Cuidados após cirurgias no Sistema Gastrointestinal

Os animais devem se recuperar no pós-operatório de cirurgias do trato gastrointestinal com a cabeça ligeiramente para baixo para estimular que se expulse coágulos sanguíneos do transoperatório ao invés de serem aspirados ou engolidos. É indispensável monitorar sinais de obstrução da via aérea.

Não se deve permitir a ingestão oral nas primeiras 12-24 horas de pós-operatório, exceto em pacientes pediátricos que apresentam risco de hipoglicemia e em gatos que podem desenvolver lipidose hepática. Nesse período deve-se fazer reposição energética por via parenteral. Nunca esquecer de dosar diariamente, pelo menos nos três primeiros dias de pós-operatório, os níveis eletrolíticos dos animais.

Qualquer cirurgia no trato gastrointestinal deve-se fazer necessário o uso de sondas para alimentação pela via enteral no pós-operatório. Deve-se começar a administrar água após 12-24 horas da cirurgia, conforme a gravidade do caso, através das sondas. A partir daí oferecer gradativamente dietas líquidas a pastosas. A alimentação enteral proporciona nutrientes para o trato gastrintestinal funcional através de sondas nasoesofágicas, faringostomia, esofagostomia, gastrostomia e de enterostomia. Cabe ao veterinário responsável pelo paciente julgar quando o mesmo poderá voltar a se alimentar normalmente. Essa condição deve levar em consideração o estado do animal, tipo de cirurgia que foi submetido, órgão acometido e a sua recuperação no pós-operatório.

Todos os cães ou gatos que são submetidos a cirurgias no esôfago devem ser observados cuidadosamente quanto a sinais de vazamento, infecção esofágica, esofagite e pneumonia por aspiração. Em qualquer um desses acontecimentos o animal deve ser imediatamente tratado apropriadamente para evitar complicações graves ou até mesmo o óbito. Cirurgias esofágicas onde é necessário abrir o tórax no transoperatório, geralmente requerem mais atenção ao paciente. Esses devem ser monitorados no pós-operatório quanto à dificuldade respiratória resultante da entrada de ar no tórax durante o procedimento. Por isso é indispensável à remoção do máximo de ar possível do tórax no final da cirurgia, através de toracocentese. Oxigenioterapia através de máscara, colar ou cateter nasal beneficiam os animais no pós-operatório quanto à dificuldade de respirar.

Cuidados especiais após cirurgias no estômago incluem principalmente alimentação especial após 24 horas, através de sondas enterais, medicação para prevenir vômito, gastrite e monitoração dos eletrólitos séricos. Dentre esses o mais importante é o potássio que obrigatoriamente deve ser reposto no pós-operatório, pois sua única fonte é através da alimentação. É importante também avaliar também presença de peritonite secundária a extravasamento de conteúdo gástrico na cavidade abdominal, ulceração no local de sutura, obstrução da saída gástrica para o intestino e pancreatite.

Os cuidados no pós-operatório de cirurgias intestinais devem ser individualizados para cada cão ou gato específico e seus problemas intercorrentes. Durante a recuperação o animal deve ser monitorado de perto quanto a vômitos. A reposição energética deve ser mantida por via parenteral, geralmente não se utiliza sonda de enterostomia em cirurgias intestinais. Podem-se oferecer pequenas quantidades de água após 12 horas do procedimento e se não ocorrer vômito, introduzir pequenas quantidades de alimento sem gordura após 24 horas de pós-operatório.

Depois da cirurgia intestinal é importante monitorar os sinais clínicos como prostração, febre alta, sensibilidade abdominal excessiva, vômitos intermitentes, etc. Esses sinais podem indicar peritonite secundária a extravasamento de conteúdo intestinal na cavidade abdominal. Nesse caso o animal deve ser imediatamente tratado apropriadamente para evitar complicações graves ou até mesmo o óbito.

Independente do órgão operado deve-se fazer uso de antibióticos e analgésicos após cirurgias do sistema gastrointestinal. O tempo da terapia fica a critério do veterinário responsável, vai depender conforme a gravidade do caso e do paciente.

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