Entendendo a Psicologia de Gestalt

A Psicologia da forma, Psicologia da Gestalt, Gestaltismo ou simplesmente Gestalt é uma teoria da psicologia que considera os fenômenos psicológicos como um conjunto autônomo, indivisível e articulado na sua configuração, organização e lei interna. A teoria foi criada pelos psicólogos alemães Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940), nos princípios do século XX, mais precisamente em 1912.
Estes trabalhos foram uma continuação dos trabalhos de Christian Von Ehrenfels (1859-1932), psicólogo austríaco, precursor desta escola do pensamento.
Ehrenfels lançou em 1890 as bases da Psicologian da Gesalt. Sua primeira constatação foi a divisão de duas espécies de “qualidades da forma”: as sensíveis, próprias do objeto, e as formais, próprias da nossa concepção. São as primeiras agrupadas de acordo com as últimas que formam o conjunto e possibilitam a percepção.
A partir destas ideias e da oposição às concepções de Wilhelm Wundt (1832-1920), considerado o fundador da psicologia moderna e experimental, Wertheimer, Kohler e Kofka começaram um trabalho dentro da Univesidade de Frankfurt.

O que é a Psicologia Gestalt?

A Psicologia da Gestalt é um movimento que atua na área da teoria da forma. Ela propõe que o cérebro humano tende automaticamente a desmembrar a imagem em diferentes partes, organizá-las de acordo com semelhanças de forma, tamanho, cor, textura etc., que por sua vez serão reagrupadas de novo num conjunto gráfico que possibilita a compreensão do significado exposto.

O princípio básico da teoria gestaltista é que o inteiro é interpretado de maneira diferente que a soma de suas partes. Esta premissa levou ao descobrimento de diferentes fenômenos que ocorrem durante o processo da percepção.
Wertheimer pôde provar, experimentalmente, que diferentes formas de organização perceptiva são percebidas de forma organizada e com significado distinto por cada pessoa. Basearam nisso a ideia de que o conhecimento do mundo se obtém através de elementos que por si só constituem formas organizadas. Por exemplo: uma cadeira é mais do que quatro pernas, um assento e um encosto.
Uma cadeira é tudo isso, mas é mais que isso: está presente na nossa mente como um símbolo de algo distinto de seus elementos.

Entendendo o Fenômeno Phi

Um importante movimento estudado e denominado por ele, foi o “fenômeno phi”. Quando a representação de determinada frequência não é transposta, se tem a impressão de continuidade e movimento. O cinema e/ou os desenhos animados foram construídos baseado nessa ilusão de movimento.
Os gestaltistas, através de experiências em laboratórios, resolveram estudar a personalidade como um todo.
Eles começaram pelos mecanismos fisiológicos e psicológicos, mas depois, estenderam suas pesquisas à memória, inteligência e expressão, sempre baseados na percepção e nas relações do organismo com o meio.

No processo de percepção há fatores objetivos e subjetivos, cuja importância relativa irão variar. Para representar esta relação entre o organismo e o meio, a pessoa tende a isolar as “boas formas”. O mesmo acontece entre as relações de figura-fundo. Todo o campo perceptivo se diferencia em um fundo e em uma forma ou figura. Estes dois elementos estão intimamente ligados e não existem independentemente. Estes conceitos representam um foco importante dentro da teoria da Gestalt-terapia.
Através das confirmações dos Gestaltistas, pode-se provar que há uma relação dialética entre o sujeito e o objeto, ao contrário do que até então se pretendia comprovar através da pretensa “objetividade científica”. Eles acreditavam e provaram que o aspecto do objeto depende das necessidades do sujeito e, vice-versa.

A arquitetura, o design, a arte e a moda também aplicam Gestalt

O design, a arquitetura, a arte, a moda e a própria Gestalt-terapia utilizam as leis da Gestalt o tempo todo, muitas vezes até de forma inconsciente. Este pensamento ajuda as pessoas a assimilarem informações e entenderem as mensagens que são passadas. Esta teoria descobriu certas leis que regem a percepção humana das formas, facilitando a compreensão das imagens e ideias. Essas leis são nada menos que conclusões sobre o comportamento natural do cérebro, quando age no processo de percepção.
Os elementos constitutivos são agrupados de acordo com as características que possuem entre si, como semelhança, proximidade e outras que veremos a seguir. O fato de o cérebro agir em concordância com os princípios Gestálticos já poderia ser considerado a evidência fundamental de que a Lei da Pregnância é verdadeira.
Segue abaixo um resumo sobre as Leis da Gestalt:

Lei da Semelhança ou Lei da similaridade

Possivelmente a lei mais óbvia, que define que os objetos similares tendem a se agrupar. A similaridade pode acontecer na cor dos objetos, na textura e na sensação de massa dos elementos. Estas características podem ser exploradas quando desejamos criar relações ou agrupar elementos na composição de uma figura. Por outro lado, o mau uso da similaridade pode dificultar a percepção visual como, por exemplo, o uso de texturas semelhantes em elementos do “fundo” e em elementos do primeiro plano.

Lei da Proximidade

Os elementos são agrupados de acordo com a distância a que se encontram uns dos outros. Quanto mais perto uns dos outros, mais são percebidos como um grupo. Quanto mais longe, menos são associados a uma mesma unidade ou grupo.
Lei da Continuidade

Está relacionada à coincidência de direções, ou alinhamento, das formas dispostas. Se vários elementos de um quadro apontam para o mesmo canto, por exemplo, o resultado “fluirá” mais naturalmente. Isso logicamente facilita a compreensão. Os elementos harmônicos produzem um conjunto harmônico. O conceito de boa continuidade está ligado ao alinhamento. Em vez de ver linhas e ângulos separados, elas são vistas como uma só, pois dois elementos alinhados passam a impressão de estarem relacionados.
Lei da Pregnância ou Lei da Simplicidade

Esta lei é a que mais influencia a Gestalt-terapia e, também, a mais importante de todas, possivelmente, ou pelo menos a mais sintética. Diz que todas as formas tendem a ser percebidas em seu caráter mais simples, por isso “simplicidade”: uma espada e um escudo podem tornar-se uma reta e um círculo, e um homem pode ser um aglomerado de formas geométricas.

É o princípio da simplificação natural da percepção. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada: desta forma, a parte mais facilmente compreendida em um desenho é a mais regular, que requer menos simplificação.
Assim, a pregnância da imagem diz respeito ao caminho natural que ela segue em direção à boa forma, que é, idealmente, a mais simples de todas. E essa simplicidade é formada justamente por equilíbrio, homogeneidade, regularidade e simetria. O equilíbrio final da forma, entretanto, é próprio também dos elementos que a compõem. A forma é equilibrada quando suas partes também estabelecem correlações equilibradas. Pois, para a Gestalt, o todo é um elemento próprio, mas refere-se sempre às correlações entre suas partes.
Lei do Fechamento ou Lei da Clausura

Elementos são agrupados se eles parecem se completar. Nossa mente vê um objeto completo mesmo quando não há um, ou seja, é o princípio de que a boa forma se completa, se fecha sobre si mesma, formando uma figura delimitada. O conceito de clausura relaciona-se ao fechamento visual, como se completássemos visualmente um objeto incompleto.

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