Conceitos e critérios para diagnósticos

A Infecção comunitária é a infecção constatada ou em incubação no ato de admissão do paciente, desde que não relacionada com internação anterior no mesmo hospital.

São também comunitárias:

a) a infecção que está associada com complicação ou extensão da infecção já presente na admissão, a menos que haja troca de microrganismos ou sinais ou sintomas fortemente sugestivos da aquisição de nova infecção;

b) a infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento (exemplo: Herpes simples, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS).

Infecção hospitalar

é qualquer infecção adquirida após a internação do paciente e que se manifeste durante a internação, ou mesmo após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares.

Critérios para diagnóstico de infecção hospitalar

O diagnóstico de infecções hospitalares deverá valorizar informações oriundas de: evidência clínica, derivada da observação direta do paciente ou da análise de seu prontuário; resultados de exames de laboratório, ressaltando-se os exames microbiológicos, a pesquisa de antígenos e anticorpos e métodos de visualização; e evidências de estudos com métodos de imagem; endoscopia; biópsia e outros.

Critérios gerais:

a) quando, na mesma topografia em que foi diagnosticada infecção comunitária, for isolado um germe diferente, seguido do agravamento das condições clínicas do paciente, o caso deverá ser considerado como infecção hospitalar.

b) quando se desconhecer o período de incubação do microrganismo e não houver evidência clínica e/ou dado laboratorial de infecção no momento da admissão, considera-se infecção hospitalar toda manifestação clínica de infecção que se apresentar a partir de 72 (setenta e duas) horas após a admissão.

Também são consideradas hospitalares aquelas infecções manifestadas antes de 72 (setenta e duas) horas da internação, quando associadas a procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos, realizados depois da mesma.

c) as infecções no recém-nascido são hospitalares com exceção das transmitidas de forma transplacentária.

Classificação das Cirurgias por Potencial de Contaminação

As infecções pós-operatórias devem ser analisadas conforme o potencial de contaminação da ferida cirúrgica, entendido como o número de microrganismos presentes no tecido a ser operado. A classificação das cirurgias deverá ser feita no final do ato cirúrgico.

Operações Limpas:

São aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local ou falhas técnicas grosseiras, cirurgias eletivas e traumáticas com cicatrização de primeira intenção e sem drenagem. Cirurgias em que não ocorrem penetrações nos tratos digestivo, respiratório ou urinário.

Operações Potencialmente Contaminadas:

São aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora microbiana pouco numerosa ou em tecidos de difícil descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório e com falhas técnicas discretas no transoperatório. 

Cirurgias limpas com drenagem se enquadram nesta categoria. Ocorre penetração nos tratos digestivo, respiratório ou urinário sem contaminação significativa.

Operações Contaminadas:

São aquelas realizadas em tecidos traumatizados recentemente e abertos, colonizados por flora bacteriana abundante, cuja descontaminação seja difícil ou impossível, bem como todas aquelas em que tenham ocorrido falhas técnicas grosseiras, na ausência de supuração local. 

Presença de inflamação aguda na incisão e cicatrização de segunda intenção, grande contaminação a partir do tubo digestivo. Obstrução biliar ou urinária.

Operações Infectadas:

São todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou órgão, em presença de processo infeccioso (supuração local), tecido necrótico, corpos estranhos e feridas de origem suja.

Exemplo de cirurgias classificadas pelo seu potencial de contaminação:

a) Limpas:

– Artoplastia do quadril;

– Cirurgia cardíaca;

– Herniorrafia de todos os tipos;

– Neurocirurgia;

– Procedimentos cirúrgicos ortopédicos (eletivos);

– Anastomose portocava, esplenorrenal e outras;

– Mastoplastia;

– Mastectomia parcial e radical;

– Cirurgia de Ovário;

– Enxertos cutâneos;

– Esplenectomia;

– Vagotomia superseletiva (sem drenagem);

-Cirurgia vascular.

b) Potencialmente contaminada:

– Histerectomia abdominal;

– Cirurgia do intestino delgado (eletiva);

– Cirurgia das vias biliares sem estase ou obstrução biliar;

– Cirurgia gástrica e duodenal em pacientes normo ou hiperclorídricos;

– Feridas traumáticas limpas – ação cirúrgica até dez horas após traumatismo;

– Colecistectomia + colangiografia;

– Vagotomia + operação drenagem;

– Cirurgias cardíacas prolongadas com circulação extracorpórea.

c) Contaminadas:

– Cirurgia de cólon;

– Debridamento de queimaduras;

– Cirurgias das vias biliares em presença de obstrução biliar;

– Cirurgia intranasal;

– Cirurgia bucal e dental;

– Fraturas expostas com atendimento após dez horas;

– Feridas traumáticas com atendimento após dez horas de ocorrido o traumatismo;

– Cirurgia de orofaringe;

– Cirurgia do megaesôfago avançado;

– Coledocostomia;

– Anastomose biliodigestiva;

– Cirurgia gástrica em pacientes hipoclorídicos (câncer, úlcera gástrica);

– Cirurgia duodenal por obstrução duodenal.

d) Infectadas:

– Cirurgia do reto e ânus com pus;

– Cirurgia abdominal em presença de pus e conteúdo de cólon;

– Nefrectomia com infecção;

– Presença de vísceras perfuradas;

– Colecistectomia par colecistite aguda com empiema;

– Exploração das vias biliares em colangite supurativa;

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