Contraindicações do Paracetamol

Pacientes reconhecidamente hipersensíveis ao paracetamol ou aos outros componentes da fórmula.

Precauções

Ocorrendo reação de hipersensibilidade ao paracetamol, a administração do medicamento deve ser suspensa.

Gravidez

Não se têm descrito problemas em humanos. Embora não tenham sido realizados estudos controlados, demonstrou-se que o paracetamol atravessa a placenta. É admitido seu uso durante a gravidez; entretanto, deve ser sempre considerado o risco potencial de qualquer medicamento causar dano ao feto. Seu uso deve ser restrito aos casos necessários e deve ser por curto período;

Sensibilidade cruzada e/ou problemas associados

Os pacientes com intolerância ao ácido acetilsalicílico podem não apresentá-la em relação ao paracetamol; no entanto, têm sido descritas ligeiras reações broncoespasmódicas com paracetamol em alguns asmáticos sensíveis ao ácido acetilsalicílico (menos de 5% dos ensaiados);

Pacientes diabéticos

deve haver cautela na interpretação dos resultados laboratoriais de glicemia, pois o uso de paracetamol interfere com alguns testes laboratoriais para determinação da glicose, gerando valores falsamente diminuídos;

Outras Situações

a relação risco/benefício da terapêutica com paracetamol deve ser avaliada nas seguintes situações clínicas:

• Alcoolismo;

• Enfermidade hepática;

• Hepatite viral (aumenta o risco de hepatotoxicidade);

• Disfunção renal severa (o uso prolongado de doses elevadas pode aumentar o risco de aparecimento de efeitos renais adversos).

Interações do paracetamol com medicamentos ou alimentos

Alimentos

A administração de paracetamol conjuntamente com alimentos retarda sua absorção;

Barbitúricos, carbamazepina, hidantoína, rifampicina e sulfimpirazona

A hepatotoxicidade potencial do paracetamol pode ser aumentada por grandes doses ou administração prolongada destes fármacos;

Álcool

A hepatotoxicidade potencial do paracetamol pode ser aumentada com a ingestão crônica e excessiva de álcool;

Medicamentos hepatotóxicos, indutores de enzimas hepáticas

o risco de hepatotoxicidade com doses tóxicas únicas ou com o uso prolongado de doses elevadas do paracetamol pode aumentar nos pacientes que se utilizam dessas substâncias;

Anticoagulantes derivados da cumarina ou da indandiona

A administração simultânea crônica de doses elevadas de paracetamol pode aumentar o efeito do anticoagulante, possivelmente em razão da diminuição da síntese hepática dos fatores que favorecem a coagulação;

Analgésicos anti-inflamatórios não esteróides, ácido acetilsalicílico ou outros salicilatos

Não se recomenda o uso prolongado e simultâneo do paracetamol com salicilatos, uma vez que estudos recentes demonstraram que a administração crônica de doses elevadas de ambos analgésicos (1,35 gramas ao dia, ou ingestão cumulativa de 1 kg anualmente, por 3 anos ou mais) aumenta significativamente o risco de aparecimento de nefropatia, necrose papilar renal, enfermidade renal terminal e câncer de rim ou de bexiga produzidos por analgésicos. 

Também se recomenda que a dose combinada de paracetamol e salicilato quando utilizada em curto período de tempo, não exceda a dose recomendada para o paracetamol ou para o salicilato quando administrados separadamente. 

O uso simultâneo e prolongado de paracetamol com outros analgésicos anti-inflamatórios não esteroides pode aumentar o risco de se produzir efeitos renais deletérios.

Reações adversas

O paracetamol pode provocar reações adversas nos diferentes sistemas orgânicos, porém a mais temida reação é a hepatotoxicidade. Embora de incidência extremamente rara, há relatos de êxito letal em razão de fenômenos hepatotóxicos provocados pelo paracetamol.

A toxicidade hepática do paracetamol envolve seus mecanismos de metabolização. Uma pequena porção de paracetamol é metabolizado pelo citocromo P450, ocorrendo hidroxilação para formar NAPQI (N-acetil-p-benzoquinoneimina), um intermediário altamente reativo. 

Este metabólito normalmente reage com grupos sulfidrila da glutationa. No entanto, após a ingestão de grandes doses de paracetamol, o metabolito é formado em quantidades suficientes para depletar a glutationa hepática.

Mediante a depleção da glutationa celular, o metabólito liga-se a macromoléculas celulares, mecanismo pelo qual o paracetamol promove lesão em células do fígado.

O paracetamol é mais tóxico, quando as enzimas do citocromo P450 estão aumentadas, tal como após a exposição ao etanol ou ao fenobarbital, uma vez que estes são responsáveis pela produção de metabólitos tóxicos.

Com o uso do paracetamol podem ocorrer ainda reações de hipersensibilidade, sendo descritos casos de erupções cutâneas, urticária, eritema pigmentar fixo, broncoespasmo, angioedema e choque anafilático.

Outras reações de incidência rara

• Discrasias sanguíneas (agranulocitose, anemia hemolítica, neutropenia, leucopenia, pancitopenia e trombocitopenia);

• Hepatite (aparecimento de cor amarela nos olhos e pele);

• Hipoglicemia;

• Icterícia;

• Lesões eritematosas na pele e febre;

• Hematúria ou urina turva, micção dificultosa ou dolorosa, diminuição brusca da quantidade de urina;

• Em pacientes com comprometimento metabólico, ou mais susceptíveis, pode ocorrer acidúria piroglutâmica.

Posologia do Paracetamol

Adultos e crianças acima de 12 anos. 1 comprimido (750mg)

3 a 4 vezes ao dia. Não exceder o total de 5 comprimidos revestidos num intervalo de 24 horas.

Superdosagem

Em casos de suspeita de ingestão de doses elevadas de paracetamol, deve-se procurar imediatamente um serviço médico de urgência.

Os sinais e sintomas iniciais que se seguem à ingestão de uma dose maciça, possivelmente hepatotóxica, de paracetamol são: náuseas, vômitos, dor ou sensibilidade à dor na área abdominal superior ou “inchaço” da área abdominal, sudorese intensa e mal-estar geral. 

Hipotensão arterial, arritmia cardíaca, icterícia, insuficiência hepática e renal são também observadas. Os sinais clínicos e laboratoriais de toxicidade hepática podem não estar presentes até 48 ou 72 horas após a ingestão da dose maciça.

A intoxicação por paracetamol em crianças parece ser menos frequente que em adultos, pois há evidências de que as crianças são menos vulneráveis que os adultos em relação à hepatotoxicidade. 

Isto pode ser decorrente das diferenças relativas à idade quanto ao metabolismo do paracetamol. 

Apesar dessas diferenças, devem ser tomadas as medidas necessárias em casos de superdosagem em crianças, da mesma forma que para adultos.

Tratamento da intoxicação

O estômago deve ser imediatamente esvaziado, seja por lavagem gástrica ou por indução ao vômito com xarope de ipeca. Deve-se providenciar nos centros com metodologia e aparelhagem adequadas, a determinação dos níveis plasmáticos de paracetamol. 

As provas de função hepática devem ser realizadas inicialmente e repetidas a cada 24 horas até a normalização.

Independentemente da dose maciça de paracetamol referida, deve-se administrar imediatamente o antídoto considerado eficaz, a N-acetilcisteína a 20%, desde que não tenha decorrido mais de 16 horas da ingestão. 

A N-acetilcisteína deve ser administrada por via oral, na dose de ataque de 140 mg/kg de peso, seguida, a cada quatro horas, por uma dose de manutenção de 70 mg/kg de peso, até um máximo de 17 doses, conforme a evolução do caso.

A N-acetilcisteína a 20% deve ser administrada após diluição a 5% em água, suco ou refrigerante, preparada no momento da administração. 

Além da administração da N-acetilcisteína, o paciente deve ser acompanhado com medidas gerais de suporte, incluindo manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, correção de hipoglicemia, administração de vitamina K, quando necessário e outras. 

Após a recuperação do paciente, não permanecem sequelas hepáticas, anatômicas ou funcionais.

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