Aprendendo sobre parada cardíaca e parada respiratória

Provavelmente você já assistiu, em algum filme, a alguém sofrendo uma parada respiratória, cardíaca ou até mesmo uma cardiorrespiratória, não é verdade? Como o próprio nome diz, parada é a ausência de algum mecanismo corporal – neste caso, a respiração ou o batimento cardíaco –, percebida por meio da não existência de sinais vitais.


O sistema corporal


A respiração e o batimento cardíaco são realizados por dois sistemas do organismo: o sistema respiratório e o sistema cardíaco. Através da respiração, nosso corpo consegue eliminar gás carbônico e obter oxigênio. O oxigênio é um gás muito importante, porque ele é essencial para que cada célula obtenha energia para realizar sua função. Por exemplo, a célula cardíaca necessita do oxigênio para se contrair e, consequentemente, levar à contração do coração.


A contração do coração provoca um sinal, que é o batimento cardíaco. Essa contração permite a circulação do sangue pelo corpo. O sangue leva nutrientes e oxigênio às células e captura gás carbônico e produtos metabólicos, que não serão mais utilizados pelas células, para serem eliminados.


Você observou, então, que um sistema está relacionado com o outro. A perda de função de algum deles na parada cardíaca ou na respiratória, se não for rapidamente corrigida, poderá resultar na falência de ambos os sistemas e, consequentemente, na morte da vítima.


Neste texto, você vai aprender a identificar a ocorrência de uma parada respiratória e de uma parada cardíaca e o que deve ser feito para socorrer a vítima.


Quais são os principais sinais vitais do ser humano?

Os sinais vitais, como o próprio nome diz, estão relacionados à existência de vida. Eles são importantes indicadores do funcionamento normal do corpo e de qualquer alteração da função corporal.


Existem vários sinais vitais utilizados na prática clínica de profissionais de saúde. Agora você irá conhecer os principais: o pulso, a temperatura corpórea e a respiração.

Pulso
O pulso relaciona-se com as pulsações ou batidas do coração, que impulsionam o sangue para as artérias. Esse movimento gera uma onda de pressão que é percebida nas artérias. Podemos identificar uma onda de pressão quando ela fica oscilante, ou seja, ao pressionar as artérias, verificamos que há uma variação das pulsações.

Dependendo da idade da vítima, você irá perceber o pulso mais facilmente em determinados locais do corpo. Para isso, é necessário que conheça os principais tipos de pulsos:

Em crianças com menos de um ano:
• Pulso braquial: para sentir esse pulso, você deve repousar os dedos na região da axila, debaixo do ombro.
• Pulso femoral: para sentir esse pulso, você deve repousar os dedos próximos à região da virilha.


Em crianças com mais de um ano e em adultos:
• Pulso radial: para sentir esse pulso, você deve repousar seus dedos na região do pulso, na direção do dedo polegar.
• Pulso carotídeo: para sentir esse pulso, você deve repousar seus dedos na região do pescoço. É um pulso forte devido à proximidade ao coração.

Procedimento para medir a pulsação


Você sabia que, para verificar o pulso da vítima, você deve utilizar os dedos indicador e médio? Isso porque a pulsação arterial desses dedos é fraca. Logo você não irá confundir a sua própria pulsação com a da vítima. Assim, nunca verifique o pulso usando o polegar, pois poderá se enganar, sentindo seu próprio pulso. Além do pulso, você pode sentir os batimentos cardíacos da vítima encostando seu ouvido no lado esquerdo do peito dela. Escolha o melhor pulso, de acordo com a idade da vítima, e verifique qual é o mais fácil.


Temperatura corporal
Nosso organismo possui uma diversidade de mecanismos que trabalham juntos, para manter a temperatura corporal quase constante, permitindo apenas variações mínimas. A temperatura é medida por meio de termômetros (de mercúrio ou digitais), que devem ser colocados durante alguns minutos (3 a 5 minutos) na axila ou na boca.


O termômetro é um velho conhecido de todos nós. Com certeza, já utilizamos um termômetro, em nós mesmos ou em alguma outra pessoa, para medir a temperatura. O tipo de termômetro mais comum é aquele que possui uma coluna de mercúrio que se desloca de acordo com a temperatura corporal, mas também existem os termômetros digitais, que marcam a temperatura direto no visor.

Veja, a seguir, quais são os desvios de temperatura:
• Estado febril: 37,5 a 38ºC
• Febre: 38 a 41ºC
• Hipertermia: maior que 41ºC
• Hipotermia: menor que 35ºC


A temperatura sentida na pele sem o uso de um termômetro é a temperatura corporal periférica, que difere da corporal central. Esta, por sua vez, é a temperatura interna (pode ser medida com o auxílio de um termômetro), que, ao longo do dia sofre grandes transformações, de acordo com a temperatura do ambiente. Mesmo se a pessoa estiver muito fria ou muito quente, deve-se checar a temperatura, usando-se o termômetro, para que seja possível classificá-la como hipotermia ou febre.


Respiração
A respiração, na prática, é o conjunto de dois movimentos: o dos pulmões e o dos músculos do peito. A respiração envolve a inspiração, que é a entrada de ar pela boca e pelo nariz, e a expiração, que é a saída de ar também pelo nariz e pela boca.

E como você, socorrista, deve sentir a respiração da vítima? Você pode percebê-la de dois modos:

  • Através dos movimentos respiratórios, ou seja, o movimento de “sobe e desce do peito”, chamado de “arfar”.
  • Através da aproximação até a boca ou nariz da vítima, para ouvir a respiração ou para senti-la.

Quais são os tipos de parada?

Parada respiratória
A parada respiratória é a parada súbita da respiração, ou seja, a parada dos movimentos de inspiração e expiração. Com isso, há falta de oxigênio nos tecidos do corpo, principalmente em órgãos vitais, que necessitam de um maior teor de oxigênio, como o coração e o cérebro.

A falta de oxigênio no coração pode levar ao comprometimento de sua função. Quando isso ocorre, observa-se um quadro de parada cardíaca, que você verá na próxima sessão. É por isso que, muitas vezes, observamos a parada cardiorrespiratória, que é a parada respiratória seguida pela parada cardíaca.


Quando uma pessoa sofre uma parada respiratória, ela apresenta diversos sinais. Como socorrista, você deverá estar atento aos seguintes sinais:

  • ausência de movimento no tórax;
  • arroxeamento da face;
  • unhas e lábios azulados;
  • inconsciência;
  • E, imobilidade.


As principais causas da parada respiratória são:

  • inalação de vapores ou gases;
  • afogamentos;
  • choque elétrico;
  • contusão no crânio;
  • E, obstrução das vias aéreas.

O que é respiração artificial?

Após realizar os passos descritos, é necessário aplicar o método de respiração artificial. Esse método é muito utilizado e consiste em soprar ar para dentro dos pulmões da vítima. 

A respiração artificial é dividida em duas técnicas:

  • Respiração boca-a-boca.
  • Respiração boca-nariz.


A respiração artificial deve ser feita em intervalos de cinco segundos, até que a vítima recupere o movimento da respiração ou até que o atendimento médico especializado chegue ao local. A técnica da respiração boca-nariz geralmente é mais utilizada em crianças. Neste procedimento, os passos descritos para a respiração boca-a-boca devem ser repetidos.


A diferença é que, em vez de você colocar sua boca sobre a boca da vítima, você deve colocá-la sobre o nariz e fechar a boca da vítima. Se, depois da respiração artificial, a vítima não voltar a respirar, verifique sua pulsação. Caso não consiga sentir seu pulso, inicie a massagem cardíaca externa, pois ela está sofrendo uma parada cardíaca. E é justamente sobre esse assunto a nossa próxima sessão, logo depois que você realizar uma atividade.

Você deve estar atento aos seguintes aspectos

A parada respiratória leva à morte, num período de 3 a 5 minutos.
Assim, não interrompa a respiração artificial. Ela só deverá ser interrompida quando aparecerem os movimentos respiratórios espontâneos ou quando chegar o socorro médico. Após o restabelecimento da vítima, vire sua cabeça de lado para facilitar a respiração.


Parada cardíaca

Como você viu, o coração é um órgão que bombeia o sangue para todo o corpo, inclusive para os pulmões, onde será oxigenado. A parada cardíaca ocorre quando o coração para. Com isso, não há transporte de oxigênio para o corpo. Como o cérebro é um órgão muito sensível à falta de oxigênio, após cerca de 4 minutos, ele começa a sofrer lesões irreversíveis, levando à morte cerebral. Como mencionado anteriormente, para identificar se a vítima está sofrendo parada cardíaca, você deve verificar seus batimentos cardíacos. E qual a maneira correta de verificar os batimentos cardíacos? 

Os principais sinais de uma parada cardíaca são os seguintes:

• ausência de batimento cardíaco;
• ausência de pulsação (critério isolado mais confiável);
• ausência de respiração;
• pele fria e amarelada;
• pupilas dilatadas;
• inconsciência.


As principais causas de parada cardíaca são:
• ataque cardíaco;
• afogamentos;
• choque elétrico;
• reação alérgica grave;
• contusão no crânio;
• intoxicação por gases ou medicamentos.


Atendimento em caso de parada cardíaca


Na parada respiratória, você, como socorrista, deve realizar respiração artificial. Já no caso de parada cardíaca, qual o procedimento mais adequado? Nesse caso, o procedimento mais adequado é a realização da massagem cardíaca externa. Essa técnica consiste em pressionar a região média do tórax contra a coluna vertebral, comprimindo, assim, o coração e fazendo um bombeamento artificial do sangue, com a finalidade de manter o funcionamento dos órgãos vitais. O procedimento de massagem cardíaca deve ser realizado quando se constata que a vítima não apresenta batimentos cardíacos.


Em crianças de 2 a 10 anos, a pressão deverá ser menor, utilizando-se apenas uma das mãos, podendo a outra ser colocada sob o tórax para apoio. Em recém-nascidos (até um ano), deve-se utilizar a ponta dos dedos, pois a região é muito frágil e flexível.


Faça duas respirações artificiais para cada 30 massagens cardíacas. Lembre-se de que estes procedimentos são para atendimento a uma vítima que está sofrendo uma parada cardíaca. Verifique se o pulso e a respiração espontânea voltaram ao normal. Se negativo, continue… Se positivo, monitore-o e aguarde ajuda médica.

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