Eritropoese: O que é?

A eritropoese é o processo de formação dos eritrócitos, que respeitadas as fases de vida do animal, ocorre no interior da medula óssea, e é controlada por um hormônio estimulante chamado eritropoetina.

O que é eritropoetina?

A eritropoetina é uma glicoproteína produzida pelos rins nas condições de hipóxia tecidual, ou seja, quando há redução nos níveis de oxigênio nos tecidos. Há suspeitas (e evidências) de que ela seria produzida a partir de uma substância precursora, possivelmente produzida pelas células de Kupfer do fígado, chamada por alguns autores de eritropoetinogênio.
A eritropoetina age sobre as células-tronco comandando uma divisão celular que origina a unidade formadora de colônia eritrocítica ou UFC-E. Além da UFC-E sabe-se que a eritropoetina também estimula a formação de plaquetas (UFC-MG), mas não a de leucócitos (UFC-MM).

O que pode estimular o aparecimento de eritropoese?

Outras substâncias que estimulam indiretamente a eritropoese, por interferirem nos rins ou fígado, são os hormônios andrógenos e as prostaglandinas (PGE1, PGE2 e PGI2). Opostamente, os estrógenos atuam negativamente sobre a eritropoese, inibindo o fígado e os rins.

Com isso, fisiologicamente, machos tendem a ter mais eritrócitos do que as fêmeas. Outras substâncias acabam estimulando a eritropoese porque elevam o consumo de oxigênio pelas células, entre elas temos hormônio tireoidiano, hormônio adrenocorticotrófico, tirosina, tiroxina, corticoides, prolactina, angiotensina e adrenalina.
Qualquer organismo animal precisa produzir glóbulos vermelhos

Além do estímulo da eritropoetina, o organismo de qualquer animal precisa de diversas substâncias para produzir glóbulos vermelhos, entre estas substâncias estão:

• Aminoácidos e proteínas provenientes dos alimentos, especialmente leite, ovos e fígado;

• Vitaminas diversas, principalmente riboflavina (B2 ou G), piridoxina (B6), niacina (B3, PP ou ácido nicotínico), ácido fólico (B9, M ou folacina), tiamina (B1 ou F) e cobalamina (B12 ou cianocobalamina), esta última indispensável nas divisões celulares das fases nucleadas dos eritrócitos;
• Minerais, entre eles ferro, que é o principal componente do heme (hemoglobina); cobalto, necessário na síntese da vitamina B12 e o cobre, agente catalisador da eritropoese e cofator da enzima ALA-desidrase, que participa da síntese do heme;
• Lipídeos, componentes da membrana citoplasmática dos eritrócitos, sendo que o colesterol é o regulador da resistência osmótica da célula.
O processo de vida da eritropoese

Devido ao período de vida relativamente curto das hemácias, a eritropoese é um processo contínuo, que pode ser intensificado ou amenizado com as necessidades do organismo do animal. Em cães, estima-se que a renovação dos eritrócitos seja de aproximadamente 1% ao dia e em gatos um pouco mais elevada do que isto, este valor garante a manutenção e o equilíbrio entre os processos de destruição e formação de novas hemácias.
De forma didática, dividimos a eritropoese em fases, a partir da UFC-E; estas fases correspondem aos tipos celulares que podem ser encontrados na linhagem eritrocítica. Porém, um fenômeno habitual que ocorre durante a eritropoese é a formação de eritrócitos que não atingem a corrente sanguínea e morrem no interior da própria medula óssea, condição chamada de eritropoese ineficaz.

A eritropoese ineficaz atinge, em condições normais, cerca de 10% das células, mas esta porcentagem pode aumentar em certas doenças, por exemplo, em algumas intoxicações ou como ocorre na anemia perniciosa humana.

O tempo necessário para a maturação de um eritrócito é de aproximadamente sete dias e envolve basicamente três mecanismos que acontecem em conjunto: primeiro, as mitoses para multiplicação e que provocam diminuição do tamanho das células; segundo, a hemoglobinização crescente, que reduz a basofilia e aumenta a acidofilia do citoplasma; e, terceiro, a expulsão do núcleo, que se torna mais denso a cada fase, até ser eliminado.

Entendendo as fases morfológicas

Esses mecanismos de maturação determinam diferentes fases que podem ser diferenciadas morfologicamente, são elas:
UFC-E

É a célula que provém da primeira divisão da célula-tronco, o que depende da atuação da eritropoetina e da necessidade de oxigenação tecidual; sua morfologia é semelhante à de um linfócito maduro comum. Esta célula esta presente apenas na medula óssea, em quantidades bastante reduzidas e sua identificação depende de métodos cito químicos ou moleculares.
Rubro blasto

Também chamado de pró-eritroblasto, resulta da divisão da UFC-E e tem cerca de duas ou três vezes o tamanho de um eritrócito maduro. Possui núcleo que ocupa quase toda a extensão celular (cerca de três quartos), posicionado na região central da célula, com cromatina delicada e presença de dois ou três nucléolos. Com os corantes sanguíneos habituais, tipo Wright ou Giemsa, seu citoplasma se apresenta basofílico, com tom de azul tendendo ao cinza, e os nucléolos podem ser vistos.
Prorrubrócito

Também chamado de prorrubrícito ou eritroblasto, resulta da divisão dos rubro blastos, sendo um pouco menor do que estes. Seu núcleo apresenta nucléolos menos evidentes ou não observáveis com cromatina ligeiramente mais grosseira e o citoplasma é menos basofílico porque nesta fase os ribossomos iniciam a síntese de hemoglobina.
Rubrócito

Também chamado de rubrícito ou normoblasto, resulta da divisão dos prorrubrócitos. Esta célula é menor do que a anterior, seu citoplasma passa a ser mais acidófilo, devido ao acúmulo da hemoglobina, e seu núcleo já não apresenta mais nucléolos em evidência e a cromatina se torna mais condensada.

Alguns autores dividem esta fase em duas, denominando os tipos celulares de rubrócito basófilo e rubrócito policromático (ou policromatófilo), sendo que o primeiro tem citoplasma mais basofílico, pela menor quantidade de hemoglobina e a cromatina nuclear é levemente condensada, enquanto o segundo apresenta acidofilia citoplasmática e cromatina nuclear moderadamente condensada.
Metarrubrócito

Também chamado de metarrubrícito ou normoblasto ortocromático, resultante da divisão dos rubrócitos. Esta célula é ainda menor do que seus antecessores, seu núcleo apresenta-se bastante escuro, devido à forte compactação da cromatina, e a acidofilia citoplasmática é bastante evidente, adquirindo coloração mais próxima a de um eritrócito maduro.
Reticulócito

Também chamado de policromatófilo e se trata de um metarrubrócito amadurecido, pois este já não se divide mais. Quando corados por Wright ou Giemsa, observa-se que não possuem mais núcleo, são ligeiramente maiores do que hemácias maduras, e seu citoplasma têm uma coloração levemente azulada, o que justifica a denominação de policromatófilos.

O que dá basofilia a estas células é o RNA, que pode se precipitar em pequenos grânulos, chamados de ponteado basófilo, quando corados pelo novo azul de metileno. Regularmente, 1 a 2% de reticulócitos estão presentes entre as células circulantes, mas essa porcentagem varia com a espécie.
Eritrócitos maduros

Resultam da continuação do processo de amadurecimento celular, pois os reticulócitos também não se dividem. Nesta fase, perde-se toda substância basófila, a formação de hemoglobina está completa e a célula ganha a circulação sanguínea.

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