Anemias: Classificação Quanto à Morfologia

A classificação das anemias é feita mediante diferentes parâmetros, tais como morfologia, cromaticidade e generatividade.

Quanto à morfologia, as anemias são classificadas em três tipos:

• Microcítica: quando os eritrócitos têm tamanho menor do que o normal para a espécie em questão;
• Normocítica: quando os eritrócitos têm tamanho normal para a espécie;

• Macrocítica: quando os eritrócitos são maiores do que o tamanho normal para a espécie. Estas ainda podem ser reclassificadas como pseudomacrocítica e macrocítica verdadeira.

A classificação quanto à cromaticidade está relacionada à quantidade de hemoglobina presente em cada eritrócito, por isso é classificada em apenas dois tipos:

• Hipocrômica: quando os eritrócitos possuem quantidade de hemoglobina menor do que o normal;
• Normocrômica: quando os eritrócitos possuem quantidade de hemoglobina normal.
Não há classificação como anemia hipercrômica, pois a produção de hemoglobina é regulada de modo que não há exacerbação.

Anemias Pseudomacrocíticas

As anemias pseudomacrocíticas são as mais comuns e podem ser observadas em processos hemorrágicos ou hemolíticos. Estes processos levam à diminuição do número de eritrócitos maduros e consequente hipóxia tecidual; em resposta a isto, a medula óssea libera na circulação células jovens, como os reticulócitos, metarrubrócitos e até rubrócitos, que são maiores do que as hemácias maduras. Assim como são maiores por serem jovens, estas células também ainda não possuem a quantidade adequada de hemoglobina em seu interior e, portanto, serão classificadas também como hipocrômicas.

Anemias Macrocíticas Verdadeiras

Esse tipo de anemia se deve às deficiências de vitamina B12 (cobalamina ou cianocobalamina) e vitamina B9 (ácido fólico ou folacina), pois estas são essenciais à síntese do DNA. Sendo essenciais à síntese do DNA, a falta destas vitaminas prejudica as mitoses e estas cessam na fase de prorrubrócito; no entanto, os processos de hemoglobinização e expulsão do núcleo seguem normalmente, dando origem a células maiores do que o normal, porém devidamente hemoglobinizadas, chamadas de megaloblastos. Os megaloblastos estão presentes em anemias classificadas como macrocíticas normocrômicas.

Em seres humanos, a anemia megaloblástica é conhecida como anemia perniciosa. A deficiência alimentar de vitamina B12 em seres humanos é incomum, pois estes possuem grandes reservas hepáticas e as fontes alimentares são diversas, tais como ovos, carne bovina, peixes e produtos lácteos. Normalmente, afecções do estômago são as causas mais frequentes da anemia perniciosa, pois as células parietais do estômago produzem o fator intrínseco que se liga a esta vitamina e é indispensável à sua absorção no íleo para que então chegue à corrente sanguínea; sem o fator intrínseco a vitamina B12 percorre todo o intestino até ser excretada nas fezes.

Outras situações que podem levar à anemia perniciosa em humanos são a doença de Crohn, doenças que levam a um aumento do crescimento bacteriano no intestino delgado e cirurgias do estômago ou do íleo. Já a falta do ácido fólico é mais comum, pois tanto as necessidades diárias desta vitamina assim como sua excreção são altas e o organismo humano não possui grandes estoques hepáticos como ocorre com a B12; os principais alimentos que a contém são vegetais crus, frutas frescas, carne vermelha e produtos lácteos, mas a cocção geralmente a destrói. Afecções intestinais, doença de Crohn, espru e certos medicamentos anticonvulsivantes e contraceptivos orais também prejudicam sua absorção levando à deficiência. Nos animais as deficiências das vitaminas B12 ou B9 são incomuns. Cães e gatos são raramente acometidos por este tipo de anemia, pois sequer dependem de um fator intrínseco para absorção da vitamina B12, e nos casos dos cães, sua flora intestinal é capaz de sintetizar o ácido fólico. Nas raras situações em que ocorre deficiência de uma destas vitaminas nos cães e gatos, a anemia é normocítica normocrômica, pois os megaloblastos são retidos na medula óssea.

Os outros animais domésticos também não são frequentemente acometidos por anemias megaloblásticas. Os suínos produzem o fator intrínseco para absorção no duodeno. Ruminantes e equinos produzem a vitamina B12 no rúmen e ceco, respectivamente, sendo um dos fatores predisponentes à anemia perniciosa, o fato de o animal se encontrar em uma pastagem pobre em cobalto (Co), visto que cada molécula desta vitamina (cianocobalamina) contém um átomo de cobalto; nestes animais a anemia pode ser macrocítica ou normocítica, sempre normocrômica.

Anemias Normocíticas

As anemias normocíticas são também normocrômicas e estão frequentemente associadas à falta de resposta da medula óssea, seja por inibição ou pouco estímulo à eritropoese (deficiência de eritropoetina). Isto não significa que toda anemia normocítica normocrômica é arregenerativa.

Anemias Microcíticas

As anemias microcíticas são indicadoras de prejuízo na síntese da hemoglobina, pois são consequência da interrupção do processo de maturação celular assim como da hemoglobinização na fase de rubrócito. Além disso, ainda ocorre uma mitose adicional, acarretando a formação de células pequenas e pouco hemoglobinizadas, chamadas micrócitos, e por isso, as anemias microcíticas são também hipocrômicas.

Entre as causas de anemia microcítica hipocrômica temos diversas:

• Deficiência de ferro: a deficiência de ferro de origem alimentar é um tanto rara, já que este mineral é muito difundido, mas pode ocorrer em filhotes, pois o leite é pobre em ferro.

Filhotes que têm acesso a terra podem ingeri-la a fim de compensar esta carência alimentar, o que não ocorrem em animais criados em explorações industriais, tais como leitões em granjas, por exemplo.

• Deficiência de vitamina B6 (piridoxina): provoca este tipo de anemia nos cães.

• Deficiência de cobre: causa anemia microcítica hipocrômica em suínos e ruminantes; a deficiência de cobre nos cães também produz anemia, porém normocítica normocrômica.

• Hemorragias crônicas: como será discutido a seguir (Anemia Regenerativas Hemorrágicas) que consomem quantidade significativa de sangue do animal e consequentemente o ferro disponível, prejudicando a eritropoese.

• Intoxicação por chumbo (Pb): provoca este tipo de anemia também em cães.

• Inflamações crônicas: processos inflamatórios crônicos geralmente levam à anemia normocítica normocrômica, mas também podem causar anemia microcítica hipocrômica. Isto ocorre porque os neutrófilos utilizam ferro na produção de lactoferrina, substância importante à função destas células.

• Infecções bacterianas: especialmente aquelas causadas por bactérias que consomem o ferro para seu metabolismo, tais como Staphylococcus aureus, Scherichia coli, Pasteurella multocida e Micobacterium tubercullosis. Na tentativa de defesa, o organismo diminui a absorção do ferro, diminui a produção da transferrina e aumenta o sequestro do ferro pelos macrófagos. Este sequestro do ferro produz um efeito bacteriostático, que impede a sua utilização pelas bactérias, prejudicando seu desenvolvimento, porém também prejudica a eritropoese, pois o ferro não se encontra disponível.

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