Anticoncepção no pós-parto e pós-aborto

Após o parto, aborto ou mesmo durante o pré-natal, algumas mulheres poderão expressar o desejo de prevenir outra gravidez. Quando isso acontecer, o profissional de saúde deverá esclarecer como o organismo da mulher apresenta-se em termos hormonais e quais as reais possibilidades de ela engravidar após esses eventos.

Após o parto e o início da amamentação, o corpo tende a suprimir a ovulação, prevenindo a mulher de uma nova gravidez. A lactação com amenorreia (LAM) constitui um método eficaz, desde que sejam respeitadas três condições: estar dentro dos seis primeiros meses após o parto, ausência da menstruação e amamentação exclusiva ou, pelo menos, representando cerca de 85% da alimentação do recém-nascido.
Nem todas as mulheres, todavia, desejarão amamentar. Nestes casos, a fertilidade costuma retornar em torno de um a dois meses. Para mulheres que não amamentam e que desejam a contracepção, o profissional de saúde deve estimular o aleitamento materno como benefício para a saúde da mãe e do bebê, e oferecer orientação sobre métodos contraceptivos que não interfiram com a lactação.
Cuidados pós-aborto

No pós-aborto o método da LAM não constituirá uma opção. Como o corpo da mulher não terá estímulo para suprimir a ovulação, a fertilidade tende a retornar quase que imediatamente, em geral antes do primeiro sangramento menstrual (CEARÁ, 2002). Diante disso, é importante que o profissional de saúde investigue o desejo ou não de engravidar.
Caso a mulher deseje engravidar após um aborto, a vontade dela deverá ser respeitada, uma vez que, não havendo problemas que ponham em risco a saúde dela e/ou do futuro bebê, não há motivo para desestimular a concepção (CEARÁ, 2002). Quando, contudo, for evidenciada alguma patologia que interfira em uma gravidez saudável, o profissional de saúde deverá conversar sobre o assunto com a usuária e providenciar tratamento adequado. 

Quando, após o aborto, há o desejo da anticoncepção, a usuária deve ser devidamente esclarecida sobre vantagens, desvantagens e como utilizar cada método contraceptivo. Cabendo ao profissional de saúde promover a conscientização da mulher e direcioná-la à escolha que melhor se adéque à sua realidade e às suas aspirações, respeitando, sempre, a autonomia que a mulher possui sobre o próprio corpo e sobre a própria saúde.
Cuidados contraceptivos

A dupla proteção do preservativo e o fato deste método não envolver efeitos colaterais fazem dele um dos métodos mais estimulados para mulheres que desejam a contracepção no pós-aborto ou no pós-parto e que não desejam amamentar ou utilizar a LAM.

Caso a mulher opte pelo preservativo feminino ou masculino, é extremamente relevante que o profissional se certifique de que ela está segura a respeito da forma correta de uso.

É recomendável, inclusive, que o profissional solicite à usuária que relate, passo a passo, todo o procedimento, incluindo conservação, inserção, retirada e destino após o uso.
Outra opção consiste no diafragma, pois este método também não acarretará prejuízos para mulheres em aleitamento exclusivo nem para aquelas que sofreram aborto. Algumas restrições, todavia, devem ser observadas.

Logo após o parto ou aborto, o colo do útero pode encontrar-se momentaneamente alterado em sua forma e/ou volume. Por conta disso, recomenda-se que o uso do diafragma se inicie apenas de 6 a 12 semanas após o parto ou aborto de 2º trimestre, a fim de não comprometer o ajuste do artefato (BRASIL, 2002). Enquanto isso se deve estimular o uso de outro método.
O Diu como método

A inserção do DIU também apresenta algumas restrições. No caso do parto, a orientação é que seja inserido imediatamente após a dequitação da placenta, obedecendo ao limite de até 48 horas após o parto. Passado esse período, o DIU só deve ser colocado 6 semanas após o parto (BRASIL, 2002).
Os anticoncepcionais exclusivos de progestágeno constituem uma boa opção para mulheres que estão amamentando, pois, por não serem compostos por estrógeno, não interferem na lactação. Todavia, recomenda-se que seu uso seja iniciado 6 semanas após o parto, devido à imaturidade do sistema hepático do recém-nascido.

Em mulheres que não amamentam iniciar no 1º dia da 1ª menstruação ou 40 dias após o parto. O uso dos hormonais orais exclusivos de progestágeno é de uma pílula diariamente, no mesmo horário, de forma ininterrupta, sem intervalo entre as cartelas (BRASIL, 2002).

Os anticoncepcionais combinados não estão indicados a mulheres que amamentam em virtude de seus efeitos supressores para a lactação. Em mulheres que não amamentam, o uso deverá ser iniciado nos primeiros 5 dias do ciclo menstrual ou 40 dias após o parto (BRASIL, 2002).

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