Assistência de enfermagem ao paciente cirúrgico

O preparo pré-operatório tem início com a internação, estendendo-se até o momento da cirurgia. Tem por objetivo levar o paciente às melhores condições possíveis para cirurgia, para garantir-lhe menores possibilidades de complicações. Cada paciente deve ser tratado e encarado individualmente.

Dependendo da cirurgia a ser realizada, o preparo pré-operatório poderá ser feito em alguns dias ou até mesmo em minutos. As cirurgias que exigem um rápido preparo são as cirurgias de emergência, estas devem ser realizadas sem perda de tempo, a fim de salvar a vida do paciente.

Preparo psicológico
Tem como objetivo assegurar confiança e tranquilidade mental ao paciente. A internação pode significar reclusão, afastamento dos familiares, e o paciente pode ficar ansioso e cheio de temores. O trabalho e a vida diária do paciente são, momentaneamente, paralisados e o desconhecimento do tratamento ao qual será submetido, tudo isso, gera estresse, insegurança, desassossego e medo.

Estes estados psicológicos, quando não reconhecidos e atendidos, podem levar o paciente a apresentar vômitos, náuseas, dor de cabeça, não cooperando para a recuperação pós-cirúrgica, levando-o a complicações respiratórias, agitação e outros problemas.

Para auxiliar o paciente a enfermagem deve ser calma, otimista, compreensiva, e saber como desenvolver confiança. Inteirados da aflição do paciente a enfermeira chefe deve ser notificada, para que tome a melhor medida.

Muitas vezes o paciente tem medo da morte, durante ou após a cirurgia, tem medo de não acordar da anestesia, tem medo de perder qualquer parte do corpo ou de sentir dor durante a cirurgia. Dependendo da necessidade, a enfermeira solicitará a presença do cirurgião ou anestesista para esclarecer o paciente.

Portanto, a enfermagem, embora solicitando outros profissionais para atender o paciente em suas necessidades psicológicas, é principalmente a pessoa que ouve, compreende, ampara e conforta.

Preparo físico
É dividido em três etapas:
1. Preparo inicial é quando o paciente vai ser submetido a exames laboratoriais (exames pré-operatórios), que vão assegurar a viabilidade ou não da cirurgia.

Nesta fase, a atuação da enfermagem no preparo se relaciona:
– Ao preparo do paciente, explicando os procedimentos a serem realizados;
– A coleta e encaminhamento dos materiais para exames;
– A manutenção do jejum, quando necessário;
– A aplicação de medicamentos, soro e sangue;
– A realização de controles;
– Sinais vitais;
– Diurese;
– Observação de sinais e sintomas;
– Anotação na papeleta.

2. Preparo físico na véspera da cirurgia tem por objetivo remover toda a fonte de infecção, através da limpeza e desinfecção, conseguida com um mínimo de esgotamento do paciente.

Essa segunda etapa se processa assim:

– Verificar lista de cirurgia: quais os pacientes que serão operados, nome da cirurgia, horário, se há pedido de sangue, preparos especiais ou de rotina;
– Providenciar material e colher a amostra de sangue para tipagem sanguínea;
– Observar sintomas como tosse, coriza, febre, variação de pressão arterial e outros.
Proceder a limpeza e preparar a pele para cirurgia da seguinte forma:
– Tricotomia da região a ser operada, bem ampla;
– Banho completo, incluindo cabeça e troca de roupa;
– Limpeza e corte das unhas, remover esmaltes (pés e mãos) para poder observar a coloração durante a cirurgia;
– Mandar barbear os homens;
– Dieta leve no jantar;
– Lavagem intestinal ou gástrica, de acordo com a prescrição médica;
– Jejum após o jantar, orientar o paciente;
– Promover ambiente tranquilo e repousante.

3. Preparo físico no dia da cirurgia.
Processa-se assim:

– Verifica se o jejum continua sendo mantido;
– Verificar se todos os cuidados da véspera foram feitos;
– Remover maquiagem, próteses e jóias. As jóias e próteses serão enroladas e guardadas conforme rotina do local;
– Controlar pulso, temperatura, respiração e P.A;
– Urinar meia hora antes da cirurgia;
– Aplicar a medicação pré-anestésica seguindo prescrição médica, e geralmente é feito de 30 a 45 minutos da cirurgia;
– Checar a medicação pré-anestésica dada;
– Fazer anotação na papeleta;
– Ajudar o paciente a passar da cama à maca;
– Levar a maca com o paciente até o centro cirúrgico, juntamente com o prontuário;
Observação: Qualquer cuidado não efetuado deve ser comunicado ao centro cirúrgico.


Preparo pós-operatório

Os cuidados de enfermagem no pós-operatório são aqueles realizados após a cirurgia até a alta. Visam ajudar o recém operado a normalizar suas funções com conforto e da forma mais rápida e segura. Incluímos nesses cuidados o preparo da unidade para receber o paciente internado.

Observação: nos hospitais que possuem, no centro cirúrgico, sala de recuperação, pós-anestésica, receber os pacientes nestes locais imediatamente após a cirurgia, dando-lhes assistência até a normalização de reflexos e sinais vitais. Só posteriormente esse paciente é encaminhado à unidade onde está internado.

Ao receber o paciente no quarto:

– Transportá-lo da maca para a cama com o auxílio de outros funcionários;
– Manter a cama em posição horizontal;
– Cobri-lo e agasalhá-lo de acordo com a necessidade;
– Verificar na papeleta as anotações do centro cirúrgico. Caso tenha sido feita a anestesia raque deixar o paciente sem travesseiro e sem levantar, pelo o menos 12 horas;
– Enquanto estiver semiconsciente, mantê-lo sem travesseiro com a cabeça voltada para o lado;
– Observar o gotejamento do soro e sangue;
– Observar estado geral e nível de consciência;
– Verificar o curativo colocado no local operado (se está seco ou com sangue);
– Restringi-lo no leito com grades, para evitar que caia;
– Se estiver confuso, restringir os membros superiores para evitar que retire soro ou sondas;
– Observar sintomas como: palidez, sudorese, pele fria, lábios e unhas arroxeados, hemorragia, dificuldade respiratória e outros, porque podem ocorrer complicações respiratórias e circulatórias;
– Controlar: pulso, temperatura, respiração e pressão arterial;
– Fazer anotação na papeleta;
– Ler a prescrição médica, providenciando para que seja feita;
– Qualquer sintoma alarmante deve ser comunicado imediatamente.

Nas horas em seguida:

– Ao recuperar totalmente a consciência avisá-lo do lugar onde está e que está passando bem;
– Periodicamente, controlar sinais vitais e funcionamento de soro e sondas;
– Promover comodidade no leito;
– Medicá-lo para dor, quando necessário;
– Movimentá-lo no leito, de decúbito;
– Verificar e estimular a aceitação da dieta.

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