Aplicação intramuscular: Como funciona?

A via intramuscular (IM) é frequentemente utilizada para administração de medicamentos, pois fornece uma absorção mais rápida do que a via subcutânea, devido a maior vascularização dos músculos, entretanto, apresenta diversos riscos para o paciente, portanto, a utilização dessa via envolve uma série de aspectos a serem avaliados na tomada de decisão.

 A aplicação pela via IM está indicada quando:

· Necessita-se de ação rápida do medicamento, porém não imediata;

· Para administração de substâncias irritantes por outras vias.

· Introdução de substâncias de difícil absorção, como metais pesados e medicamentos oleosos.

· Administração de baixo volume de soluções.

O local de aplicação deve ser selecionado considerando a distância a nervos e vasos importantes, o desenvolvimento da musculatura para absorver o medicamento, espessura do tecido adiposo da região, idade do paciente, atividade do paciente, integridade do tecido muscular. A escolha inadequada do local de aplicação pode resultar em desconforto para o paciente, e mais seriamente, lesões em vasos sanguíneos, nervos e no próprio tecido muscular.

Locais de aplicação

Músculo vasto-lateral da coxa

Está localizado na região anterolateral da coxa, não se evidenciando grandes nervos ou vasos sanguíneos. Trata-se de um músculo bem espesso e desenvolvido, pode ser utilizado em adultos e crianças. É o local de escolha para aplicações IM em lactentes.

O local de aplicação deve ser no terço médio do músculo. Nas crianças e em indivíduos caquéticos, deve-se segurar o músculo para assegurar que o medicamento está sendo injetado no tecido muscular. Para ajudar no relaxamento da musculatura, deve-se posicionar o paciente em decúbito dorsal com o joelho ligeiramente flexionado ou ficar na posição sentada.

O volume máximo a ser administrado é de 0,5ml em prematuros e neonatos; 1,0 ml em lactentes; 1,5 ml em indivíduos com idade entre 3 e 14 anos; e até 3ml em indivíduos adultos.

Em indivíduos adultos e mulheres com peso superior a 90kg, pode ser utilizada a agulha 25x7mm, enquanto em crianças, recomenda-se a agulha tamanho 25x6mm. Músculo reto-femoral: está localizado medialmente ao músculo vasto lateral, mas não cruza a linha da região anterior da coxa.

O local para administrar a injeção é determinado da mesma maneira do músculo vasto-lateral. Ele pode ser usado tanto em crianças quantos nos adultos. A principal vantagem é que esse músculo pode ser utilizado na autoadministração de medicamentos, entretanto há um risco, pois, sua borda medial está localizada próxima ao nervo ciático e importantes vasos sanguíneos.

Região Vento-glútea: a região vento-glútea constitui uma área segura para aplicação IM pois está localizada profunda e distante de nervos e vasos sanguíneos importantes, além de ser de fácil acesso. Para localizá-lo, é necessário posicionar o paciente em decúbito dorsal ou lateral, colocando-se a palma da mão na porção lateral do glúteo e o dedo médio estendendo-se até a crista ilíaca.

A aplicação é feita no centro do V formado pelos dedos indicador e médio, direcionando-se a agulha discretamente para cima, na direção da crista ilíaca. O paciente pode ajudar a relaxar o músculo direcionando os dedos do pé para dentro ao adotar decúbito ventral, para auxiliar a redução da dor. É recomendada para crianças a partir de 3 anos, obedecendo o volume máximo de 1,5ml (até 6 anos). Em crianças maiores (até 14 anos) pode ser administrado até 2,5ml. O volume máximo no adulto é de 4,0ml. Recomenda-se a agulha de calibre 30x7mm em pacientes adultos.

Região dorso-glútea

Para aplicação nessa região, o paciente deve ser colocado em decúbito ventral em superfície plana. O local é identificado desenhando-se uma linha imaginaria que vai da espinha ilíaca póstero-superior até o trocanter maior do fêmur.

A injeção deve ser aplicada em qualquer ponto entre essa linha imaginária e a curva da crista ilíaca. A seringa deve estar perpendicular à superfície da cama e a agulha direcionada no sentido póstero-anterior.

O paciente pode ajudar a relaxar o músculo direcionando os dedos do pé para dentro ao adotar decúbito ventral, para auxiliar a redução da dor. Esta área não tem sido mais recomendada em diversas localidades, pois tem sido associada a graves complicações como lesão do nervo ciático e da artéria glútea superior, devido variações anatômicas.

Em indivíduos obesos, não se recomenda administração nessa região devido ao volumoso tecido subcutâneo. Não se recomenda o uso dessa região em crianças menores de um ano.

O volume máximo a ser administrado em crianças de 3 a 6 anos é de 1,0ml; crianças de 3 a 14 anos, 1,5 a 2,5ml; e em adultos de 4,0ml. Recomenda-se a agulha de calibre 30x7mm em pacientes adultos.

Músculo deltóide

Embora de fácil acesso, a região do deltoide não é incentivada, pois em alguns adultos o músculo não é muito desenvolvido, além disso, existe risco de lesões na clavícula, nervos axilares, braquial e ulnar e artéria braquial.

É recomendado apenas na administração de vacinas ou quando não há possibilidade de administrar em outras regiões. Para localizar o deltoide, exponha completamente o braço e o ombro do paciente. O paciente deve relaxar o braço ao lado do corpo e flexionar o cotovelo. Ele pode ficar sentado, em pé ou deitado.

Palpe a borda inferior do processo do acrômio, que forma a base de um triangulo alinhado com o ponto médio da face lateral do braço. A região de aplicação encontra-se no centro do triângulo, a aproximadamente 3 a 5cm abaixo do processo do acrômio.

Também pode ser identificado traçando-se uma linha imaginária através da axila e outra ao nível da borda inferior do acrômio. As bordas laterais do retângulo são linhas verticais paralelas localizadas entre o terço anterior e o médio e entre o terço posterior e o médio da face lateral do braço.

A região do deltoide é indicada para administração de medicamentos em crianças a partir dos 6 anos de idade até a fase adulta, sendo o volume máximo de 0,5ml em crianças e 1,0ml em adultos. Recomenda-se a agulha de calibre 25x7mm.

Descrição dos procedimentos

  • Realizar a higienização das mãos. Conferir os nove certos: paciente certo, medicamento certo, dose certa, hora certa, via certa, registro certo, diluição certa s/n, riscos aos profissionais e riscos ao paciente;
  • Fazer e colocar o rótulo de identificação do medicamento com: nome, dose, horário, via de administração e paciente;
  • Separar o material necessário;
  • Realizar a desinfecção da bandeja com álcool a 70%;
  • Realizar a higienização das mãos;
  • Fazer a desinfecção no frasco ou ampola com algodão umedecido em clorexidina alcoólica ou álcool a 70%;
  • Fazer a reconstituição com o líquido recomendado, se necessário;
  • Aspirar o conteúdo do frasco com agulha 40x12mm;
  • Trocar a agulha (para 25×7 ou 30×8);
  • Retirar o ar da seringa;
  • Colocar o rótulo de identificação do medicamento na seringa;
  • Reunir o material a ser utilizado na bandeja;
  • Levar a bandeja até a unidade do paciente e colocá-la na mesa de cabeceira;
  • Informar e explicar o procedimento ao paciente;
  • Conferir o rótulo com os dados do paciente;
  • Realizar a higienização das mãos;
  • Posicionar o paciente de forma adequada ao procedimento;
  • Calçar as luvas de procedimento;
  • Expor a área de aplicação e definir o local da administração;
  • Fazer a antissepsia do local;
  • Inserir a agulha da injeção em um ângulo de 90º em relação ao músculo;
  • Aspirar lentamente o êmbolo da seringa e certificar-se de que não atingiu nenhum vaso sanguíneo (se houver retorno sanguíneo, não injetar o medicamento, retirar a agulha e comprimir o local;
  • Injetar lentamente o conteúdo da seringa. Retirar a agulha e a seringa em um movimento rápido. Aplicar leve compressão ao local com gaze ou algodão, sem massagear;
  • Descartar o material perfurocortante no recipiente adequado (sem desconectar a agulha da seringa e sem reencapar);
  • Retirar a luva de procedimento;

Lavar a bandeja com água e sabão, secar com papel toalha e realizar a desinfecção com álcool a 70%;

  • Realizar a higienização das mãos;
  • Checar o horário da administração do medicamento na prescrição médica.

Cuidados relacionados

  • Checar o medicamento após a sua administração e se não foi administrado circular o horário e anotar o motivo;
  • Se o medicamento for dado fora do horário prescrito, checar o novo horário de administração e anotar o motivo;
  • Registrar qualquer tipo de reação que o paciente possa ter após receber a medicação e comunicar ao enfermeiro responsável e/ou o médico;
  • Realizar rodízio nos locais de aplicação;
  • Não reencapar a agulha;
  • Em pacientes idosos e edemaciados, deve-se avaliar os locais que apresentam massa muscular suficiente para receber o medicamento.

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