestação, e são considerados sinais presuntivos de gestação.

Os mamilos ficam mais móveis, e será mais fácil para o bebê apreendê-los para mamar. Uma alteração considerável ocorre dentro do próprio tecido mamário: há proliferação do tecido glandular e as células alveolares diferenciam-se, tornando-se secretoras.

Há uma proliferação progressiva do tecido glandular durante a gestação. Os dutos alongam-se muito e os alvéolos e lóbulos desenvolvem-se nas extremidades de muitos dos ramos.

Com o aumento da atividade secretória ao fim da gestação, os alvéolos e dutos ficam distendidos pelo colostro. Na mama em lactação os alvéolos e os dutos ficam distendidos devido ao leite.

Após estágio de proliferação do tecido glandular durante o primeiro trimestre, as células alveolares começam a diferenciar-se no segundo. Muitas dessas células tornar-se-ão secretórias e serão capazes de secretar leite. Pelo fim do segundo trimestre, uma pequena quantidade de líquido fino e amarelado, chamado colostro é secretado para os dutos.

Pele

Observa-se hiperpigmentação da pele graças à ação da progesterona e do hormônio melanotrófico que atua sobre os melanoblastos epidérmicos, o que acentua a pigmentação (cloasma, linha nigra, sinal de Hunter).

Há também a presença de estrias devido à atrofia das fibras elásticas da derme e ao estiramento da epiderme. Surgem nas mamas, abdômen, nádegas e coxas após a idade gestacional de 6 meses.

Alteração de peso corporal

O incremento do peso total é cerca de 12,5 kg em toda a gestação. Esse ganho ponderal é devido ao útero (900g) e seu conteúdo (feto- 3400g, placenta- 650g, líquido amniótico- 800 a 1000g), ao crescimento das mamas (400 a 500g), do volume sangüíneo (1300 a 1500g) e do líquido extravascular (1500g) e às alterações metabólicas responsáveis pela deposição de proteínas e gorduras para reserva.

Alterações Metabólicas da gestação

Metabolismo Hídrico

A retenção de água é evento fisiológico na gestação devido à queda da osmolaridade plasmática. Edemas nos membros inferiores são comuns, sendo favorecidos pelo aumento da pressão venosa e pela redução da pressão intersticial.
O edema generalizado com ganho repentino de peso é observado em cerca de 30% das gestantes e, quando acompanhado de hipertensão arterial e proteinúria, configura quadro de pré-eclampsia.

Metabolismo Protéico

As necessidades protéicas estão aumentadas na gestação para atender a demanda do feto, do útero, das mamas, da placenta, do volume sangüíneo. Para atender ao balanço nitrogenado positivo, a ingestão protéica deve responder por 25% do valor energético da dieta.

Metabolismo dos Carboidratos

A gestação normal se caracteriza por leve hipoglicemia de jejum, hiperinsulinemia e hiperglicemia pós-prandial. No início da gestação, o estrogênio e a progesterona estimulam a secreção endógena de insulina e melhoram a utilização periférica de glicose.


Na segunda metade da gestação, há incremento da produção de hormônios contra-insulares, como a somatomamotrofina coriônica humana, que estimulam a lipólise e poupam a utilização de glicose; o que caracteriza resistência periférica à ação da insulina.

Metabolismo Lipídico

As concentrações sanguíneas de lipoproteínas e de lipídeos totais aumentam no decorrer da gestação. O colesterol total aumenta 50%, enquanto os triglicerídeos podem triplicar.

Devido à ação da progesterona e do estrogênio sobre o fígado, a concentração de lipoproteína de baixa densidade (LDL) atinge seu maior valor na idade gestacional de 36 semanas; enquanto a lipoproteína de alta densidade (HDL) atinge seu pico na idade gestacional de 25 semanas, mostrando queda até 32 semanas tendo seu valor é mantido até parto.

Na primeira metade da gestação, os valores plasmáticos de lipídeos totais e glicerol diminuem em razão do acúmulo de gordura corporal. No último trimestre, estas reservas eles se tornam necessárias como fonte energética.

Metabolismo Eletrolítico

Há retenção de sódio no organismo materno em decorrência do aumento do líquido amniótico e da expansão do líquido extracelular.

As necessidades de iodo estão aumentadas na gestação (a tireóide depura 2 vezes o volume habitual de sangue para tentar manter a captação adequada de iodo).

As concentrações plasmáticas de cálcio e de magnésio diminuem durante a gestação, mas a absorção intestinal se encontra aumentada para suprir as necessidades fetais.

A absorção intestinal de ferro está aumentada em 20%, podendo ser de 40% quando as reservas maternas são precárias. A anemia ferropriva (por deficiência de ferro) na gestação está associada a parto prematuro, abortamento tardio e retardo de crescimento intra-uterino.

Metabolismo das Vitaminas: com exceção das vitaminas K e E, as concentrações sangüíneas das vitaminas diminuem na gestação.

As concentrações sangüíneas das vitaminas K e E aumentam na gestação em decorrência da mobilização das reservas maternas.A suplementação de vitamina A, no período gestacional, está associada à teratogênese (defeitos da embriogênese).

A deficiência de ácido fólico está associada ao desenvolvimento de defeitos de fechamento do tubo neural, abortamento e outras anomalias fetais.

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