Assistência de Enfermagem na Coleta de Escarro

Falqueto et al (2006) descreve que a análise do escarro é um procedimento de fácil aplicação, contudo, para ser eficaz é importante que o paciente seja bem orientado quanto à forma de coleta, já que uma amostra adequada é aquela livre de contaminação e com material oriundo das vias aéreas superiores.

A assistência da equipe de enfermagem é importante para que a coleta da amostra do escarro esteja adequada às condições necessárias para o exame.

Assim, é indispensável a atenção da equipe com o paciente que será submetido a este exame, a fim de mantê-lo tranquilo e cooperante durante a coleta.

Segundo Brunner (2002), uma das maiores dificuldades que alguns pacientes encontram é a expectoração do escarro, uma vez que este escarro é muito espesso e dificulta a coleta da amostra. Para isso o Enfermeiro e sua equipe devem orientar o paciente para reforçar a ingesta hídrica momentos antes da expectoração, ou então utilizar soluções em aerossóis que podem ser realizados por nebulizador, com o intuito de diminuir a viscosidade. Quando o paciente não consegue expelir espontaneamente o escarro, a equipe induz a tosse profunda por meio da inalação de aerossol irritante com solução salina supersaturada de glicol propileno a fim de obter a expectoração.

Considera-se uma amostra de escarro de boa qualidade aquela obtida a partir da árvore brônquica superior, sendo que o volume necessário para a amostra varia de 5 a 10 ml e o ideal é a realização da coleta de amostra do escarro do paciente ao despertar (FALQUETO et al, 2006).

Para Lima et al (2001), a obtenção do escarro em crianças é muito difícil, sendo utilizados outros métodos para identificação dos bacilos, tais como exame de fezes ou pelo suco gástrico. Também cabe ao Enfermeiro orientar o paciente que realiza a coleta em casa para que tenha o cuidado de não contaminar o frasco internamente, preservando a amostra, e externamente, a fim de evitar suposta contaminação do examinador.

A seguir a técnica de coleta de escarro baseada nas Orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA (2004):

  • Orientar ao paciente quanto à coleta do escarro e não da saliva;
  • Colher a amostra na primeira hora da manhã antes que o paciente faça ingestão de alimentos;
  • Orientar o paciente para que realize a escovação dos dentes somente com água sem uso de antissépticos e nem creme dental, realizando gargarejos por várias vezes somente com água;
  • Solicitar ao paciente que respire profundamente por várias vezes, e, após, tossir profundamente colocando a amostra em frasco de boca larga;
  • Nos casos em que a coleta for difícil, por falta de expectoração suficiente, instrui-se que o paciente realize a inalação, para após efetuar a coleta;
  • Encaminhar o material imediatamente ao laboratório;
  • Em algumas situações pode ser solicitada a coleta de escarro para análise de micobactérias e fungos, recomenda-se então a coleta de três amostras em dias consecutivos sendo uma amostra por dia.

Um dos cuidados mais importantes na coleta da amostra de escarro é a obtenção de uma amostra vinda das vias aéreas superiores, desta forma, é necessário esclarecer ao paciente a diferença entre o escarro e a saliva (cuspe), principalmente, quando o procedimento é realizado em casa, informando que a saliva não deve fazer parte da maioria da amostra.

Coleta de Escarro para Investigação da Tuberculose Pulmonar

Na prática diária da enfermagem em hospitais e/ou postos de saúde identifica-se um considerável número de coletas de escarros para investigação da tuberculose. Por isso, torna-se importante o profissional ter conhecimento acerca deste procedimento e dos principais cuidados preconizados.

Segundo o Ministério da Saúde (2002), a tuberculose consiste em uma doença infecciosa e contagiosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch – BK). A tuberculose pulmonar é transmitida pelo ar de pessoa para pessoa por meio de gotículas contendo os bacilos expelidos por um infectado ao tossir, espirrar ou falar em voz alta pra uma pessoa sadia. Pode ocorrer em qualquer idade e nem todas as pessoas expostas ao bacilo da tuberculose se tornam infectadas.

Um dos elementos utilizados para o Diagnóstico da Tuberculose Pulmonar é o exame bacteriológico – baciloscopia direta do escarro. Sendo considerada uma doença de saúde pública, o estímulo é que sempre esta doença seja investigada pelos profissionais de saúde com o objetivo de identificar e tratar os acometidos.

O exame bacteriológico realizado na investigação da TB tem como amostra o escarro do paciente. O Ministério da Saúde (2002) instrui a solicitação deste exame a todos os pacientes enquadrados nas situações abaixo citadas:

  • Pacientes adultos que procurem o serviço de saúde por apresentarem queixas respiratórias ou qualquer outro motivo e informem ter tosse e expectoração por três ou mais semanas;
  • Pacientes que apresentam alterações pulmonares na radiografia de tórax;
  • Pessoas que entraram em contato com casos de tuberculose pulmonar bacilíferos que apresentarem queixas respiratórias.

A investigação junto ao paciente é de suma importância, desta forma, a Enfermagem contribui na busca por informações, sinais e/ou sintomas que possam levar a uma suspeita de caso de TB. Todas as informações obtidas junto ao paciente e/ou responsável devem ser registradas e discutidas com os demais membros da equipe de Saúde.

A seguir a rotina estipulada pelo Ministério da Saúde (2002) para realização do Exame Bacteriológico.

• Número de amostras a serem coletadas: para o diagnóstico de TB é recomendado duas coletas de amostras de escarro. Sendo a primeira realizada no momento em que o paciente busca o serviço (primeira consulta) e a segunda coleta na manhã do dia seguinte ao despertar, independente do resultado da primeira amostra da coleta;

• Coleta da amostra: entregar ao paciente o frasco para coleta de amostra verificando se a tampa do pote fecha bem e se já está identificado; orientar ao paciente que ao despertar pela manhã, lavar bem a boca sem escovar os dentes, inspirar profundamente, prendendo a respiração por um instante e forçando a tosse escarrar; deve-se repetir este processo até se obter duas eliminações de escarro, sempre evitando que escorra o conteúdo pelas paredes externas do frasco; o frasco após a coleta deve ser tampado e colocado em um saco plástico com a tampa para cima e encaminhado ao laboratório e/ou unidade de saúde. Lavar as mãos antes e após o procedimento. Uma amostra de qualidade para a análise deve vir da árvore brônquica por meio do esforço da tosse e não da faringe ou por aspiração de secreção nasal, nem conter saliva.

• Volume da Amostra: 5 a 10 ml;

• Material para coleta: potes plásticos descartáveis, transparentes, com boca larga e tampa com rosca; capacidade do pote para 35 e 50 ml. O pote deve ser identificado com o nome do paciente e data da coleta, sendo que esta identificação deve ser feita no corpo do copo e nunca na tampa e com fita gomada ou caneta para retroprojetor;

• Local para coleta: local aberto, ao ar livre ou sala arejada;

• Conservação e Transporte da Amostra: preferencialmente as amostras de escarro para investigação da TB Pulmonar devem ser encaminhadas ao laboratório imediatamente após a coleta, sendo que seu período máximo de conservação é de 24 horas em temperatura ambiente ou sete dias sob refrigeração (geladeira própria para material contaminado), a uma temperatura de 2º a 8º C. A amostra sempre deve ser mantida protegida da luz e em pote bem fechado.

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