Complicações e Sequelas na Cirurgia Animal

Complicações e Sequelas na Cirurgia Animal

Tem-se descrito a hemorragia intra-operatória como a complicação mais comum associada com a ovário-histerectomia nas cadelas com mais de 25 kg. A hemorragia durante a ovário-histerectomia pode resultar do rasgo do complexo AV ovariano enquanto se manipula o ligamento suspensor. Isso pode ser evitado ao se manipular cuidadosamente o ligamento conforme anteriormente descrito.

Hemorragia intra-operatória

A hemorragia intra-operatória também pode resultar do rasgo dos grandes vasos no ligamento largo, do rasgo dos vasos uterinos por meio de uma tração excessiva no corpo uterino ou da liberação acidental de uma pinça antes da colocação das ligaduras.

Deve-se ligar individualmente os grandes vasos no ligamento largo e deve-se evitar uma tração excessiva no corpo uterino por meio da extensão da incisão abdominal. A colocação imprópria das suturas pode resultar em uma hemorragia intra ou pós -operatória. Deve-se ligar duplamente os pedículos ovarianos e o coto uterino e avaliá-los quanto a sangramentos antes do fechamento abdominal.

A piometra do coto uterino pode ocorrer se não se remover todo o corpo uterino ou porções de qualquer dos cornos uterinos durante a ovário-histerectomia e o animal tiver níveis sanguíneos de progesterona elevados.

A fonte de progesterona pode ser endógena proveniente de tecido ovariano residual ou exógeno (proveniente de compostos pró gestacionais utilizados para tratar uma dermatite). Pode-se evitar a piometra de coto uterino excisando-se completa¬mente os cornos e o corpo do útero.

Ligadura acidental

A ligadura acidental de um ureter (que ocorre algumas vezes durante a ligadura do corpo uterino ou de um complexo AV ovariano) resulta em uma hidronefrose e pode predispor a uma pielonefrite.

Pode-se esmagar ou ligar acidentalmente um ureter se o complexo AV ovariano cair e se ocorrer um pinçamento indiscriminado do tecido na goteira lombar. É mais provável que se inclua um ureter na ligadura do corpo uterino se a bexiga estiver repleta, pois o trígono e a junção vesico-ureteral se deslocam cranialmente, resultando em uma folga maior nos ureteres.

A incontinência urinária após uma ovário-histerectomia pode ser causada por um nível estrogênico sistêmico baixo; por aderências ou granulomas do coto uterino que interferem na função do esfíncter vesical; e por fistulação vaginoureteral proveniente da ligadura comum da vagina e do ureter.

Terapia recomendada para a incontinência urinária responsiva a estrógenos é a administração oral de dietilstilbestrol em 0,1 a 1,O mg por dia por 3 a 5 dias seguida por uma dose de manutenção de 1,O mg por semana.

O ganho de peso como sequela

O ganho de peso corporal foi a sequela em longo prazo mais comum relatada em um estudo, ocorrendo em 26,2% das cadelas após uma ovário-histerectomia eletiva. A causa do ganho de peso excessivo após a ovário-histerectomia é pouco compreendida.

 Uma teoria sugere que os depósitos de gordura do corpo possuam receptores para ‘hormônios esteróides específicos, de forma que se facilite ou bloqueie a deposição de gordura em uma maneira regional em resposta ã testosterona, ao estradiol, a progesterona e ao cortisol.

O estradiol inibe a lipase lipoprotéica nos adipócitos dos depósitos gordurosos incorrendo no fato de que os ácidos graxos circulantes podem não se esterificar e depositar. Consequentemente, um baixo nível de estradiol sistêmico após uma ovário-histerectomia pode levar a uma deposição excessiva de gordura e a um ganho de peso.

Síndrome eunucóide

A síndrome eunucóide ocasionalmente é observada nas cadelas de trabalho após uma ovário-histerectomia. As cadelas afetadas apresentam uma redução na agressão, no interesse pelo trabalho e na resistência. O autotransplante de um ovário para a subserosa da parede gástrica, que é drenada exclusivamente pela veia portal, pode impedir essa complicação. O enxerto produz estradiol e progesterona, que são parcialmente metabolizados pelo fígado. Os níveis de estradiol circulante são inadequados para iniciar o estro, mas são suficientes para evitar a síndrome eunucóide.

Em qualquer procedimento abdominal, pode ocorrer uma incisão acidental do baço ou da bexiga, uma falha na remoção de todos os tampões de gaze da cavidade abdominal antes do fechamento, uma deiscência, uma formação de seroma e uma automutilação.

Traumatismo auto-infligido

O traumatismo auto-infligido do ferimento abdominal tem sido descrito como a complicação mais comum associada com a ovário-histerectomia de cadelas com menos de 25kg. Pode-se evitar a maioria dessas complicações por meio de uma atenção estrita a detalhes e pela observação dos princípios básicos da técnica de cirurgia asséptica.

O estro recorrente geralmente resulta de um tecido ovariano residual funcional após uma ovário-histerectomia incompleta. Podem estar presentes sinais clínicos associados com o estro e a atividade hormonal ovariana. Podem-se retardar os efeitos hormonais dependendo da manutenção ou não da vascularização dos restos ovarianos. Pode-se desenvolver uma circulação colateral ao tecido ovariano mesmo se estiver ligado e transeccionado o complexo AV ovariano.

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