Classificação dos Hospitais e Características de seus Serviços

Vários motivos fazem com que todo hospital em qualquer território deva ser classificado. Tendo como base a literatura de Cherubin & Santos (1997) e de Gonçalves (1983), essa classificação pode ser obtida sob aspectos distintos aplicáveis às instituições de saúde, sendo elas:

Quanto à finalidade ou tipo de assistência, as instituições podem ser de ordem:

Geral: assiste pacientes de várias especialidades, tanto clínicas quanto cirúrgicas, podendo ser limitados a grupos etários (como os infantis ou geriátricos) ou grupos da comunidade (militar), ou ainda apresentar uma finalidade específica (hospital de ensino); ou Especializada: assiste predominantemente pacientes com alguma patologia (doença) específica, entre eles estão os psiquiátricos, câncer, HIV, de órgãos, etc.

Quanto à administração ou entidade mantenedora, pode ser identificado como:

Público: administrado por entidade governamental municipal, estadual ou federal; ou

Particular: pertencente à pessoa jurídica de direito privado. Quanto ao porte, a instituição pode ser denominada da seguinte forma: Pequeno: tem capacidade menor ou igual a 50 leitos; Médio: possui de 51 a 150 leitos; Grande: oferece de 151 até 500 leitos; e Porte especial ou extra: dispõe de quantidade superior a 500 leitos.

Quanto ao objetivo financeiro, pode ser classificado como:

Não lucrativo

Seus gestores não recebem remuneração ou benefícios, não visa ao lucro, mas se houver, reverte-o em projetos, manutenção e desenvolvimento; no caso de extinção, seu patrimônio é doado à outra instituição de mesmo objetivo social;

Filantrópico

Entidade particular e não lucrativa, que destina uma percentagem de seus rendimentos para assistência gratuita a pacientes sem recursos ou cobertura de saúde;

Beneficente:

Associação particular e não lucrativa voltada à assistência de grupos específicos e se mantém de contribuições de associados e de usuários; ou Lucrativo: particular, objetiva lucro, compensa o emprego de seu capital com distribuição de dividendos.

Quanto à disposição (estrutura física), pode ser:  

 

Monobloco: oferece serviços concentrados em uma única edificação; Multibloco: serviços distribuídos em edificações de médio ou grande porte, interligados ou não; Pavilhonar: dividem os serviços em prédios isolados de pequeno porte, interligados ou não; Horizontal: estrutura predominantemente disposta na horizontal; ou Vertical: apresenta estrutura principalmente na dimensão vertical.

Quanto ao corpo clínico, podem ser assim divididos:

Corpo clínico aberto: tendo ou não médicos efetivos, permite a outros efetuarem internações e assistência aos seus pacientes; ou Corpo clínico fechado: possui corpo clínico permanente, permitindo apenas eventualmente (mediante permissão especial) o exercício de profissionais externos.

Quanto à competência (nível dos serviços médicos), variando conforme o nível de capacitação de seus recursos humanos e a sofisticação tecnológica de seus equipamentos, sendo os três primeiros níveis: Primário: profilaxia (práticas preventivas) e clínica básica; Secundário: clínica básica, não possui avançados recursos tecnológicos; ou Terciário: apresenta desenvolvido nível tecnológico.

Quanto à capacidade e localização, podem ser identificados os tipos: 

OS (posto de saúde): unidade simplificada de até 60 m2 de área construída, cobrindo regiões geralmente agrícolas e população inferior a dois mil habitantes, oferece supervisão médica periódica e presta assistência médica-sanitária, primária e preventiva; CS (centro de saúde): com 100 m2 de área construída, atende população entre dois mil e dez mil habitantes com assistência médica permanente, preventiva e ambulatorial.

Pode ter leitos para emergência até a remoção do paciente para outra unidade de saúde; UM (unidade mista) ou Unidade Integrada de Saúde: estabelecido em locais de população entre dez mil e vinte mil habitantes, presta assistência médica permanente, preventiva e ambulatorial, ainda deve apoiar postos e centros de saúde; caracteriza-se pela introdução de leitos para internação de urgência médico-pediátrica ou obstetrícia; sua área deve ser suficiente para 20 leitos.



Além de conter salas para laboratórios e odontologia; Hospital rural: unidade mista com ambulatório mais desenvolvido e área de acomodação para 50 (cinquenta) leitos para internação em casos de clínica médica, cirúrgica, ginecológica, obstetrícia e pediátrica; Hospital regional ou distrital: destinado a pólos de aproximadamente cem mil habitantes, assiste pacientes médico-cirurgicamente e mais especializadamente;

Apresenta capacidade física para dispor entre 100 e 200 duzentos leitos para internação de caráter geral; remete os casos mais complexos a um hospital de base; Hospital de base: presta assistência médico-cirúrgica e deve ser capaz de realizar procedimentos mais especializados, servindo de apoio para hospitais regionais e como centro coordenador/integrador dos serviços médico-hospitalares de determinada área; deve dispor fisicamente de área para cerca de 300 a 350 leitos; Hospital de ensino: presta os mesmos tipos de assistência do hospital de base, mas serve igualmente às universidades como centro de formação profissional e de pesquisa, deve ter normalmente capacidade para oferecer entre 400 e 500 leitos.



A essa altura, como último, mas como uma tendência, merece constar uma classificação “relativamente mais recente” que se faz em relação à forma ou período de internação, onde podem ser listados de forma simples, os tipos:

Hospital de internação integral

Também conhecido como hospital de base, este é o modelo tradicional de internação mais conhecido; o individuo dá a entrada no hospital, onde fica internado, ou seja, realiza todos seus procedimentos e recuperação sem sair do interior da instituição até ser liberado (receber a alta) pelo médico responsável, após essa liberação o paciente está autorizada a realizar sua saída;

Hospital de internação parcial

Denominado de hospital-dia (HD), está sendo amplamente utilizado devido a sua facilidade de acesso e de saída; muitos, inclusive, oferecem a mesma qualidade e diversidade de operações como um hospital com internações ditas convencionais, somente difere pela sua assistência essencialmente diurna.

Hospital de longa permanência

Entidade na qual a média de permanência excede 60 dias; particularmente se refere a hospitais psiquiátricos e de características semelhantes. Devido à diversidade de sua atuação têm sido classificados como muitos tipos. Schene, Lieshout & Mastboom (1988) os classificam de acordo com quatro finalidades distintas: (1) alternativa ao tratamento psiquiátrico; (2) continuação da internação realizada da maneira integral; (3) manutenção do procedimento ambulatorial; e (4) reabilitação e apoio a pacientes com patologias crônicas.

Cabe relatar que os hospitais de internação parcial, os HD, têm alarmado muita polêmica e críticas em relação à eficácia de suas técnicas de reabilitação – realizadas rapidamente – e (contra) indicações (KLAR, FRANCES & CLARKIN 1982; SCHENE, LIESHOUT & MASTBOOM, 1988). Em contrapartida são defendidos por outros profissionais e têm contabilizado opiniões positivas de seus usuários.

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